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Painéis solares não duram para sempre, e o problema já tem prazo: 2050

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Os painéis solares não duram para sempre e, dentro de poucas décadas, o mundo vai ter de lidar com milhões de toneladas de equipamento fotovoltaico em fim de vida. Neste cenário, uma equipa de investigadores sul-coreanos mostrou que o silício retirado destes painéis pode ter outro fim, que não seja acabar como vidro triturado de baixo valor.

A maioria dos painéis solares foi projetada para durar entre 20 a 30 anos. Isso significa que os painéis instalados hoje vão gerar, mais cedo ou mais tarde, um volume considerável de resíduos.

Um estudo conjunto da IRENA e da IEA, publicado há uma década, estimou que o mundo poderá acumular até 78 milhões de toneladas de painéis solares em fim de vida até 2050.

O gráfico mostra os resultados cumulativos de resíduos de painéis fotovoltaicos até 2050. Fonte: IRENA 2016 AND IEA-PVPS 2016

Atualmente, quando um painel chega ao fim da sua vida útil, o processo de reciclagem é simples para as partes mais fáceis. Afinal, a moldura de alumínio e a caixa de junção saem sem grande dificuldade.

O problema está na espécie de laminado de vidro, no plástico e na fina camada de silício com vestígios de prata. Grande parte deste material acaba triturado e vendido como vidro de baixo valor, um processo que muitos especialistas classificam como downcycling e não reciclagem genuína.

A razão é essencialmente económica. Segundo uma revisão científica de 2024, reciclar painéis de silício custa entre 600 e 1000 dólares por tonelada, sem contar com qualquer receita gerada pelos materiais recuperados.

Para que o processo seja rentável, esse custo teria de descer para os 300-400 dólares por tonelada. Um investigador da Arizona State University, Meng Tao, explicou que reciclar um painel custa cerca de 20 dólares, mas os materiais recuperados valem apenas 10 a 12 dólares.

O silício purificado a 99,95%

Foi este impasse que uma equipa do Korea Institute of Energy Research, em colaboração com a Chungnam National University, tentou resolver de outra forma.

Em vez de tentar recuperar cada grama de prata ou reintroduzir o silício em novas células solares, os investigadores decidiram purificá-lo o suficiente para lhe dar um destino diferente.

Partindo de um único painel real da Suntech (modelo STP200-18/Ub, com 54 células de silício policristalino e arquitetura Al-BSF) em fim de vida, a equipa conseguiu purificar o silício recuperado até 99,95%.

Diagrama esquemático geral a ilustrar a recuperação de silício reciclado de alta pureza a partir de módulos fotovoltaicos em fim de vida útil e a sua subsequente conversão em nitreto de silício. Fonte: S.-P. Lee et al., Materials Today Sustainability, 35 (2026).

O processo envolveu moagem, várias etapas de tratamento com ácidos para remover impurezas, e uma simples decantação em água para eliminar resíduos de titânio.

Um dos resultados mais curiosos do estudo, publicado na revista Materials Today Sustainability, é que moer o material com mais força não trouxe melhores resultados, pelo contrário.

A moagem a 800 rpm deixou 4290 ppm de alumínio residual após o tratamento com ácido, mais de 20 vezes mais do que os 189 ppm registados com uma moagem mais suave, a 400 rpm.

Segundo Jin-Seok Lee, autor correspondente do estudo, isto mostra que otimizar um processo de reciclagem não passa simplesmente por moer de forma mais intensa.

Na etapa de decantação, apenas cinco minutos foram suficientes para remover 71,4% do óxido de titânio, mantendo ao mesmo tempo 92,3% do silício.

De resíduo a cerâmica de rolamentos

Com o silício devidamente purificado, os investigadores transformaram-no em nitreto de silício, uma cerâmica extremamente dura e resistente ao calor, usada em rolamentos de esferas, ferramentas de corte, e componentes para motores automóveis e aeroespaciais.

A purificação prévia revelou-se decisiva, pois o silício limpo a 99,95% permitiu obter 93,1% da forma útil da cerâmica, contra apenas 54,7% quando essa limpeza extra era ignorada.

Imagens de pós de silício reciclado a mostrar a morfologia das partículas formadas em diferentes velocidades de moagem: (a) 400 RPM, (b) 600 RPM e (c) 800 RPM. Fonte: S.-P. Lee et al., Materials Today Sustainability, 35 (2026).

Segundo a equipa, este é o primeiro caso documentado de conversão de silício recuperado de módulos fotovoltaicos reais em nitreto de silício.

Esta abordagem tem vantagens:

  • Económicas: triturar um painel em vidro de baixo valor recupera algo, mas é a versão menos valiosa possível desse material. Se a reciclagem só produzir subprodutos baratos, as contas nunca vão ser positivas e os painéis continuarão a acabar em aterro.
  • Técnicas: ao contrário do silício de grau solar, que exige pureza extrema para voltar a ser usado em células fotovoltaicas, o nitreto de silício tolera mais imperfeições. Isto torna o material reciclado mais fácil de valorizar num mercado menos exigente em termos de pureza.

Longe de ser uma solução em escala

Apesar dos resultados promissores, o estudo baseia-se num único painel testado em laboratório, pelo que está longe de ser uma solução pronta para escala industrial. Painéis de diferentes fabricantes e diferentes idades podem comportar-se de forma distinta perante o mesmo processo.

Além disso, o mercado de nitreto de silício está longe de conseguir absorver 78 milhões de toneladas de resíduos fotovoltaicos. Mesmo que esta tecnologia seja bem-sucedida, só vai conseguir aproveitar uma fração do problema, não é uma solução única, mas mais uma ferramenta contra o desperdício solar.

Entretanto, em colaboração com a empresa sul-coreana Wonkwang S&T, os investigadores querem desenvolver tecnologia de reciclagem móvel, capaz de processar painéis mais perto do local onde são gerados.

O objetivo é reduzir custos de transporte em cerca de 30% e as emissões em mais de 10%, embora estas sejam, para já, apenas metas e não resultados comprovados.

Comentários

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  1. Avatar de Klimane
    Klimane

    Quando houver material em quantidade para reciclar os lucros aparecem e os preços da reciclagem baixam. É tudo uma questão de tempo.

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      E os preços dos painéis também baixam, por isso nunca vai compensar

      1. Avatar de Realista
        Realista

        Para isso é que existem tarifas…
        Aliás é precisamente por isso que os combustíveis possuem tarifas, que é para reduzir o seu consumo.

  2. Avatar de utherzzao1
    utherzzao1

    Mais um esquema para roubar dinheiro aos contribuintes! Tanta montanha cheia de painéis solares!

    1. Avatar de JL
      JL

      Como é que roubam dinheiro dos contribuintes ? É pelo combustível que os painéis usam ?

      1. Avatar de Zé Mario
        Zé Mario

        Mas não era você que dizia que a reciclagem dos painéis era super mega eficiente e que eu era o mau feitio? Afinal parece que tenho razão. É reciclável mas não é viável economicamente

        1. Avatar de JL
          JL

          Eu dizia isso ? Onde ?

          Não parece ter razão nenhuma, você é que dizia que se amontoavam em cantos, portanto não tinha razão nenhuma, não é melhor ler o texto ?

    2. Avatar de Eu
      Eu

      Pois é tu preferes pagar combustível a 3eur o litro…

      1. Avatar de Zé Mario
        Zé Mario

        Descansa que o teu elétrico também vai aumentar de preço. Também usa petróleo.

          1. Avatar de utherzzao1
            utherzzao1

            Este ano.

          2. Avatar de Mário
            Mário

            Os plasticos não têm petroleo, as massas lubrificantes, as napas dos bancos, os circuitos eletronicos… por aí fora.

          3. Avatar de JL
            JL

            Então quanto vai aumentar ?

            Usa, mas eles não precisa de mais plásticos, eles já foram produzidos há mais de 10 anos atrás.

            Ainda comparam coisas que duram uma vida com algo que só dura uma vez ?

        1. Avatar de Toni da Adega
          Toni da Adega

          E ainda bem que sim. Petróleo é a energia do futuro

  3. Avatar de Zec
    Zec

    Atira-se tudo para o mar então. Não é assim que é suposto fazer? Ou se estivermos numa de excêntricos mandamos para o espaço.

  4. Avatar de Yamahia
    Yamahia

    Ninguém diria…Mais uns que descobriram a pólvora lol
    E nunca duram o tempo para q foram projectados pela perda gritante de eficiência, Aliás basta uma rabanada de vento para aquilo virar um monte de sucata a conspurcar lençóis freáticos e atmosfera fruto da libertação dos metais pesados que os compõem…chumbo,cádmio, etc
    https://www.dailypost.co.uk/news/north-wales-news/huge-storm-wrecked-solar-farm-30556529
    Á data deste artigo já muitos estão a conspurcar o planeta e eólicas tbm.

    1. Avatar de JL
      JL

      Chumbo ? Cadmio ? onde inventou isso ?

      Claro que estão, principalmente aqueles que já sabemos.

      Que volte o carvão. LOOOL

    2. Avatar de Max
      Max

      – Rabanada de vento – leia-se “tempestades”.
      – virar um monte de sucata a conspurcar lençóis freáticos e atmosfera – leia-se “Uma limpeza está em andamento”
      – libertação de metais pesados … chumbo, cádmio – leia-se, pode acontecer se os painéis não forem reciclados e forem para um aterro, o que não é o caso.
      Que é feito do assunto da vida selvagem destruída e das árvores cortadas que enchem tudo de poeira do Saara?
      Agora é os painéis vão ao chão com uma rabanada de vento e por lá ficam abandonados …

      1. Avatar de Yamahia
        Yamahia

        Na A1, a paisagem entre o Cartaxo e Santarém mudou. Agora, em vez de se verem árvores, temos vista para vidro e terra infértil. O ar inalado, em vez de puro e perfumado, é carregado de partículas PM2.5 e malcheiroso.

        1. Avatar de Max
          Max

          Qualquer dia oferecem ar puro e perfumado para por no depósito dos motores. Tens que mandar a tua frase para os anúncios do “hidrogénio verde” que parecem sempre uma brisa da natureza, captada diretamente das árvores.

        2. Avatar de Toni da Adega
          Toni da Adega

          Confirmo, já passei por muitos campos com espelhos e a poluição atmosférica é terrível, a continuar assim o pais vai estar coberto de SMOG

        3. Avatar de JL
          JL

          Isso deve ser do seu diesel quando lá passa.

          1. Avatar de Mário
            Mário

            E você deve estar triste por causa disto:
            https ://eco.sapo.pt/2026/09/14/lightsource-bp-desiste-de-central-solar-da-beira-por-falta-de-viabilidade-financeira/

            https ://eco.sapo.pt/especiais/megacentral-sophia-encolhe-mais-de-um-terco-para-caber-nas-exigencias-do-territorio-conheca-o-novo-desenho/

            Acho que devia ir lá abrir os olhos aquela gente… colocar paineis em terrenos e manchar assim a paisagem é que é bonito….
            Estou de férias por aqui e estão á sua espera para os evangelizar.

          2. Avatar de JL
            JL

            Eu não, e você está contente ?

            é que assim a demanda por combustíveis aumenta, logo você vai pagar mais, portanto você é que devia estar triste.

            Então mas espere lá, não era você que dizia que aprovavam centrais por tudo e por nada, agora já não é assim ?

            Em vez de ser infantil e meter-se a inventar sobre os outros só porque não vão à baila com o seu rebanho, devia era ver onde eu disse que apoiava instalação de painéis solares ?

            Quem anda a evangelizar é você, afinal o tema nem tem nada a ver com isso, apenas vem refutar o que você dizia que iam todos ficar em monte por ai.

          3. Avatar de Mário
            Mário

            Houve uma pressão muito grande da população e bem. Não é semear paineis e dar cabo da paisagem assim… quando passo ali na A1 junto a Rio Maior até tenho um orgasmo de ver tanto espelho.

          4. Avatar de Mário
            Mário

            Fala o sujeito que diz que as arvores não baixam a temperatura… mas plantar indiscriminadamente paineis já é bem feito…

          5. Avatar de JL
            JL

            Ui, e a pressão resulta em alguma coisa ? Também ha pressão da população para baixarem os combustíveis e não baixaram.

            Tanto espelho em Rio Maior ? Enfim, até usam todos os mesmos argumentos, e passou quantos KMS sem ver nada ?

            Fala ? É mais uma mentira sua certo ?

            Não era mais fácil dizer a verdade ?

        4. Avatar de VP
          VP

          Entre o Cartaxo e Santarém, até 1990 existiam árvores, depois colocaram alcatrão e nasceu a A1.

    3. Avatar de Toni da Adega
      Toni da Adega

      Eu também gostava de casas mas depois de ver temporais a derrubar casas e telhados digo sao coisas inúteis e é dinheiro jogado fora

      1. Avatar de Yamahia
        Yamahia

        Pelo que se viu, as casas não caíram com essas brisas.

        1. Avatar de Toni da Adega
          Toni da Adega

          Diz isso ao pessoal de Leiria, um amigo meu Gastou €€€ numa casa e agora vive em casa de familiares.

        2. Avatar de JL
          JL

          Se quiser posso enviar algumas fotos dos telhados aqui da zona, os meus painéis estão intactos.

          1. Avatar de Mário
            Mário

            Mas os seus são especiais de corrida, nunca nada lhe acontece. E quando acontece aos outros é mentira obviamente.

          2. Avatar de JL
            JL

            Desta vez não aconteceu.

            Enfim, parece que a criança continua a ser isso mesmo, criança.

    4. Avatar de Toni da Adega
      Toni da Adega

      Essa mesma rabanada de vento fez encerrar uma termoelectrica.

      https ://www.belfastlive.co.uk/news/northern-ireland/ballylumford-power-station-energy-production-30536683

  5. Avatar de José Carlos da Silva
    José Carlos da Silva

    A maioria dos painéis solares foi projetada para, ao fim de 20 a 30 anos, continuarem com capacidade de produção muito perto de 80 a 90%, dependendo da tecnologia utilizada. Isso é fim de vida?

  6. Avatar de Pedro
    Pedro

    Em Portugal é de fácil resolução. Aplica-se uma Taxa de Gestão de Resíduos obscena, passa a não poluir nada e já pode ir para aterro.