Ordem dos Médicos quer consultas presenciais para atestados de carta de condução
Proliferam os websites que oferecem atestados de aptidão para conduzir através de teleconsultas no próprio dia, por cerca de 25 euros. A facilidade do processo levanta sérias dúvidas sobre o rigor das avaliações e preocupa a Ordem dos Médicos.
Obter um atestado médico para a carta de condução nunca foi tão fácil, ou tão rápido.
Sem sair do sofá, com um telemóvel ou computador à mão, qualquer pessoa com morada em Portugal pode aceder a uma teleconsulta, falar com um médico por videochamada e receber o documento no próprio dia, por cerca de 25 euros.
O fenómeno foi noticiado pelo Jornal de Notícias (JN), que deu conta do rápido crescimento deste tipo de serviços online.
A Ordem dos Médicos já tinha considerado a situação suficientemente preocupante para emitir uma tomada de posição formal, através do Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas, alertando para as questões de adequação deontológica associadas à emissão online de atestados médicos sem a presença física do utente.
Como funciona o processo?
Por via de um modelo simples, os interessados precisam de ter o cartão de cidadão, título de residência ou registo de cidadão europeu, além de comprovar morada em Portugal através de uma certidão de domicílio fiscal.

A teleconsulta é definida como a prestação de serviços de saúde à distância, utilizando tecnologias de informação e comunicação para conectar pacientes e profissionais de saúde quando não estão no mesmo local geográfico.
No caso dos atestados para condução, a consulta realiza-se por videoconferência, em qualquer dispositivo, e o documento pode ser enviado diretamente para o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT) no final da sessão, sem que o utilizador precise de fazer mais nada.
Os atestados assim obtidos são válidos para a emissão da carta, renovação, averbamento ou troca do título estrangeiro pelo português, e são prestados por médicos certificados e inscritos na Ordem dos Médicos.
Ordem dos Médicos quer consultas presenciais
Apesar da conveniência evidente para os utilizadores, a classe médica não está tranquila com esta tendência.
Ao JN, o bastonário Carlos Cortes defendeu que os atestados de aptidão para conduzir devem ser obtidos através de consultas presenciais, garantindo uma avaliação médica correta e completa.

Carlos Cortes, bastonário da Ordem dos Médicos. Crédito: José Fernandes/Expresso
Em março, a Ordem dos Médicos já tinha sublinhado que a emissão de atestados médicos para obtenção ou renovação da carta de condução assume um papel central para a salvaguarda da segurança rodoviária de todos, pelo que implica uma responsabilidade relevante à qual deve corresponder a exigência e rigor relativamente às condições e meios utilizados para as conclusões clínicas.
De facto, a questão não é apenas deontológica, estando em causa a segurança de quem está nas estradas. Um atestado de aptidão para conduzir é, na prática, uma declaração de que determinada pessoa tem condições físicas e psicológicas para manobrar um veículo, e qualquer falha nessa avaliação pode ter consequências graves.
Para já, os serviços continuam a operar legalmente, prestados por médicos com inscrição válida na Ordem. Contudo, o debate está aberto, e é provável que a pressão regulatória aumente nos próximos tempos.
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Acho estranho falarem da teleconsulta, que até me parece razoável. Uma pessoa que conheço foi avaliada por teleconsulta aos 70 anos e pediram-lhe um exame da Wells à vista (é gratuito, caso precisem).
E não falam da escola de condução onde basta pagar e não veem a pessoa, nem ao menos por vídeo?
Exato e até digo mais, se fores a um privado (não querendo generalizar), mas geralmente quase todos passam a prescrição sem pestanejar!
Essa é a minha experiência pessoal. Só me perguntou se usava óculos, e estava feito.
Ui, é uma diferença ser pessoalmente..
Se quem presta o serviço quiser fazer um serviço da treta vai fazê-lo de forma remota ou pessoal – não importa
Sempre a chuchar dinheiro
« A facilidade do processo levanta sérias dúvidas»
E qual é as sérias duvidas se alguem recorrer a uma consulta no privado? Esta ordem dos médicos, é uma autentica galhofa. Até parece que os médicos do privado, se recusam a passar facilmente uma prescrição…
Ao fim ao cabo, o que estão literalmente a tentar fazer é alguém pagar 50€ em vez de 25€ para ter uma prescrição.
Eu diria o que levanta sérias dúvidas é como é feito o diagnóstico, mas isso nem eles querem falar.
Até há medicos que vão a escola de condução e passam prescrição em menos de 5 minutos, sem testes na maioria dos casos. Com algumas exceções como é óbvio.
No final do dia, o que conta é que vais pagar 50€ para ir a uma consulta presencial num privado do que pagar 25€ online, logo é mais inter€sse de uma coisa do que realmente dizem.
Boa sorte a negar um atestado de capacidade a ‘nómadas analógicos’ …
Aparecem logo 6 a fazer uma espera ao médico, à porta.
No ano passado a minha esposa foi a medica de familia fez a consulta
Depois foi so ir Revalidação da Carta de Condução online e pagar 27€ ja com o desconto
“Mais de 1,6 milhões de utentes não têm médico de família atribuído.”
E é bem possível que em tempo de espera para ser atendido se gaste mais do que os 25 €.
E tenho que saber falar português?
Na mouche
O mais engraçado é serem os médicos a queixarem-se dos médicos. Se são todos médicos e se são todos sérios (como a ordem diz sempre) então qualquer médico se achar por bem fazer consultas online, faz e se achar que a pessoa tem as qualidades necessárias para conduzir vendo só pelo ecrã, então não vejo problema. Ou será que o problema é outro e estejam alguns médicos a fazer comichão a alguns poderes instalados dentro da ordem? Não era esta ordem que tinha tabelas de preços mínimos para as consultas? Não fosse haver concorrência?