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Milhares de carros de 1996 podem tornar-se “clássicos” este ano. Mas há um pormenor que poucos conhecem

14 Comentários

Se comprou um carro em 1996, talvez não saiba que ele está prestes a ganhar um novo estatuto.

Imagem de um dos clássicos da Porsche.

Este ano, milhares de veículos matriculados nesse ano completam três décadas de existência, a idade mínima que a lei portuguesa exige para que um automóvel possa ser reconhecido como Veículo de Interesse Histórico. E os pedidos de certificação estão a disparar.

Clássicos: os 30 anos são só o primeiro passo

Segundo dados avançados pelo Jornal de Notícias e citados pelo Automóvel Club de Portugal (ACP), o número de pedidos de certificação tem vindo a aumentar significativamente, à medida que os carros dos anos 90 vão atingindo a “maioridade clássica”.

No entanto, há um mito que continua a circular entre os automobilistas portugueses: o de que basta um carro fazer 30 anos para passar automaticamente a ser considerado clássico e deixar de pagar impostos. Não é bem assim.

Luís Cunha, diretor do ACP Clássicos, tem vindo a alertar que…

Existe uma ideia errada de que qualquer veículo com mais de 30 anos beneficia automaticamente destas vantagens.

Na prática, a idade abre a porta, mas não garante nada por si só.

Imagem de um dos clássicos da Citroen.

O que é preciso para um carro ser oficialmente “histórico”?

De acordo com o Decreto-Lei n.º 144/2017, para um automóvel ser reconhecido como Veículo de Interesse Histórico tem de cumprir vários requisitos cumulativos:

  • Ter, pelo menos, 30 anos desde a data da primeira matrícula;
  • Corresponder a um modelo já descontinuado;
  • Não ter sofrido alterações significativas face ao estado original;
  • Apresentar um bom nível de conservação.

Mesmo cumprindo tudo isto, o carro só passa a ter estatuto legal de histórico depois de certificado por uma entidade reconhecida pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

Atualmente, há quatro entidades autorizadas para o efeito:

  • ACP Clássicos
  • Clube Português de Automóveis Antigos (CPAA)
  • Fundação Abel e João de Lacerda (Museu do Caramulo)
  • Museu do Automóvel de Vila Nova de Famalicão

Quais os benefícios de ter um carro certificado?

Depois de obtida a certificação, os proprietários passam a poder usufruir de várias vantagens:

  • Isenção da Inspeção Periódica Obrigatória (IPO), em vigor desde 2018;
  • Possibilidade de isenção do Imposto Único de Circulação (IUC);
  • Circulação permitida em Zonas de Emissões Reduzidas, mesmo quando outros carros antigos estão impedidos de entrar;
  • Estatuto reconhecido junto das seguradoras, útil em caso de sinistro ou litígio;
  • Acesso a seguros específicos para clássicos, normalmente mais baratos.

Atenção ao IUC: nem todos os “históricos” ficam isentos

É aqui que mora o principal engano. Ter 30 anos e estar certificado como histórico não é sinónimo automático de isenção de IUC.

Segundo o artigo 5.º do Código do Imposto Único de Circulação, só ficam isentos os veículos das categorias A, C, D e E, ou seja, um carro ligeiro de passageiros (categoria B) certificado como histórico pode continuar a pagar imposto normalmente.

Além disso, a lei impõe outro requisito muito específico: o veículo não pode percorrer mais de 500 quilómetros por ano. Quem ultrapassar este limite perde o direito à isenção, independentemente de todos os outros requisitos estarem cumpridos.

Um “boom” de carros dos anos 90 no mercado de usados

O interesse crescente por estes benefícios já se reflete no mercado. Nas plataformas de venda de usados, é cada vez mais comum encontrar carros dos anos 90 anunciados como “pré-clássicos”, muitas vezes com preços acima do que seria expectável para a idade e estado do veículo.

Vale, no entanto, um alerta: comprar um automóvel apenas a pensar em poupar no IUC pode não compensar, já que a certificação tem custos associados (entre 75 euros, consoante a entidade escolhida) e nem todos os processos resultam em isenção fiscal efetiva.

Se tem um carro de 1996 na garagem, ou está de olho num, talvez seja boa altura para verificar se ele já reúne condições para se tornar, oficialmente, uma peça de museu sobre rodas.

Comentários

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  1. Avatar de Ifm
    Ifm

    Tenho um Audi TT de 98 em perfeitaa condições… E basta ver o mercado de usados que o valor não aumenta a mais de 9 anos, há sempre umas pérolas no OLX que pensam que tem lá um pote de ouro.

    Mas a realidade é que não desvaloriza durante o tempo que o tenho, mas se add manutenções, etc não é um bom investimento nem lá perto….. Clássicos clássicos de valor há poucos só mesmo edições limitadas o resto é gente aproveitadora.

    Agora não logo ao mercado automóvel, mas a uns anos via no UK Mazdas MX5 com capota rígida por 700€ a venda e em Portugal só pela capota pediam 700€

  2. Avatar de Sérgio V.
    Sérgio V.

    Tenho um carro de 89. Pode ser clássico?

    1. Avatar de Grunho
      Grunho

      Qualquer carro pode tornar-se um clássico depois de ser um chaço. Desde que os marmanjos da ACAP autorizem, claro, que já disseram que não queriam aqui a “cubanização do parque automóvel“.

    2. Avatar de PoiZé
      PoiZé

      Clássico é… E se tiver um segundo carro poderá fazer um seguro de clássico nesse (normalmente muito mais barato e há seguradoras que não impõem limite no número de kms feitos por ano mas ‘não poderá’ ser carro de uso diário na mesma)
      Com interesse histórico, ou não, dependerá do carro/modelo em questão, da altura em que fizer o pedido da certificação e da entidade a quem o fizer.

      1. Avatar de JL
        JL

        Não é o seguro que impõe o limite de kms, é a própria certificação de clássico, e também a lei, já que obriga a que o carro não faça mais de 500 kms por ano.

  3. Avatar de rafael
    rafael

    Ou seja 500 km por ano serve apenas para sobrevalorizar o carro mesmo que não valha um chavo, fica na garagem a apodrecer. Maior parte dos clássicos em Portugal não são nada de especial (para dizer no mínimo) comparados com muitos outras países da Europa, estados unidos etc.

    1. Avatar de Rui
      Rui

      O parque automóvel de um país é o reflexo desse país! O que é que podia esperar do nosso parque automóvel clássico em comparação com os EUA, com a Alemanha, França, UK……

      Além disso não se esqueça que está a falar de países que sempre produziram e desenvolveram carros!!!!

      Tenho poucas dúvidas que as melhores máquinas clássicas estejam na Alemanha, basta lembrar que tem lá a Mercedes, BMW, Porsche, Audi, VW……….

      1. Avatar de Grunho
        Grunho

        São maravilhosos. A custar mais de 150 euros encher um depósito para 1000 kms, mais de 1000 uma revisão com pouco mais de muda de óleo e filtros, outros 1000 para um jogo de pneus. Enfim, um negócio da China made in Germany.

  4. Avatar de Simão
    Simão

    500km por ano é uma miséria.
    Para ficar na garagem a apodrecer mais vale andar na rua sem ter estatuto apesar de ser clássico

  5. Avatar de Alberto Grijó
    Alberto Grijó

    500 kms… ok… toca a bloquear o conta quilómetros 🙂
    depois auerio ver como descobrem que fiz mais ou menos

    1. Avatar de Miguel
      Miguel

      Realmente bem visto. É uma regra demasiado limitativa e que nem dá para manter o carro saudável, mas possível de aldrabar.

  6. Avatar de aubing
    aubing

    Falta dizer que um veículo para ser classificado como clássico, exige-se um outro veículo de utilização diária (é obrigatório), onde este paga todos os impostos a preço normal que tem de pagar. O que significa que os custos totais da aventura pelos clássicos (veículo de utilização diária + veículo clássico) ultrapassam os custos de quem opta apenas por um veículo de utilização diária (que já o possui, ou não…).
    Já deve haver muita gente a ser enganada por vendedores (sem escrúpulos) que lhes transmitem ideias erradas dos clássicos e depois ficam admirados que os custos totais (despesas no seu todo) ficam mais elevados do que se tivessem ficado quietos apenas com o veículo de utilização diária.

    1. Avatar de JL
      JL

      Onde é que inventou isso ?

    2. Avatar de PoiZé
      PoiZé

      “ultrapassam os custos de quem opta apenas por um veículo de utilização diária (que já o possui, ou não…)”
      Se não possui nenhum veículo é pouco provável andar a ver clássicos (e mesmo assim é perfeitamente possível ter clássicos sem ter veículo de utilização diária).
      Se possui um e não tem dinheiro para um segundo não se meta em confusões!
      Se a sua ideia era aldrabar o sistema comprando um carro velho para ser o seu veiculo diário dizendo que tem um clássico, estão poderá fazê-lo mas não será certificado nem terá acesso a seguro de clássico. (e nem interessa se é um carro de edição limitada ou um fiat punto: se vai circular todos os dias é igual)

      Mas mais importante: NÃO passe desinformação.

      Só tem de ter um segundo veículo se quiser fazer um seguro de clássico a um veiculo que tem a idade para ser clássico mas que não está certificado como tal.
      E o objectivo é precisamente não haver abusos e esse ser o carro diário da pessoa. Essa premissa, teoricamente, fica assegurada com a certificação e mesmo que não tenha mais nenhum veículo poderá ter um clássico certificado com seguro de clássico.