Meta aposta em tecnologia solar espacial capaz de gerar energia mesmo no escuro
A Meta assinou um acordo com a startup americana para receber até 1 GW de energia solar captada em órbita geossíncrona e transmitida para o solo sob a forma de luz infravermelha, para alimentar os seus centros de dados de forma contínua. Está prevista uma demonstração orbital em 2028 e uma entrega comercial, no mínimo, em 2030.

A IA generativa requer capacidades de cálculo gigantescas para funcionar, e o consumo de energia dos centros de dados nos Estados Unidos deverá praticamente triplicar entre 2023 e 2030.
Em 2024, os centros de dados da Meta, por si só, absorveram mais de 18.000 gigawatts-hora de eletricidade, o equivalente ao consumo anual de 1,7 milhões de lares americanos, segundo o comunicado oficial do grupo.
As centrais solares param ao pôr do sol, e o grupo tem, até agora, multiplicado acordos para compensar: nuclear com TerraPower, Vistra e Oklo para 6,6 GW até 2035, geotermia, eólica. O acordo assinado com a Overview Energy, fundada em 2022 em Ashburn, na Virgínia, permitirá captar energia solar em órbita geossíncrona, onde o sol brilha permanentemente.
Meta explora uma tecnologia solar capaz de funcionar no escuro pic.twitter.com/RAWGYg2Eqv
— Pplware (@pplware) April 28, 2026
Satélites que recarregam painéis já instalados
Os satélites da Overview Energy recolhem continuamente energia solar em órbita geossíncrona e retransmitem-na para centrais solares no solo sob a forma de luz no infravermelho próximo, invisível e com uma intensidade inferior à da luz solar direta, considerada segura para humanos, animais e aeronaves.
Os painéis no solo convertem este feixe exatamente como tratam a luz solar normal. As centrais inativas durante a noite passam assim a produzir eletricidade de forma contínua, maximizando o seu rendimento sem exigir nova infraestrutura de rede.
Cerca de 12 gigawatts de capacidade de centros de dados são esperados nos Estados Unidos em 2026, mas apenas um terço está em construção ativa, nomeadamente devido a uma escassez de equipamentos elétricos e a uma procura de ligação à rede que literalmente explodiu em poucos anos.

As centrais solares já ligadas à rede não precisam de qualquer novo processo de ligação para receber energia orbital: recebem um feixe de luz e produzem corrente, como em pleno dia.
Marc Berte, CEO da Overview Energy, vê nesta flexibilidade uma vantagem estratégica fundamental, pois o sistema poderá, a prazo, cobrir um terço do planeta, desde a costa oeste americana até à Europa Ocidental.
O que é a órbita geossíncrona: A cerca de 35.786 km de altitude, um satélite acompanha a rotação da Terra. Visto do solo, fica “parado” sobre o mesmo ponto. Nessa posição, recebe luz solar quase contínua ao longo do ano, com eclipses curtos apenas em períodos específicos.
Como a energia é captada: Os satélites usam células fotovoltaicas de alta eficiência (multi-junção), melhores do que as usadas em telhados. No espaço não há nuvens, poeiras nem atmosfera a dispersar a luz, o que aumenta o rendimento. A energia elétrica gerada é contínua e previsível.
Como funciona à noite: As centrais solares terrestres deixam de produzir após o pôr do sol. Com energia enviada do espaço, esses mesmos parques podem continuar a gerar eletricidade à noite, como se fosse dia, sem novas ligações à rede.
Meta assina contrato sem precedentes, medido numa unidade que não existia
A Overview Energy introduziu uma nova unidade de medida, o “megawatt-fóton”, para descrever a potência luminosa necessária à produção de um megawatt de eletricidade.
Um contrato tradicional de compra de energia refere-se a quilowatt-hora entregues numa data específica. Aqui, a Meta reserva capacidade junto de uma startup cujo primeiro satélite ainda não foi lançado, sem garantia de entrega nem condições financeiras divulgadas, segundo o comunicado oficial.
Mas, independentemente destas incógnitas, Marc Berte defende a ideia de colocar a fonte de energia no espaço em vez dos próprios centros de cálculo, mesmo ocupando uma posição minoritária face aos projetos de centros de dados orbitais promovidos pela Blue Origin ou por startups como a Starcloud.

O megawatt-fóton é uma unidade conceptual criada para descrever energia transmitida sob a forma de luz. Em termos simples, refere-se à quantidade de potência luminosa necessária para gerar 1 megawatt de eletricidade quando esse feixe é convertido no solo. Ou seja, em vez de medir apenas a eletricidade produzida (como no quilowatt-hora), mede-se primeiro a “energia em forma de luz” enviada do espaço. Não é uma unidade padrão da física, mas sim uma forma prática de quantificar sistemas de transmissão energética por feixes luminosos, como no caso da energia solar captada em órbita e enviada para a Terra.
Para a Overview, enviar apenas a fonte de energia para a órbita é suficiente, sem deslocar os servidores. A primeira demonstração por satélite está prevista para janeiro de 2028, e a entrega comercial à rede americana é esperada a partir de 2030, no mínimo.
A Meta assinou ainda com a Noon Energy um acordo para até 1 GW / 100 GWh de armazenamento de muito longa duração, graças a pilhas de combustível de óxido sólido capazes de durar mais de 100 horas, contra algumas horas das baterias de iões de lítio.
Um primeiro piloto de 25 MW / 2,5 GWh deverá também ser demonstrado em 2028. Tanto a Overview Energy como a Noon Energy têm as suas primeiras demonstrações previstas para 2028, e a Meta aposta na sua maturidade comercial antes de 2030.


















Isto é demasiado perigosos para a Raça Humana.
Tanta quantidade de radiação, é um perigo para a humanidade, temos a capada de ozono, por algum motivo.
Depois qualquer vazamento minimo, com o efeito de estufa cozinha-nos a todos.
Dasse, com tanto criminoso á solta, estamos fdx.
Faz lembrar o Solar Roadways. Boa sorte Meta, se querem queimar dinheiro podia distribuir pelo povo.
Sinceramente, não consigo compreender como geram dinheiro do nada com projetos que não levam a lado nenhum.