Depois da Volkswagen, também a Mercedes-Benz avisou que poderá encerrar uma unidade de montagem e outra de sistemas de propulsão na Alemanha, caso não consiga chegar a um entendimento com o sindicato IG Metall sobre medidas de contenção de custos.

Depois dos planos de reestruturação do Grupo Volkswagen, é agora a vez de a Mercedes-Benz surgir associada à possibilidade de encerrar fábricas no seu país de origem. De acordo com o responsável de produção, Michael Schiebe, estão duas unidades em risco, num contexto em que a Mercedes-Benz precisará de acordar novas medidas de redução de custos com o IG Metall, o sindicato que representa muitos dos trabalhadores da fabricante.
Esta situação surge na sequência de uma queda recente das vendas da Mercedes-Benz na China, um mercado que já foi muito lucrativo para as marcas alemãs, e pelo impacto das tarifas norte-americanas, que em 2025 custaram à fabricante cerca de 1,1 mil milhões de dólares norte-americanos.
A posição da Mercedes-Benz e a reação dos trabalhadores
Segundo a Reuters, na fábrica de Sindelfingen, Schiebe afirmou que o objetivo é manter todos os locais de produção na Alemanha, mas que, se tal não for possível, será necessário encerrar uma unidade de montagem e uma de propulsão.
Num comunicado enviado ao mesmo órgão de comunicação, a marca acrescentou que precisa de “condições-quadro que aumentem a produtividade na Alemanha”. Atualmente, a Mercedes-Benz tem três fábricas de montagem e sete de propulsão no país, e não indicou quais poderão ser afetadas.
A reação dos representantes dos trabalhadores foi de rejeição, com os representantes dos trabalhadores a alertar que a ameaça de encerramentos não é forma de moldar o futuro, e a avisar que quem recorrer a elas deve esperar “resistência determinada”.

O caso da Volkswagen
A situação surge pouco depois de o conselho de supervisão do Grupo Volkswagen ter aprovado por unanimidade, a 3 de setembro, o plano “Future Plan 2030”, que visa um lucro operacional de 31 mil milhões de euros e uma margem de 9% até 2030.
Para lá chegar, o grupo pretende reduzir a gama em cerca de 50% e a complexidade da oferta em 75% até 2035, e prevê cerca de 50 mil cortes de postos de trabalho adicionais, incluindo cargos de gestão, que se somam a cerca de 50 mil já acordados, embora, segundo a imprensa do setor, os despedimentos compulsivos continuem excluídos até 2030.
Quatro fábricas alemãs (Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm) não têm produção futura assegurada a partir de 2031, embora nenhum encerramento tenha sido decidido. Conforme informámos, a Seat poderá ser descontinuada até 2029 em favor da Cupra, mais rentável, algo que a Volkswagen não confirmou oficialmente e que a própria Seat diz não estar decidido.
Entretanto, a Porsche concluiu a venda das suas participações na Bugatti Rimac, por cerca de mil milhões de euros, e a Audi vendeu a maioria da Italdesign, empresa de design e engenharia de que o grupo tinha adquirido 90% em 2010.


















