Portugal voltou a assumir um papel de destaque na experimentação das tecnologias que estão a transformar o campo de batalha. O país recebeu a 16.ª edição do REPMUS – Robotic Experimentation and Prototyping with Maritime Unmanned Systems, considerado o maior exercício mundial dedicado à experimentação de sistemas robóticos e veículos não tripulados.

Realizado sobretudo na zona de Tróia, o exercício reuniu mais de 1500 participantes, 36 marinhas, mais de 60 empresas, 13 universidades e cinco entidades da NATO. Foram testados mais de 300 sistemas não tripulados, apoiados por 14 navios.
Drones no ar, no mar e debaixo de água
O REPMUS distingue-se de um exercício militar tradicional. Em vez de apenas treinar capacidades e procedimentos já existentes, o objetivo passa por experimentar tecnologias, protótipos, algoritmos e novas formas de operação.
Durante o exercício são testados sistemas aéreos, marítimos e submarinos, permitindo avaliar como diferentes veículos autónomos podem trabalhar em conjunto e comunicar com plataformas tripuladas.
A Inteligência Artificial assume também um papel cada vez mais importante, nomeadamente na autonomia dos sistemas, na análise de informação e na coordenação entre diferentes veículos.
Segundo a Marinha Portuguesa, o REPMUS cria um ambiente controlado onde é possível testar tecnologias ainda em desenvolvimento, identificar limitações e melhorar as soluções antes de estas serem utilizadas em operações reais.

NATO está a olhar cada vez mais para os drones
A importância deste tipo de exercícios aumentou significativamente nos últimos anos. A utilização de drones nos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente mostrou como sistemas relativamente baratos podem desempenhar funções de reconhecimento, vigilância, ataque e guerra eletrónica.
A própria NATO considera os drones uma das ameaças tecnológicas que mais rapidamente estão a evoluir.
Em paralelo com os exercícios realizados em Portugal, a Aliança tem desenvolvido iniciativas específicas para testar sistemas de deteção e neutralização de drones. Em maio de 2026, por exemplo, cerca de 300 participantes e 40 empresas estiveram envolvidos no Technical Interoperability Exercise (TIE26), nos Países Baixos, onde foram avaliados mais de 60 sistemas e 40 aplicações de software para operações contra drones.

Portugal tornou-se um laboratório para a guerra do futuro
A realização do REPMUS em Portugal não é uma novidade. O exercício tem vindo a crescer ao longo dos anos e já ultrapassou largamente a dimensão de uma iniciativa exclusivamente nacional.
Em 2023, o REPMUS envolveu mais de 1400 participantes de mais de 25 países e foi igualmente considerado o maior exercício mundial dedicado à experimentação robótica e de veículos não tripulados.
Em 2024, o número de participantes ultrapassou os 2000, com militares, indústria e academia a trabalharem em conjunto no desenvolvimento de novas capacidades.
A edição de 2026 mostra agora uma nova escala: mais países, mais empresas e, sobretudo, uma quantidade muito maior de sistemas a serem colocados à prova.
O objetivo é preparar uma realidade militar em que drones, navios autónomos, veículos terrestres não tripulados, inteligência artificial e plataformas tradicionais terão de funcionar em conjunto.
E Portugal está no centro dessa experimentação.


















