Quantcast

Maior avião 100% elétrico do mundo já voou e gastou apenas 4 euros em energia

19 Comentários

A aviação elétrica acaba de alcançar um marco importante. O Heart X1, considerado o maior avião 100% elétrico alguma vez colocado no ar, completou com sucesso o seu primeiro voo experimental. Durante 27 minutos, esta aeronave com mais de 11 toneladas mostrou que as baterias também podem levar aviões de grandes dimensões aos céus.

Imagem do Heart X1, o maior avião 100% elétrico do mundo

A eletrificação está a transformar os automóveis, os barcos e até alguns veículos industriais. Contudo, quando falamos de aviação, o peso das baterias continua a ser um dos maiores obstáculos.

A Heart Aerospace acredita que esse problema pode ser ultrapassado. A empresa colocou agora no ar o X1, um demonstrador tecnológico criado para testar os sistemas que deverão equipar uma nova geração de aviões regionais.

Heart X1 voou durante 27 minutos

O primeiro voo foi realizado a partir do Aeroporto Internacional de Plattsburgh, no estado norte-americano de Nova Iorque. Aos comandos seguia apenas um piloto de testes.

Durante aproximadamente 27 minutos, o avião permaneceu dentro de um envelope de voo bastante controlado, atingindo cerca de 335 metros de altitude. O objetivo desta primeira missão não era testar limites de velocidade ou autonomia, mas confirmar o funcionamento conjunto da estrutura, dos comandos de voo e do sistema de propulsão elétrica.

Imagem do Heart X1, o maior avião 100% elétrico do mundo

Segundo os dados divulgados, os quatro motores forneceram mais de 1 MW de potência durante a operação. Apesar disso, a eletricidade consumida no voo terá custado apenas cerca de cinco dólares (cerca de 4 euros).

Naturalmente, este valor não inclui todos os restantes custos de operação, manutenção, infraestrutura ou desenvolvimento. Ainda assim, ajuda a perceber uma das potenciais vantagens económicas da propulsão elétrica em ligações regionais.

É um avião elétrico verdadeiramente grande

O Heart X1 está bastante longe dos pequenos aviões experimentais elétricos que temos visto nos últimos anos. A aeronave apresenta uma envergadura de aproximadamente 32 metros, mede cerca de 23 metros de comprimento e pode ultrapassar as 11,3 toneladas de peso à descolagem.

Estas dimensões permitiram-lhe conquistar o estatuto de maior avião alimentado exclusivamente por baterias a completar um voo tripulado.

O X1 foi desenhado de raiz em torno da propulsão elétrica. A sua construção permitiu à Heart Aerospace testar não apenas os motores, mas também as baterias, eletrónica de potência, controlos de voo, aviónica e processos de certificação necessários para colocar uma aeronave deste género em operação.

Antes de levantar voo, o demonstrador passou por testes estruturais, ensaios de propulsão e várias sessões de circulação em pista. Em julho de 2026, recebeu da autoridade norte-americana FAA um certificado especial de aeronavegabilidade para iniciar o programa de voos experimentais.

X1 não será o avião que transportará passageiros

Apesar das suas dimensões, o Heart X1 não é um modelo comercial e não deverá transportar passageiros. Trata-se de um laboratório voador construído para apoiar o desenvolvimento do ES-30.

Este será o verdadeiro produto comercial da Heart Aerospace: um avião regional híbrido-elétrico preparado para transportar até 30 passageiros.

A empresa aponta para uma autonomia de aproximadamente 200 quilómetros em modo exclusivamente elétrico. Com o sistema híbrido em funcionamento, a distância poderá chegar aos 800 quilómetros. O tempo de carregamento previsto é de cerca de 30 minutos.

A utilização de um sistema híbrido revela também os atuais limites das baterias. A densidade energética ainda está muito abaixo da oferecida pelo combustível de aviação, dificultando a realização de voos longos sem sacrificar passageiros, carga ou autonomia de segurança.

Por isso, a Heart não pretende eliminar imediatamente o combustível em todas as operações. A estratégia passa por realizar trajetos curtos apenas com eletricidade e recorrer ao sistema híbrido em rotas mais longas ou quando for necessária uma reserva adicional.

 

Aviação elétrica deu um passo importante, mas ainda há caminho pela frente

Um primeiro voo bem-sucedido não significa que estes aviões estejam prestes a chegar aos aeroportos. O programa terá agora de avançar gradualmente para altitudes, velocidades e condições operacionais mais exigentes.

A Heart Aerospace terá ainda de demonstrar a fiabilidade das baterias, a gestão térmica, a segurança dos sistemas elétricos e o comportamento da aeronave perante diferentes tipos de falha. Só depois poderá aproximar o ES-30 de uma certificação comercial, atualmente prevista para 2031.

Ainda assim, o voo do X1 mostra que a propulsão elétrica já não está limitada a pequenos protótipos. Colocar no ar uma aeronave desta escala, utilizando apenas energia armazenada em baterias, representa uma validação importante da tecnologia.

O futuro da aviação comercial poderá não ser totalmente elétrico já amanhã. Porém, em ligações regionais curtas, silenciosas e com menores custos energéticos, esse futuro começa agora a parecer bastante mais próximo.

Comentários

19

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Zec
    Zec

    Vamos lá com isto a ver se baixam o preço das viagens (claro que não vão porque o povo paga na mesma qualquer valor mas vamos ver)

    1. Avatar de Max
      Max

      Referes-te a viagens na Europa? Há bilhetes de avião mais baratos que os de autocarro.
      A autonomia deste só dá para pequenos voos.
      Por via aérea entre Lisboa e Paris são 1.450 km, 8 paragens para carregar bateria para ter alguma para imprevistos – e era preciso que houvesse aeroportos com carregadores às distâncias certas.
      Em voos low-cost é possível arranjar bilhetes de ida e volta de entre os 50 € e 150 €.
      Se, por milagre, os deste avião fossem mais baratos e houvesse ainfraestrutura, justificavam a chatice?

      1. Avatar de Grunho
        Grunho

        Bilhetes de avião a pataco já passou à história. O transporte aéreo tal como o conhecemos tem os dias contados. Depende do petróleo abundante e barato e isso acabou no estreito de Ormuz. A bateria, com 5 dólares de carga só em sítios onde a electricidade é ao preço da chuva e para distâncias da Portela a Tires.

        1. Avatar de Toni da Adega
          Toni da Adega

          Conversa da treta, sai mais barato atravessar a Europa de aviao que ir de carro a Lisboa

  2. Avatar de Miguel Moura
    Miguel Moura

    Ainda em conceito, o futuro das baterias poderá vir a ser Lítio-Ar. As atuais NMC têm no máximo 300 kWh de densidade, as de litio-ar poderão ter 13000 kWh.

    1. Avatar de Fidalgo
      Fidalgo

      Errado nabo. Sodio tem mais densidade que litio

      1. Avatar de Zé Carlos
        Zé Carlos

        Fidalgo, essa do sódio ser mais denso que o lítio é baseado em que essa tua afirmação? Põe lá aqui as fontes que provém o que dizes. Só mesmo um gajo nabo como tu faz uma statemen idiota e sem fundamento.

        1. Avatar de Max
          Max

          Hoje em dia só é ignorante quem quer, não vale a pena acusações mútuas.
          P: Qual é a densidade do sódio e do lítio?
          R (Gemini): Lítio 0,534 g/cm3, Sódio 0,968 g/L
          P: Uma bateria de sódio pesa mais e tem mais volume que uma de lítio com a mesma capacidade?
          R: Gemini: “Sim, exatamente. Uma bateria de íons de sódio para a mesma capacidade de armazenamento de energia pesa mais e ocupa mais espaço do que uma bateria de íons de lítio. “[Explicação técnica, com massa, tamanho atómico e densidade energética gravimétrica]
          “Principais aplicações de cada tecnologia:
          • Baterias de Lítio: Ideais para telemóveis, notebooks e carros elétricos de larga autonomia, onde baixo peso e menor volume são prioridade absoluta.
          • Baterias de Sódio: Excelente opção para armazenamento estacionário de energia (redes elétricas, centrais solares/eólicas) ou veículos elétricos urbanos de baixo custo, onde o peso extra não é um problema grave e o menor custo do sódio compensa.”
          Como nos aviões o peso e o volume da bateria conta muito, hão de ser preferíveis as de iões de lítio, deixando as de sódio para outros fins apropriados.

      2. Avatar de JL
        JL

        Pode vir a ter,difícilmente, neste momento não tem.

  3. Avatar de Yamahia
    Yamahia

    Um planador gasta menos e voa mais tempo.

    1. Avatar de JL
      JL

      Exato, e os pombos puxam-o lá para cima.

  4. Avatar de Pedro António
    Pedro António

    Com tantos sábios aqui em baterias e estas estão tão atrasadas no desenvolvimento!

  5. Avatar de utherzzao1
    utherzzao1

    A energia da bateria foi à borla! *roll eyes*

    1. Avatar de JL
      JL

      Não é melhor ler o artigo ?

  6. Avatar de Vasco
    Vasco

    Querosene é um combustível muito mais barato que a gasolina comum…
    E não acredito que os aviões carreguem 11 toneladas de combustível

    1. Avatar de JL
      JL

      Nenhum avião carrega o seu peso em combustível, senão tinha de ser feito de esferovite.

      Um A380 leva 270 toneladas de combustível

  7. Avatar de Hugo Nabais
    Hugo Nabais

    O avião gastou muitos mais KWs do que foi incluido nas contas apresentadas.
    E o preço do KW usado para chegar ao valor da energia gasta, foi feito assumindo um carregamento a baixa potência.
    Para super carregamento rápido, que será necessário para este avião, o preço do kw entregue num aeroporto é muito superior!

    1. Avatar de JL
      JL

      Superior não, inferior, nos EUA a energia para comercio e indústria é mais barata.

    2. Avatar de PeterJust
      PeterJust

      FALSO! Ainda ontem estive no aeroporto a carregar o portátil, telemovel, maquina fotográfica, powerbanks, auscultadores, cigaarro eletronico, drone grande, drone pequeno, carro telecomandado, comandos, oculos VR, maquina de café, escova dos dentes, vagina electrónica, vibrador (a mulher também precisa) e paguei zero!