“Limitem ou limitamos nós”: depois dos elétricos, Europa trava os híbridos chineses
A União Europeia (UE) pediu à China para restringir voluntariamente as exportações de carros híbridos para o mercado europeu, por forma a travar uma escalada comercial entre os dois blocos.
Segundo avançado pelo Financial Times, Bruxelas quer que Pequim limite as vendas de veículos híbridos chineses a cerca de 15% do mercado europeu. A informação, avançada esta quinta-feira, cita fontes próximas do processo.
Sustentando um tema que já vem de há algumas semanas, um responsável europeu citado pelo jornal britânico avisou que, caso a China não aceite limitar as exportações por iniciativa própria, a UE fá-lo-á através de medidas próprias.
Isto é sobre travar a desindustrialização. Temos de agir. É sobre comércio gerido.
O pedido da UE não se fica pelos híbridos, pois, de acordo com a mesma fonte, também foi pedido à China que limite as exportações de outros produtos, nomeadamente químicos, ao mesmo tempo que pressiona Pequim para aumentar as compras de bens europeus.
A ideia é equilibrar uma balança comercial cada vez mais desfavorável à Europa.
Um défice que já ultrapassou os 360 mil milhões de euros
Esta pressão surge na sequência de um défice comercial da UE com a China, que atingiu 360,6 mil milhões de euros no último ano e cresceu 9% apenas no primeiro semestre deste ano.
Em discurso no Parlamento Europeu, a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen afirmou que a UE vai usar todas as ferramentas disponíveis para reduzir aquilo que classificou como um défice “insustentável”, sublinhando que a Europa já enfrenta um segundo “choque chinês”, desta vez através da desindustrialização.
A pressão surge também associada à diferença de tarifas em vigor: desde 2024, a UE aplica tarifas de até 45% aos veículos elétricos a bateria vindos da China, enquanto os híbridos enfrentam apenas uma taxa fixa de 10%.
Esta discrepância terá contribuído para um aumento acentuado das importações de híbridos chineses, tornando-os uma espécie de porta alternativa de entrada no mercado europeu.
Recorde-se que, em dezembro de 2024, informámos que a China tinha encontrado a solução para combater as taxas sobre os seus elétricos na Europa: os carros híbridos.

UE quer resolver lacuna até outubro
Neste contexto, o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, que está à frente das conversações com a China para tentar resolver esta lacuna, já afirmou querer resultados concretos até outubro.
Entretanto, está previsto deslocar-se a Pequim no início do próximo mês, depois de um contacto por videoconferência com o ministro chinês do Comércio, Wang Wentao.
Do lado chinês, o Ministério do Comércio, juntamente com outras duas entidades reguladoras, emitiu a 1 de setembro diretrizes gerais de conformidade para a concorrência das empresas automóveis chinesas no estrangeiro, incluindo regras sobre políticas de preços, práticas laborais e segurança de dados.




















