Huawei investe 10 mil milhões de dólares na condução inteligente
A Huawei anunciou um investimento massivo no setor da condução inteligente, comprometendo mais de 10 mil milhões de dólares ao longo dos próximos cinco anos para reforçar a capacidade computacional dedicada ao treino de sistemas de Inteligência Artificial (IA).
Um investimento histórico em I&D
Conforme avançado pela Reuters, só este ano, a Huawei prevê investir 18 mil milhões de yuans (cerca de 2,2 mil milhões de euros) a nível global em investigação e desenvolvimento (I&D) na área da condução inteligente.
Desse total, 10 mil milhões de yuans (cerca de 1,25 mil milhões de euros) serão canalizados exclusivamente para o reforço da capacidade computacional: o motor que alimenta os sistemas de condução autónoma e assistida que a empresa tem vindo a desenvolver.
Estes números revelam a dimensão da aposta da Huawei num setor onde a competição se reforça a cada dia, e onde a empresa já conquistou uma posição de destaque.

Terminava o mês de março quando a China recebeu o novo bZ7, um sedã elétrico de grande dimensão assinado pela GAC-Toyota. Disponível em cinco versões e com tecnologias da Huawei e da Xiaomi integradas, o bZ7 recebeu mais de 3100 encomendas na primeira hora após o lançamento.
Tecnologia da Huawei representada no salão automóvel
Na Automotive Technology Conference da Huawei, em Pequim, foram apresentados 38 modelos de veículos equipados com as tecnologias de condução inteligente e cockpit inteligente da marca.
Entre eles, destacam-se quatro modelos da Audi e o BZ7 da Toyota, desenvolvido em parceria com a Guangzhou Automobile, uma prova clara de que a colaboração entre a gigante tecnológica chinesa e a indústria automóvel tradicional está a ganhar uma nova dimensão.
A Huawei aproveitou, também, o evento para apresentar o Qiankun ADS, o seu mais recente sistema avançado de assistência à condução.

A estreia comercial do sistema acontecerá no SUV de seis lugares X9, sob a marca Epicland, desenvolvido pela Huawei em parceria com a Dongfeng Motor. O modelo foi apresentado no palco da Automotive Technology Conference da Huawei, em Pequim, na China, no dia 23 de abril de 2026. Crédito: Florence Lo/Reuters
Recorde o Aito, o pontapé de saída da Huawei neste mercado
O sucesso da Huawei no setor automóvel tem raízes no relançamento da Seres, em 2021, com a criação da marca Aito.
Desde então, a trajetória tem sido de crescimento acelerado: a Aito ultrapassou marcas premium alemãs como a BMW, a Mercedes-Benz e a Audi no segmento de veículos com preço superior a 500.000 yuans (cerca de 63.000 euros), tanto em 2024 como em 2025, de acordo com dados da consultora ThinkerCar, sediada em Xangai.
Cada vez mais proprietários de automóveis chineses estão a substituir os seus veículos premium alemães por marcas nacionais como a Aito, a Zeekr e a Li Auto.
Disse Yale Zhang, diretor-geral da Automotive Foresight, afirmando que, "agora, as marcas chinesas são vendidas a preços ainda mais elevados, dissipando a perceção de que apenas servem quem procura pechinchas".

Em 2024, a Huawei vendeu a marca registada da fabricante de veículos elétricos Aito à sua parceira chinesa Seres.
Huawei está prontíssima para o sucesso
Apesar de as vendas automóveis representarem ainda uma fatia relativamente pequena do portfólio da Huawei, a par das telecomunicações, dos smartphones e da computação em nuvem, é precisamente este segmento que regista o crescimento mais expressivo.
Segundo a Reuters, em 2025, as receitas ligadas ao setor automóvel cresceram 72%, atingindo os 45 mil milhões de yuans (ceca de 5,6 mil milhões de euros).
Este desempenho contribuiu para um crescimento global das receitas da empresa de 2,2%, num resultado que consolida a posição da Huawei como um dos players mais relevantes da nova era da mobilidade automóvel inteligente.
Plano da Huawei para o futuro automóvel
Por detrás desta ambição da Huawei está um plano tecnológico de longo prazo denominado Intelligent Automotive Solution 2030, no qual a Huawei traça a sua visão para o automóvel do futuro.
A empresa não pretende fabricar carros, mas ser a fornecedora da inteligência que os vai equipar, desde os sistemas de condução autónoma até aos cockpits digitais, passando pela conectividade 5G e pela computação em nuvem.
O objetivo é levar Tecnologias de Informação e Comunicação (em inglês, ICT) a todos os veículos, transformando o carro num verdadeiro espaço inteligente integrado no quotidiano dos utilizadores.
Do ponto de vista técnico, a Huawei estima que cada veículo precisará de mais de 5000 TOPS de capacidade computacional até 2030 para suportar funções como a condução autónoma de nível 3, a realidade aumentada e os serviços personalizados em tempo real.
Para isso, a empresa aposta na convergência entre 5G, IA e plataformas digitais de nova geração, uma infraestrutura que, segundo o plano, estará na base de todos os veículos inteligentes da próxima década.
A transformação vai além da tecnologia. O relatório da Huawei prevê que o modelo de negócio da indústria automóvel mude radicalmente: em vez de lucrar apenas na venda do veículo, as fabricantes passarão a gerar receita de forma contínua através de atualizações remotas, subscrições e serviços digitais.
É precisamente neste novo ecossistema que a Huawei quer ocupar um lugar central.
Imagem: Reuters
Neste artigo: Huawei





















Amigos chineses, invistam noutras coisas. Prefiro conduzir com a minha inteligência de borla.
Como assim?
Pelas minhas mãos e sem sistemas de IA.
Velhos do Restelo!
Estes também vivem na utopia ?