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Governo está a usar dados financeiros dos cidadãos para decidir quem é parado no trânsito

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A Border Patrol dos Estados Unidos da América (EUA) está a cruzar dados financeiros com outras bases de dados para identificar automobilistas suspeitos. Depois, arranja outro motivo para justificar a paragem policial.

Uma investigação da publicação independente 404 Media revelou a existência de unidades pouco conhecidas dentro da Border Patrol, denominadas Predictive Intelligence Targeting Teams (PITT).

Estas equipas analisam informação sensível sobre cidadãos norte-americanos, incluindo padrões de atividade financeira, e partilham os resultados com as polícias locais.

Desta forma, uma pessoa pode ser sinalizada como potencialmente suspeita mesmo sem existir qualquer crime concreto associado a ela, apenas com base em padrões identificados nos seus movimentos financeiros.

O caso que expôs o sistema

O exemplo mais concreto envolve Kyle Olson, parado pela polícia do Montana, em maio. Um analista da Border Patrol tinha identificado, através de bases de dados reservadas às forças de segurança, aquilo que descreveu como padrões financeiros “comummente associados a atividade de narcóticos”, e reviu ainda o historial de detenções anteriores de Olson.

Essa informação foi enviada a um sargento da polícia estadual, que efetuou a paragem. Contudo, o motivo oficial apontado foi uma matrícula obstruída, não a análise financeira.

A paragem acabou por resultar em acusações de condução sob efeito de substância, após um teste ao sangue, e posse de marijuana com intenção de distribuição.

Crédito: Saul Loeb/AFP/Getty Images, via propublica.org

“Construção paralela”: esconder a verdadeira origem da suspeita

Esta técnica tem um nome na gíria policial, parallel construction (em português, construção paralela), e consiste em usar informação obtida através de fontes sensíveis ou secretas para iniciar uma investigação, e depois construir um rasto alternativo que faz parecer que a descoberta resultou de trabalho policial normal, escondendo a verdadeira origem da suspeita.

Especialistas ouvidos pela 404 Media, incluindo responsáveis do Institute for Justice e do Center for Democracy & Technology, alertam que este tipo de prática permite gerar motivos de paragem que, na realidade, não cumpririam os critérios legais de suspeita razoável.

A privacidade financeira está protegida por lei?

Juridicamente, a base que sustenta este tipo de vigilância é a chamada third-party doctrine, consolidada pelo Supremo Tribunal dos EUA em decisões dos anos 1970.

Esta doutrina estabelece que quem partilha voluntariamente informação com terceiros, como um banco, tem uma expectativa de privacidade reduzida sobre esses dados.

Na vida moderna, contudo, praticamente toda a atividade financeira passa por intermediários: bancos, processadores de pagamento e até retalhistas.

Hoje em dia, esse historial revela muito mais do que dinheiro, mostrando onde vamos, o que compramos e com quem nos relacionamos.

Crédito: Jamie Kelter Davis para o The New York Times

Isto seria possível em Portugal?

O caso PITT mostra como a fronteira entre vigilância financeira, policiamento preditivo e falta de transparência se tem vindo a esbater nos EUA.

Combinando dados que os cidadãos nem sabem estar a ser analisados com motivos de paragem convenientes, cria-se um sistema onde é praticamente impossível contestar a verdadeira razão por detrás de uma interação com a polícia.

Além disso, onde a privacidade financeira, já de si frágil do ponto de vista legal, fica ainda mais exposta.

Em Portugal, um cenário assim esbarraria, pelo menos em teoria, numa barreira que os EUA não têm: o artigo 35.º da Constituição proíbe a atribuição de um número nacional único aos cidadãos, uma proteção criada como resposta à vigilância exercida pela PIDE/DGS durante o Estado Novo.

Sem um identificador comum a todas as bases de dados, é mais difícil cruzar automaticamente informação bancária, registos criminais e outras fontes, como aconteceu no caso norte-americano.

A isto soma-se o n.º 4 do mesmo artigo, que proíbe o acesso a dados pessoais de terceiros salvo casos excecionais previstos na lei.

 

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  1. Avatar de Pedro
    Pedro

    Se serviu para identificar um narcotraficante, cumpriu o objetivo. O problema é que um estado de suspeita permanente também irá criar falsos suspeitos. Eu como cidadão, sentir-me ofendido se fosse investigado sem qualquer motivo para tal, porque toda a investigação tem implícita a devassa da sua vida privada. Quantro à última parte do artigo, não concordo de todo. Em portugal existem vários números de identificação consoante o serviço público mas, atualmente a finanças sabem qual o nosso número de identificação civil, a segurança social sabe o nosso número de contribuinte, e assim sucessivamente. A interoperalidade entre serviços da administração pública caminha a passos largos para uma uniformização como se existisse um único número de identificação. Tal só não é implementado porque seria uma tremenda dor de cabeça a nível administrativo.

    1. Avatar de Grunho
      Grunho

      Em Portugal sim, os corruptos estão acima de qualquer suspeita, de qualquer fiscalização e de qualquer investigação.

    2. Avatar de Joaquim
      Joaquim

      Os fins não justificam os meios. Os detentores de poder e autoridade abusarão sempre. Por acaso foi alguém pouco recomendável e se for um erro? É preferível soltar um culpado ou matar um inocente. Politica de totalitarismo na”home of the free”?

    3. Avatar de Ifm
      Ifm

      Uiii os USA e dinheiro… E paragens de trânsito….

      É tudo muito obscuro….
      Ex: fazes um levantamento em dinheiro no banco 10k dólares.

      Ou ganhas 30k no casino

      Mesmo com o recibo do casino ou do banco que justifica transportarnease dinheiro, a polícia dos EUA podem apreender esse dinheiro e tens de ir a tribunal justificar de onde veio o dinheiro, mesmo mostrando o respectivo comprovativo na hora que fostes parado.

      Porque isto acontece?? Porque o dinheiro de apreensão de drogas ou não justificado, fica para a esquadra que apreendeu.

      Conclusão podem comprar novos carros, armas coletes etc com o dinheiro que é apreendido e não é contestado em tribunal.

      A polícia virou um negócio.

      Depois há claro as notícias, polícia baleado após apreensão de dinheiro que foi levantado era para cirurgia da filha..

      Quando se mistura os interesses financeiros com o dever público…. Da asneira e os EUA são o exemplo disso.

    4. Avatar de Tó
      Tó

      Quem troca um pouco de liberdade por um pouco de segurança não merece nenhuma e depressa perde as duas

    5. Avatar de Eu
      Eu

      As finanças não falam com a segurança social e vice-versa

    6. Avatar de John Smith
      John Smith

      Olá ziobot, defendes tão bem o fascismo, a corporativa-vigilância e a perda de direitos fundamentais da liberdade. Já pensaste juntar-te ao Chega?

      1. Avatar de Nuno
        Nuno

        Tão estranho alguém acusar os outros de defender o fascismo enquanto se faz precisamente o que é típico do tal fascismo…

  2. Avatar de Eu
    Eu

    A comunidade Bitcoin está farta, mas tão farta de avisar para acontecimentos desta natureza que o povo continua a assobiar para o lado como se não fosse nada com eles. Foi por isso que escolhi comprar e não declarar.
    No México mataram uma família inteira por causa de fuga de dados financeira. Na França roubos violentos a detentores de cripto.
    Não vou de certeza esperar pela mesma sorte.
    Não declarem nada as finanças.
    Os seus dados financeiros são a sua liberdade. Divulgar é colocar um alvo em si e na sua família.

    1. Avatar de Grunho
      Grunho

      É essa a cassete dos capitalistas e profissionais liberais trafulhas que golpeiam o IRS e depois têm o povo assalariado a pagar a parte dos impostos deles. Mas há sempre uma solução para gajos desses: confiscar-lhes os bens todos e assim não precisam de ter mais medo de serem mortos pelos bandos de mexicanos.

    2. Avatar de Max
      Max

      No México, “Honas” e a família não foram mortos por causa da fuga de dados financeiros. Foi morto por um sócio que acreditava que ele guardava em casa uma carteira física (cold wallet) com acesso a valores em Bitcoin.

    3. Avatar de Nuno
      Nuno

      Comprar e não declarar?
      Não percebes muito do assunto…

  3. Avatar de Euclides
    Euclides

    Parece algo fora do normal, mas não é. No Brasil e na Inglaterra já se usam esse método há muito tempo.

  4. Avatar de Gringo Bandido
    Gringo Bandido

    Home of the brave and the land of the free!
    Quanto mais afastarmo-nos deste sistema perverso melhor, só não aprende quem tem cegueira ideológica e acha a américa infalível, a experiência falhou o povo está em risco.

    1. Avatar de Yuri Bezmenov - segunda fase
      Yuri Bezmenov – segunda fase

      Tu nunca vais estar em risco, e sabes bem porquê.

      Trabalha malandro.

  5. Avatar de Sérgio V.
    Sérgio V.

    Aqui em Portugal também vão começar a fazer. Caso alguém consiga atestar um depósito de combustível vai logo soar os alarmes para tentar saber de onde vem o dinheiro

    1. Avatar de Sail
      Sail

      Vai ler o texto para perceberes quanto estúpido é esse comentário 🙁

  6. Avatar de José MR Costa
    José MR Costa

    Em Portugal, o número único é o numero de telemóvel (usado para Chave Móvel Digital por exemplo).

    1. Avatar de Max
      Max

      Bem, não se chega-se às finanças e diz-se – sou o contribuinte com o nº de telemóvel 91X XXX XXX. Mas ainda gostava de saber se há alguém que, de há uns anos a esta parte, se atreve a mudar o número do telemóvel. Depende-se mais do número de telemóvel que do nº de CC.

  7. Avatar de lopez
    lopez

    Queres ver que existe um CC com o número igual ao meu e ninguém me disse…

    1. Avatar de Max
      Max

      Não é isso. O teu CC tem o nº do CC. o NIF, e o nº de SS e o nº do SNS. Ma as finanças pedem-te o NIF, a SS o nº da SS e o SNS o nº do SNS. Se forem ao balcão de qualquer deles, se te esqueceres do número específico e deres o do CC, eles chegam lá.
      Mas no documento de cada serviço, uma fatura por exemplo figura o nº deles. O objetivo é que alguém, po via informática, com um número único, não possa recolher dados do cidadão de um cidadão nos vários serviços.
      Por exemplo, pesquisando na base de dados do SNS pelo nº de utente tem-se informação que não está diretamente acessível com o nº de CC ou o NIF.
      O nº 5 do artigo 35º teve isso em vista, e não a questão da vigilância pela PIDE/DGS durante o Estado Novo.

  8. Avatar de Birgul
    Birgul

    não tenho nada a esconder, dizem alguns de vós… lol, esperem até sentirem na pele o que é perder liberdade e depois venham cá chamar os outro de chapéus de alumínio!

  9. Avatar de Filipe
    Filipe

    Isto está a tomar um rumo de malucos, os governos querem controlo total da sua população.

    O problema é que não estou a ver como resolver isto já que existe muito tapadinho que ainda apoia estas soluções, por isso elas avançam e se a desculpa for “proteger as criancinhas” o efeito manada facebookiana ainda resulta melhor!

  10. Avatar de Jotas
    Jotas

    Toda a gente quer a redução da burocracia nos serviços do estado. Feita a vontade de muita gente, isto é uma das consequências possiveis… perde-se tempo ao ir buscar um documento de um serviço do estado para entregar noutro. É um inconveniente mas controlamos a informação que e cruzada… Portanto, temos que ter cuidado com o que desejamos.

  11. Avatar de PorcoDoPunjab
    PorcoDoPunjab

    PorcoDoPunjab acredita que é um erro ter mais que a partir de certo valor num banco.
    A partir de certa altura é para alocar noutros locais e de formas diversas.

    Ainda para mais com as burlas que envolvem bancos.
    É todos os dias…
    Ir ao Portal da Queixa é de chorar ver o que se passa.
    Bankinter está na moda ser a burla do dia.
    Passem lá e vejam por vós próprios.

    Vcs sabem que PorcoDoPunjab só dá bons conselhos.

  12. Avatar de Marcos
    Marcos

    Isso não é só nos estados unidos, é em todo o lado do digital e quanto mais o mundo for digital maior o controlo. Pagas um café, cabeleireiro, andas com um smartphone por todo o lado a dizer por onde passaste. Já tentaram fazer isso com o C0v!d . Para além de ser um controlo absoluto com aquele QR code veio acelarar a transição digital. Não sou contra o digital mas tbm não sou a favor de desaparecer totalmente o dinheiro físico. Se eu quero ir a praia e tomar um café sem ter de dar satisfações a ninguém o dinheiro físico é o único que me dá total autonomia, liberdade e privacidade. O resto é obsessão pelo controlo com pretexto já habitualmente conhecido. Mas é para a tua segurança

  13. Avatar de Nuno
    Nuno

    Abençoados metodos!
    Menos um traficante na rua e menos uns milhares de vidas destruídas.
    Se por cá fizessem o mesmo não seria preciso andar a matar os ladrões com o nosso próprio carro…

    1. Avatar de John Smith
      John Smith

      Que comentário tão anjinho. Os maiores traficantes pertencem ao Estado..

      1. Avatar de Nuno
        Nuno

        E se eliminarem os mais pequenos é mau porquê?