Euro 7 está a “asfixiar” os motores a gasolina… e o problema vai muito além das emissões
Não, a Euro 7 não se resume às emissões. Esta norma está a obrigar a mudar a forma como os motores funcionam internamente, e há uma solução que se está a expandir com força: o ciclo Miller.
Emissões, pressão e mudanças profundas
Emissões, emissões e mais emissões. O conceito mais repetido nos últimos meses sobre a norma antipoluição Euro 7, que entrará em vigor, numa primeira fase, antes do final do ano.
A Europa está a apertar consideravelmente os fabricantes com limites de emissões cada vez mais difíceis de cumprir, obrigando a mudanças importantes nos motores. Infelizmente, a eletrificação já não é suficiente para cumprir e evitar multas.
O que é a norma Euro 7
A Euro 7 é a mais recente norma europeia de emissões poluentes aplicada a veículos novos. Trata-se de um conjunto de regras definidas pela União Europeia para limitar a quantidade de poluentes emitidos por automóveis, carrinhas e, numa fase posterior, veículos pesados.
Um novo nível de exigência ambiental
A Euro 7 sucede à Euro 6 e introduz limites mais rigorosos para poluentes como óxidos de azoto (NOx), monóxido de carbono e partículas finas. O objetivo é reduzir ainda mais o impacto dos transportes na qualidade do ar e na saúde pública.
Mas não se limita aos valores de emissões. A norma passa também a controlar:
- Emissões em mais situações reais de condução, não apenas em testes laboratoriais
- Desgaste de travões e pneus, que também libertam partículas
- Durabilidade dos sistemas anti-poluição ao longo do tempo
Abrange mais do que motores de combustão
Embora afete diretamente motores a gasolina e diesel, a Euro 7 também impõe regras a veículos elétricos, nomeadamente ao nível da durabilidade das baterias.
Quando entra em vigor
A implementação será faseada:
- Automóveis ligeiros deverão cumprir a norma a partir de 2025
- Veículos pesados terão prazos posteriores
Porque está a gerar polémica
A Euro 7 é considerada por muitos fabricantes como extremamente exigente e dispendiosa, obrigando a mudanças profundas na engenharia dos motores. Por outro lado, os reguladores defendem que é essencial para cumprir metas ambientais e melhorar a qualidade do ar na Europa.
Em resumo, a Euro 7 não é apenas mais uma norma. É uma transformação estrutural na forma como os veículos são concebidos e utilizados.
Cumprir normas não é assim tão simples e pode ter consequências técnicas decorrentes de exigências muito elevadas. E é isso que está a acontecer com a quase iminente Euro 7, algo que ainda não tinha sido explicado.
Em particular, porque uma grande maioria das marcas está a abandonar o ciclo Otto nos motores a gasolina e a migrar para o ciclo Miller.
O que muda com o ciclo Miller
O ciclo Miller é uma variante do anterior, cuja principal diferença em relação ao Atkinson, mais comum em alguns híbridos, é, entre outras coisas, poder contar com turbo. No entanto, a nova Euro 7 exige que os motores a gasolina queimem sempre a quantidade exata de combustível, sem excessos.
Isso elimina um método de arrefecimento usado durante décadas, pelo que a solução passa por fechar uma válvula alguns milissegundos antes do habitual.
O que é o ciclo Miller
O ciclo Miller é uma variação do ciclo tradicional dos motores a gasolina, concebida para melhorar a eficiência e reduzir a temperatura interna do motor.
Como funciona
Num motor convencional (ciclo Otto), a válvula de admissão fecha quando o pistão atinge o ponto mais baixo, permitindo encher completamente o cilindro com mistura de ar e combustível.
No ciclo Miller, essa válvula fecha mais cedo. Isso faz com que entre menos mistura no cilindro. No entanto, como o pistão continua a descer, a mistura expande-se dentro de um volume maior, o que provoca o seu arrefecimento.
Qual é a vantagem
Este arrefecimento natural tem duas consequências importantes:
- Reduz a temperatura interna do motor
- Diminui o risco de detonação (knock)
Assim, o motor consegue trabalhar de forma mais eficiente e segura sem precisar de injetar combustível extra para arrefecer.
Diferença para o ciclo Atkinson
O ciclo Miller é muitas vezes comparado ao ciclo Atkinson. A principal diferença é que o Miller pode ser combinado com um turbo, permitindo manter um bom desempenho, enquanto o Atkinson privilegia sobretudo a eficiência e é comum em híbridos.
Porque está a ganhar importância
Com normas como a Euro 7 a exigirem maior controlo das emissões e da combustão, o ciclo Miller surge como uma solução técnica eficaz.
Permite manter a mistura ideal sem recorrer a excessos de combustível, algo que será cada vez mais necessário nos motores modernos.
A importância da mistura estequiométrica
Como se sabe, todo o motor a gasolina necessita de misturar ar e combustível numa proporção exata para que a combustão seja completa: por cada quilo de gasolina, são necessários aproximadamente 14,7 quilos de ar.
Quando esta proporção é cumprida, diz-se que o motor trabalha em mistura estequiométrica, ou seja, com lambda igual a 1.
É também o ponto em que o catalisador funciona no máximo da sua eficiência, limpando os gases de escape antes de serem libertados. Com mais combustível do que o necessário, uma parte não é queimada e o catalisador não consegue eliminar o monóxido de carbono; com menos combustível, geram-se outros poluentes. Só neste equilíbrio exato o sistema funciona corretamente.
O problema do sobreaquecimento
O problema é que manter este equilíbrio em plena carga é muito difícil. Quando um motor turbo trabalha no limite, como em acelerações intensas em estrada ou autoestrada, os seus componentes internos aquecem em excesso. Pistões, válvulas de escape e a própria turbina atingem temperaturas que os podem danificar.
Para evitar isso, os motores atuais recorrem a uma solução simples: injetam mais combustível do que o necessário. Esse excesso não é queimado, mas absorve calor e reduz a temperatura interna do motor.
É uma solução eficaz e barata, mas implica quebrar o equilíbrio ideal e aumentar a poluição. A Euro 7 vem terminar com essa prática. A nova norma exige que o motor mantenha sempre a proporção exata de ar e combustível, em qualquer condição, incluindo plena carga ou arranque a frio. Não há exceções, e os fabricantes procuram formas de cumprir.
Eliminar o excesso de combustível como método de arrefecimento não é apenas uma questão de emissões, mas cria um problema técnico real. Sem essa ajuda, pistões e turbo aquecem demasiado em acelerações intensas. Além disso, uma mistura demasiado quente pode inflamar-se antes da faísca da vela.

A sonda lambda serve para medir a quantidade de oxigénio presente no sistema de escape. Depois da combustão no bloco do motor, a sonda lambda avalia a quantidade de oxigénio no sistema para fornecer maior ou menor quantidade de combustível pelo sistema de injeção.
O risco da detonação
Este fenómeno, conhecido como detonação ou “knock”, gera um ruído característico e pode destruir o motor a longo prazo. Até agora, o combustível extra ajudava também a evitar este problema.
Os fabricantes precisam, assim, de uma forma de arrefecer o motor sem adicionar combustível. E a resposta mais adotada está a ser o ciclo Miller.
Como funciona o ciclo Miller
Um motor de quatro tempos funciona sempre da mesma forma: admissão, compressão, combustão e escape. Durante a admissão, o pistão desce e aspira a mistura de ar e combustível através da válvula de admissão, que permanece aberta. Quando o pistão atinge o ponto mais baixo, a válvula fecha-se e começa a compressão.
O ciclo Miller propõe uma modificação: fechar a válvula de admissão antes de o pistão chegar ao fundo. Assim, o cilindro enche-se menos do que poderia. No entanto, como o pistão continua a descer com a válvula já fechada, a mistura expande-se num volume maior e, ao expandir-se, arrefece.
É o mesmo princípio de um aerossol: quando o gás se expande, perde temperatura. Desta forma, quando começa a compressão, a mistura já está mais fria, reduzindo o risco de detonação sem necessidade de recorrer a combustível extra.






















Isto só vem provar o óbvio: andamos há anos a tentar remendar uma tecnologia que já deu o que tinha a dar. Quanto mais apertam as normas, mais complexos, caros e forçados ficam os motores a combustão. Os elétricos, goste-se ou não, são simplesmente mais eficientes, mais simples e fazem muito mais sentido para o futuro
Os motores que transformam o combustível em electricidade para elétricos é q são bons e já cumprem o euro 27, no minimo.
A hipocrisia no sector elektro não tem tomada, mas está sempre carregada.
Não são usados motores para transformar combustíveis em electricidade. Deve ainda estar a sonhar com apagão e um gerador dentro da cozinha.
O novo Nissan Quasqai tem um motor a gasolina que não está ligado ao sistema motriz porque serve unicamente de gerador de electricidade para a bateria, e não é o único.
Certo, o que ele queria dizer não era isso, a chave está no ” combustível em electricidade para elétricos”
Ai não? Como é que funcionam nas ilhas?
(…)
Existem centrais termoelétricas com motores diesel em várias ilhas
São usadas para:
Garantir fornecimento contínuo (base ou backup)
Compensar variações das renováveis (vento/solar)
Arranque e estabilidade da rede (inércia)
(…)
Mas a página da eletricidade dos açores é que deve ser mentirosa.
Afinal são termoeléctricas.
Enfim.
Sim… e um motor a diesel não é termico?
A ilha do Corvo por exemplo funciona literalmente com grupos a diesel.
Curioso como usam sempre os piores exemplos para confirmar os vossos preconceitos.
Mas o Corvo possui Milhares de VE alguem tem alimentar a loucura electrica da ilha
Muito bom! Os nossos burocratas e idealistas no bom caminho para destruir a indústria (mais uma) que fez a Europa ser uma potência. Não tarda e já não temos nada para vender. É só comprar carros a pilhas chineses que vamos viver muito mais felizes!!
Os chineses não vendem carros a pilhas. E os europeus também não
Mais de 80% da energia em Portugal provém de fontes renováveis.
100 por cento dis a edp
Não, não dis
Na Europa entende-se por energias renováveis as hídricas (muito ecológicas para os rios) e as nucleares! Acho que está tudo dito!!!!!
Convém referir que importamos muita energia….. que provém de reactores nucleares!!!!!!
Ser renovável não quer dizer que seja ecológico.
Ter uma central termoeléctrica a carvão é o futuro, nem entendo porque gastam rios de dinheiro em nucleares e renovaveis.
Uma central a carvão demora meia dúzia de anos a estar operacional… Hinkley Point C (Nuclear no UK)… bem segue um resumo
Hinkley Point C – principais datas
2010–2012 – Projeto ganha tração política no Reino Unido (novo nuclear)
2013 – Acordo preliminar entre governo britânico e EDF Energy
2016 (set) – Decisão final de investimento (FID) aprovada
2017 (mar) – Início oficial da construção
2019–2020 – Primeiros atrasos relevantes (complexidade + COVID-19)
2021 – Revisão de prazos: arranque da Unidade 1 apontado para 2026
2022–2023 – Novos atrasos e aumento de custos
2024 – Atualização: possível arranque entre 2027–2029 (cenário mais realista)
Hinkley Point C passou de ~£18B para potencialmente ~£40B+, um dos maiores overruns da história nuclear europeia
Portanto centrais económicas e rápidas de construir.
Nesse caso é uma central nuclear.
Os motores a combustão estão a ficar complexos por culpa dos políticos. Se estivessem quietos, não ficariam caros e os carros seriam bem mais baratos. Quando só existirem elétricos e as regras e impostos começarem a ser colocados sobre os elétricos, é que vai ser bonito.
Acho que é mais por incompetência dos fabricantes, é tao simples reduzir emissões nos motores, e depois é isto, complicam o que é simples.
Excelente. Nem sei porque não te contrataram.
o grande problema dos EVs não é a tecnologia motriz…
É sim, principalmente, O PREÇO DE AQUISIÇÃO INICIAL. Podes juntar ainda a vergonhosa falta de infraestrutura de carregamento (está melhor, mas ainda é má) e a tecnologia das baterias / demora no carregamento.
O primeiro ponto é o grande ‘elefante na sala’ que nunca querem referir, porque muita gente não tem Unipessoal para meter o pessoal carro em nome de empresa para ‘aliviar o IVA’, como qualquer bom Tuga faz
E quando os governos lhes retirarem os subsídios, então os preços irão disparar.
Os burocratas Europeus que tem carro pago e motorista querem lá saber disso…
Hã!?
Bom artigo. Muito bem explicado.
Por acaso, tive a curiosidade de saber, o que era o ciclo Miller, que foi adotado nos novos motores 1.2 hibridos, da Peugeot.
Enfim, usar combustível como refrigerante, ao que chegamos.
A europa continua a cavar a sepultura… mas só um cego é que não vê… ou vá um bot que diz que vivemos melhor mesmo com a guerra.
A Europa não, os fabricantes.
Curioso, porque os outros países seguem a Europa, até há quem copie as nossas normas.
Veja lá bem quem foram os primeiros fabricantes a ter híbridos ? E eléctricos, vê como afinal não foram europeus.
Nós não temos nenhuma guerra, e sim, vivemos muito melhor que toda a história, só um cego não vê isto, tão bem que estamos a ser invadidos.
Obviamente estamos a ser invadidos por chineses!
Quando houver controlo de população e existirem ordens tipo, os carros só se deslocam x km na área de residencia. mas você é tão anjinho que não acredita. Ou se calhar acredita mas para não dar parte fraca vem para aqui negar.
Claro que não acredito, só um maluco acredita que querem limitar a liberdade das pessoas para que consumam menos.
Não é pior que toda a energia gasta na produção de baterias para veículos elétricos.
E antes que lhe comecem a surgir os comentários sobre este meu, reforço: Tenho atualmente duas viaturas com motor de combustão (Diesel) que só não as troquei por VE porque o dinheiro não chega.
A unica coisa asfixiada é a economia europeia.
Resultado disto?
Carros muito complicados com alta propensão para avarias , reparações com valores astronómicos e preço de venda do veículo novo a preços proibitivos.
Vai tudo para os usados, mas como há muita procura o preço sobe tb.
É assim se destrói a indústria automóvel europeia…
É continuar, porque pelos vistos o plano é mesmo esse.
E a indústria automóvel europeia nem tem qualquer visibilidade mundial!!!!!!!
Mercedes, Porsche, Ferrari, Lamborguini, BMW, VW, Renault, Peugeot, Citroen, Fiat, Alfa Romeo………
Sempre gostamos de ser masoquistas. A Alemanha por exemplo, está radiante por ter a energia mais cara do mundo, graças aos ecologistas da treta que conseguiram obrigar a fechar centrais a carvão, a gás e nucleares!!!!! Depois dessas decisões estapafúrdias o resultado está à vista!!!!!!!
Outra mentira, o que a Alemanha fez foi fechar as centrais nucleares devido ao bicho papão das centrais nucleares, após o acidente no Japão, e abriram centrais a carvão, que ficam mais caras.
Qual é a mentira?
A Alemanha não fechou todas as centrais nucleares (17) e agora está arrependida?
Ou não é verdade que está a fechar todas as centrais a carvão até 2030? Só em 2024 fechou 15!!!!!
Desde quando as centrais a carvão não são competitivas? Só se estiver a incluír erradamente as taxas artificiais de carbono!!!!! Tire-lhe as taxas da treta do carbono e depois discutimos qual a mais eficiente!
Tu decide-te! Queres renováveis ou ecológicas? É que o carvão não é muito ecológico (muito menos renovável).
Aquela que disse.
Então afinal reconhece que estava a mentir, não fechou, abriu.
Desde sempre, dai as fecharem, as nucleares é que sao competitivas.
Frase do dia:
“Estamos a dar numa bandeja a indústria automóvel aos chineses”
Há mais de 2 décadas que o estão a fazer.
Farto-me de rir com estes motores 1.2 a puxarem carros pesados.
Devem ter uma longevidade que atravessa gerações.
Então não…
PorcoDoPunjab não quer nada menos de 2.0
Artigo super interessante e muito bem escrito. Gostei
O futuro está no hidrogénio, ar limpo.