Crise energética global força a reabertura de centrais nucleares encerradas
Centrais nucleares encerradas podem reabrir devido à crise energética global, numa medida que visa reforçar a produção elétrica face à escassez de combustíveis fósseis e ao aumento da procura.
A crise energética global intensificou-se nas últimas semanas, impulsionada pela escassez de combustíveis fósseis e tensões geopolíticas, aliando-se à já conhecida procura desmedida por eletricidade em setores estratégicos, como o tecnológico e industrial.
O aumento dos preços do petróleo e do gás, aliado a interrupções nas cadeias de abastecimento, tem colocado governos sob pressão para encontrar soluções que garantam fornecimento contínuo de energia, ao mesmo tempo que respondem a metas ambientais e à transição para fontes mais limpas.
Neste contexto de tensão, países e blocos regionais têm explorado estratégias para enfrentar o desafio: enquanto alguns investem massivamente em energias renováveis, outros recorrem a reservas estratégicas de combustíveis ou reforçam a produção nacional com soluções tradicionais, incluindo centrais nucleares.
Para Taiwan, parte da solução deverá residir na reabertura de duas centrais nucleares encerradas.
Dependência dos combustíveis fósseis exige medidas
No sábado, o Presidente de Taiwan Lai Ching-te afirmou que há duas centrais nucleares que "reúnem as condições para reativação", numa altura em que a ilha, dependente da importação de energia, procura reforçar a sua capacidade de produção elétrica interna.

Lai Ching-te na sede do Partido Democrático Progressista, em Taipé, na noite das eleições, em 2024. Crédito: An Rong Xu/Bloomberg
A energia nuclear forneceu uma parte significativa da eletricidade da ilha durante cerca de quatro décadas, antes de o último reator ter sido encerrado.
Agora, Taiwan depende quase totalmente de combustíveis fósseis importados para satisfazer as suas necessidades energéticas, em particular no setor crítico de semicondutores.
O Partido Democrático Progressista de Lai tem defendido uma "terra livre de energia nuclear", em parte devido às preocupações com a segurança nuclear após o desastre de Fukushima, no Japão, em 2011.
Contudo, com o conflito no Médio Oriente a perturbar as cadeias globais de abastecimento, os partidos da oposição afirmam que a continuidade do fornecimento é necessária para garantir a segurança energética.
Taiwan refugia-se na energia nuclear
A ilha encerrou o seu último reator em funcionamento na central de Ma’anshan, mencionada como a terceira central nuclear, no sul do condado de Pingtung, em maio do ano passado, em conformidade com a política do partido no poder de eliminar gradualmente a energia nuclear até 2025.
A segunda central nuclear, de Kuosheng, no norte da ilha, foi desativada em 2023 após o fim da sua licença de operação.
No evento empresarial realizado no sábado, Lai disse que estas "segunda e terceira centrais nucleares reúnem as condições para recomeçar a operar", sem especificar os requisitos.
Além disso, partilhou que a empresa estatal de eletricidade Taipower, responsável pela operação das centrais, irá submeter pedidos de reativação ao Conselho de Segurança Nuclear até ao final do mês, para avaliação.
O conselho irá analisar questões de segurança e verificar se existe consenso público sobre a reativação das centrais durante o processo de revisão, conforme citado pelo Arab News.
Antes disso, na sexta-feira, numa sessão parlamentar, o vice-ministro da Economia, Ho Chin-tsang, tinha afirmado que a central de Ma’anshan poderia voltar a funcionar já em 2028, embora não tenha indicado um calendário para a segunda central.
A comunidade internacional precisa de eletricidade com baixas emissões de carbono, e também devemos considerar a eletricidade necessária para o poder computacional na era da Inteligência Artificial.
Disse Lai, garantindo à população que as reservas de petróleo e gás natural de Taiwan são suficientes para março e abril.
Imagem: Taipei Times
Neste artigo: Central Nuclear, Crise energética, energia nuclear, taiwan




















De facto a situação de Taiwan não é normal. Fontes de produção de energia elétrica:
– Gás natural (GNL), quase todo importado: 47,8%
– Carvão, totalmente importado: 35,4%
– Energias renováveis, sobretudo eólica: 13,1%
– Cogeração: 2,5%; outros: 1,2%.
A energia nuclear, que andou entre os 10 e os 15% há de lhes estar a fazer falta.
E o Japão não é muito diferente:
– GNL, quase todo importado, a maior parte pelo estreito de Ormuz: 31%%
– Carvão, totalmente importado: 29%
– Energias renováveis, sobretudo solar (já não têm espaço para mais painéis): 24%
– Nuclear: 10%, pretende chegar aos 20%
– Outros: 3%.
“…– Energias renováveis, sobretudo solar (já não têm espaço para mais painéis)…”
Bom ponto.
É o que dizem. Agora no Japão estão a crescer as eólicas offshore.
Nos EUA Trump proibiu novas licenças e suspendeu a continuação dos trabalhos das que estavam em construção (Há tribunais que têm ordenado a retoma de trabalhos. Se a suspensão for definitiva os pedidos de indemnização vão chegar aos 20 mil milhões de dólares).
Sim, sobre o Trump já sabemos o porquê de tudo isto.
Do ódio de Trump às eólicas offshore, não há dúvida. Começou com um campo de golfo seu na Escócia. Acusou as eólicas de lhe estragar as vistas, levou o governo escocês a tribunal e perdeu.
Uma das empresas que tinha projetos de centrais eólicas nos EUA e foi afetada foi a CentralEolics, francesa. Mas, ao contrário das outras, não foi para tribunal e aceitou um acordo com o governo para desistir – recebe mil milhões de dólares desde que invista esse capital em petróleo e gás natural.
Portanto nada de lobbies.
Trump pertence ao terrível lobby dos elektricos. Atacou o Irão – para o Irão fechar o estreito de Ormuz – para provocar uma escalada dos preços dos combustíveis – para os governos terem mais dinheiro em impostos sobre os combustíveis – para subsidiar a eletricidade.
Looooool, é por isso que ele quis dar cabo das normas EPA, e ainda tirar os incentivos aos eléctricos, tudo isso porque pertence ao terrível lobby dos eléctricos.
O nuclear da última geração é cada vez mais seguro. Tem várias camadas de segurança…então qual é o problema? Continuar dependes de lunáticos e fanáticos que só querem viver à nossa custa? Temos de acabr com os combustíveis fosseis…
Não sendo muito entendido na matéria, mas o problema maior não são os resíduos provocados pelas centrais e o que fazer com os mesmos?
Tirando claro o facto de desastre naturais.
Sim, há os resíduos, mas muito menos que os deixados pelos combustíveis fósseis. Esses andam por aí, respiramo-los a todo o minuto… No nuclear, eles são selados em recipientes praticamente invioláveis e colocados em locais seguros. Tudo isso está estudado…
Sinceramente, não sou defensor “acérrimo” do nuclear, mas não me choca, por exemplo, a ideia de declararmos uma zona de exclusão nuclear para que se armazene resíduos. Entre termos (opa uma zona do tamanho do concelho de Beja, por exemplo) para esse fim. Uma ou duas centrais, armazenamento subterrâneo de resíduos, central de enriquecimento de combustível. Pronto, se calhar em Beja não era a melhor ideia porque iria necessitar de mais água.
O problema dos resíduos é que normalmente não entram nas contas de “operação” das centrais. E quando é necessário “despachar” vai-se sempre ao mais barato.
Já não temos (em grande escala) combustíveis com chumbo, mas ainda temos chumbo de quase 100 anos de combustíveis na atmosfera. Para já não falar dos problemas de saúde que causaram em milhões e milhões de pessoas. E mesmo com os combustíveis atuais, não há tratamento. Há queima e deita para o ar. Só nos carros, estima-se que sejam mais de 1.500 milhões em todo o mundo. E depois faltam os navios, aviões, muitos comboios ainda e por aí fora…
Sendo que os navios são os mais poluentes, o combustível destes barcos nem derrete é tratado, é quase crude bruto! O problema dos aviões é que mantém permanente 11 milhões de pessoas no ar. Podemos falar do número sempre crescente de camiões que atravessam a Europa…. Do número de indianos que se multiplica….O planeta não aguenta!
O nuclear “antigo” também era relativamente seguro. Claro que temos inovação e melhores sistemas, mas o verdadeiro perigo mantém-se. Basta ver que os grandes incidentes nucleares da história foram todos causados por falhas técnicas, erros de conceção e erros humanos. E falhas técnicas e erros de conceção conhecidos. Por muito bons que os sistemas sejam, algo sempre falhar. Por isso também existem redundâncias, claro. O grande mal é que há sempre quem ache que pode poupar uns trocos. Começam por poupar na construção, na manutenção, na formação do pessoal, nos sistemas de redundância porque afinal nunca acontece nada… E para culminar ainda querem poupar no tratamento e armazenamento final de resíduos.
Nuclear em Portugal?.. LOOL
Seriam 30 anos SÓ para escolher o local, depois mais 30 para construir, para depois se descobrir que foi feita em ‘Área protegida’ e a obra embargada e no fim descobria-se que alguém meteu €€ ao bolso.. No fim não terias nem central nem dinheiro.. um clássico da Tuga
Lembrem-se que os planos para um novo aeroporto de Lisboa existem desde os tempo do ESTADO NOVO!…
O meu problema com o nuclear não é com a tecnologia em si.. mas sim com o facto de que teria gestão Portuguesa.
Mais uma vez, falta de planeamento. Não é muito normal nesta malta de Taiwan, mas é o que acontece quando não se prepara o esperado aumento de consumo elétrico. São vários os fatores. Mais equipamentos elétricos por todo o lado, carros elétricos, “fuga” ao aquecimento particular (e não só) a combustíveis fósseis, incluindo soluções integradas com solar, etc… Mas não é só Taiwan, são todos os países um pouco por todo o lado.
Não é falta de planeamento porque se assim não fosse teriam desmantelado completamente as centrais. Manter a estrutura faz sentido para servir como backup
Pois, ativar e desativar centrais atómicas não é carrega num botão de on/off, vão ter que fazer grandes inspeções de segurança.
Se calhar quando tiverem a central pronta para usar já passou a crise. Pode demorar meses.
E sim, até quando desligam uma central nuclear e não a desmantelam revelam falta de planeamento. É sinal que não preparam suficientemente bem as “alternativas”, que não foram capazes de construir novas centrais nucleares. E deixam estar “para o caso de….”. É como nós quando não deitamos as cuecas velhas fora porque podem vir a dar jeito para polir o carro.
Temos pelo mundo fora não sei quantas centrais nucleares que já passaram do prazo de validade. Isto tudo porque nem sim, nem sopas. Nem as desligam e desmantelam de vez (com as devidas alternativas) nem as substituem por outras (normalmente por falta de coragem política).
Não vou discutir os benefícios e perigos. Uma central nuclear bem construída e bem gerida (incluindo os resíduos finais que sabemos bem o que fazer com eles mas invariavelmente não se faz porque “é caro”) tem tudo para ser segura. O grande mal é que há sempre alguém a aldrabar ou a meter a pata na poça. Os grandes incidentes nucleares da história deveram-se todos a má conceção, a má utilização ou a práticas “duvidosas” (normalmente porque querem poupar na manutenção e operação).
Chernobyl tinha problemas de conceção. Já se sabia até antes da construção. E o incidente foi causado também por erro humano grosseiro, aliado a falhas nos equipamentos que não eram mantidos convenientemente. Three Mile Island também foi falta de manutenção e erro humano. Windscale idem aspas… Até Fukushima foi uma enorme asneirada. E nem vou pelos muros não serem algos o suficiente. Claro que podiam (e deviam) ser mais altos, se a zona é de perigo de tsunami, se calhar deviam ter precavido melhor ou até construído mais longe da costa (mas era mais barato e tinha um custo benefício melhor ser ali coladinha ao mar. Foram demasiado otimistas (ou não foram pessimistas o suficiente, dependendo do ponto de vista). Não é segredo que o nível do mar vai subindo. E claro, além dos perigos previsíveis, há sempre os imprevisíveis que já diz a Lei de Murphy, se pode correr mal vai correr, da pior maneira possível e na pior altura possível. Agora, a grande asneirada em Fukushima foi terem construído os bancos de geradores na cave. Um projeto que passou por dezenas ou centenas de engenheiros e técnicos e não houve uma única alminha que pensasse que ter aquelas máquinas na cave se calhar podia correr mal em caso de inundação. Numa central à beira mar plantada, numa zona de tsunami, num país de furacões com chuvas torrenciais… calhaus!
Exato! Podiam-nas por no terraço.
Têm que começara contratar o “Zé, português de Braga” 🙂
Errado!!
Zé Brasileiro, Português de Braga, se faz favor…
https://www.youtube.com/watch?v=DbKZhcVrxzg
A gestão dos resíduos nucleares é um pesadelo, extremamente perigos, muito bem disfarçado e, ainda menos, falado.
Com resíduos radioactivos que afetam a saúde, de forma gravosa, durante dezenas de milhares de anos a milhões de anos, todos os sistemas, métodos e locais onde se guardam esses resíduos não passa do proverbial, se bem que mais minucioso, “varrer para debaixo do tapete.”
Se forem bem tratados, não há grande mal. Pior fazem os resíduos dos aviões, navios, barcos…. despejados diretamente no ar e também ninguém fala neles.
Imagina comparar gases de escape a resíduos nucleares e achar que os primeiros são piores…
Enfim