Crise do petróleo pode parar o mundo. Mas já há países bem preparados
A escalada dos preços do petróleo e do gás, impulsionada pela instabilidade geopolítica, está a testar a resiliência dos mercados energéticos globais. No entanto, algumas nações encontram-se mais bem preparadas para enfrentar esta volatilidade, graças ao seu investimento massivo em tecnologias verdes.
Transição do petróleo para as energias como estratégia de segurança
Num cenário hipotético em que um conflito entre os EUA, Israel e o Irão leva ao encerramento do Estreito de Ormuz, o mundo veria um corte abrupto de um quarto do seu fornecimento de petróleo e gás natural. O Qatar, um gigante do gás natural liquefeito (GNL), suspenderia a sua produção por tempo indeterminado, gerando uma crise de abastecimento.
Contudo, especialistas em energia sublinham que vários países estão hoje numa posição muito mais robusta para enfrentar uma crise deste calibre do que estariam há apenas alguns anos. Jan Rosenow, professor de energia e clima na Universidade de Oxford, atribui esta resiliência ao rápido crescimento das energias renováveis, dos sistemas de armazenamento em baterias e dos veículos elétricos (VE).
Isto não é uma coincidência. Trata-se de uma estratégia deliberada para se afastar da dependência do petróleo importado e para eletrificar a economia.
Afirma Rosenow.
Exemplos desta transição são já visíveis. Na China, mais de metade das vendas de automóveis novos são de modelos elétricos. No Nepal, esse número ultrapassa os 70%. Com a subida dos preços do petróleo, os cidadãos que possuem um VE estão menos vulneráveis do que aqueles que dependem dos combustíveis fósseis.
É uma solução de segurança energética e uma solução de custos.
Explica Kingsmill Bond, analista do think tank energético Ember.
Paquistão: a revolução solar em curso
O aumento não se limita ao petróleo; os preços do gás natural e do GNL também estão a disparar. No entanto, países como o Paquistão demonstram maior resiliência devido a um crescimento sem precedentes da energia solar.
Nabiya Imran, do think tank paquistanês Renewables First, refere que "a adoção generalizada de painéis solares e baterias funciona como uma proteção contra os choques de preços a que os mercados de combustíveis fósseis são tão vulneráveis a nível global".
A crise atual torna as escolhas de investimento mais claras para nações em desenvolvimento na América Latina e em África, que ponderam entre infraestruturas fósseis tradicionais e a aposta em energias renováveis.
Depois de instalado o painel solar, não há custo para o sol. Mas com uma central a gás, tem de pagar todos os dias pelo gás que queima.
Salienta Bond. Segundo ele, "de um só golpe, este conflito aumentou drasticamente o poder e a influência daqueles que querem seguir o caminho solar".
O Paquistão é o exemplo perfeito desta revolução. Nos últimos anos, o país viu uma explosão de painéis solares em telhados de residências e edifícios, impulsionada pela queda dos preços das importações chinesas. Desde 2023, o Paquistão importou cerca de 41 GW em painéis solares da China, o suficiente para alimentar milhões de lares.
Apesar desta evolução, o setor dos transportes do Paquistão continua a ser um ponto vulnerável, dada a sua dependência de petróleo e gasóleo importados. A subida dos preços já levou o governo a tomar medidas como encerrar escolas e ordenar o teletrabalho para reduzir as deslocações.
Ainda assim, no setor elétrico, a nova capacidade solar e eólica permitiu ao Paquistão mitigar a perda de fornecimento de GNL do Qatar, tendo mesmo reduzido as suas importações no ano passado.
As lições da Europa e o caminho a seguir
A ideia de que as energias renováveis garantem segurança energética não é nova. Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Europa enfrentou uma queda drástica no fornecimento de gás russo. Na altura, a Comissão Europeia apresentou as energias renováveis como a principal via para reduzir essa dependência.
Alguns países europeus, como Espanha e Portugal, levaram a lição a sério, aumentando significativamente a instalação de centrais solares, parques eólicos e sistemas de baterias, o que lhes permitiu diminuir as importações de gás natural. Outros, no entanto, cometeram o que Bond considera "um erro": substituíram o gás russo por GNL importado dos EUA e do Qatar, trocando uma dependência por outra.
Paasha Mahdavi, professor de ciência política na Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, argumenta que a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis após o conflito na Ucrânia foi um dos principais catalisadores para a adoção de renováveis a nível mundial.
Muitos países viraram-se para as energias renováveis porque estão cansados desta instabilidade de preços, sobre a qual não têm controlo.
Explica.
Com os preços do petróleo a ultrapassarem os 100 dólares por barril e os do gás natural a registarem aumentos de dois dígitos, Rosenow prevê que uma crise energética prolongada apenas irá acelerar a procura por energias renováveis, baterias e veículos elétricos.
Afinal, como ele conclui, "os preços do petróleo e do gás podem estar em alta, mas o sol e o vento não querem saber o que se passa no Estreito de Ormuz".
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Muitos países já estão a racionar combustíveis a meter restrições ou mesmo proibições.
Outros (alguns europeus) já estão a estudar essas medidas.
Petróleo é o futuro abaixo as alternativas.
Na Ásia o Sri Lanka decretou todas as 4ª feira como feriado, e outros a obrigatoriedade de teletrabalho, na Tailândia a recomendação de roupa fresca, sem a necessidade de fato e gravata, para poupar energia no AC, os países Asiáticos estão mais expostos que nos, a seu tempo as restrições também devem de cá chegar.
Cá em casa não é de certeza, se o seu futuro é a galp parabens
Quando se fala do estreito de Ormuz diz-se que por ele transita 20% do crude e do gás mundial (GPL e GNL). Mas entre 80 e 90% do crude e 83% do GNL destina-se aos mercados asiáticos, com vulnerabilidades muito diferentes por países:
– Japão, o mais vulnerável, com 95% do crude a passar pelo estreito de Ormuz
– Coreia do Sul – entre 70-75% do crude que obtém
– Índia- que depende do fornecimento pelo estreito de Ormuz para 85% do GPL e 20% do GNL
– China – o maior importador de petróleo do mundo, com mais de 40% a passar pelo estreito de Ormuz e 23% do seu GNL
– Europa – depende do estreito de Ormuz em 4% da importação de crude e em 13% do GNL.
Mas não se tem falado dos fertilizantes – que entre 20% e 30% passam pelo estreito de Ormuz. Alguns dados:
– os fertilizantes representam entre 30% e 40% do custo total de produções como milho, trigo ou arroz.
– como o gás natural representa 80% do custo de fabrico de fertilizantes azotados, qualquer subida no preço do gás natural faz subir o preço dos adubos
– estima-se que cada 1% do aumento dos fertilizantes representa um aumento de 0,45% no preço dos alimentos.
E quanto ao preço da eletricidade? Convém não esquecer que em 2025, do total de eletricidade produzida em Portugal (44.787 GWh, excluindo bombagem), foram gerados através de GNL 7.644 GWH – ou seja, 17% da eletricidade produzida (Fonte Ren hub).
Por isso, com a subida com a subida da cotação do GNL, preparem-se para a subida do preço da eletricidade. E não tentem acabar com as centrais a gás porque são indispensáveis à estabilidade do sistema.
A Newsweek tem um gráfico da navegação no estreito de Ormuz: 118 navios, 28/02 118 navios e 3 em 15/03. Têm passado alguns petroleiros iranianos (com petróleo iraniano), petroleiros e transporte gás indianos, chineses e do Paquistão. O Irão atingiu pelo menos 18 navios. Hoje atacou o porto de de Fujairah, dos EAE, já fora do estreito de Ormuz, que levou à suspensão dos carregamentos.
Diz uma pessoa próxima que Trump está furioso com os países da NATO a quem tinha ordenado para enviar navios para proteger a navegação. O mesmo fizeram o Japão e a Austrália. A marinha dos EUA diz que também não está em condições de assegurar as escolta porque os seus navios seriam alvos fáceis. Mas Trump agora diz que não precisa dos aliados e faz tudo sozinho.
Trump passou meses a falar mal a ameaçar e fazer bluff aos aliados e países da NATO.
Agora está a colher o que semeou.
Fez mais do que isso. Fez da invasão russa da Ucrânia um negócio pra os fabricantes de armas dos EUA. Desde que foi eleito, depois de gastas as verbas que Biden tinha autorizado, não deu nem mais um dólar. As armas americanas usadas pela Ucrânia são pagas pelos países europeus.
Agora, com o seu aliado Israel decidiu atacar o Irão sem consultar ou sequer informar os aliados europeus. O Irão fechou o estreito de Ormuz – o que era mais que previsível, mas discute-se se Trump contrariou os seus conselheiros e desvalorizou isso. Queria agora que os países europeus, o Japão, a Austrália, a Coreia do Sul – e até a China, mandassem para lá navios de guerra para escoltar petroleiros e servir de tiro ao alvo. Deixaram-no sozinho a rosnar ameaças, de que sai da NATO, quando na prática já é um inimigo da Europa. Nem a marinha dos EUA está disposta a ir.
O regime no irão tem de acabar isso é certo o Trump fez muito bem em acabar com eles
@Gonçalo se ele acabou com eles porque vem pedir ajuda?
Também pediu que os países árabes do Golfo Pérsico atacassem o Irão – para responder aos ataques de drones e mísseis às suas infraestruturas.
Só que isso punha-os ao lado de Israel a atacar o Irão, o que não querem fazer.
À medida que os preços sobem e os sinais de crise económica aumentam, a posição de Trump enfraquece. Sem que haja mudança de regime no Irão, que, nos próximos anos, não deixará de repor os mísseis e drones – e dar prioridade absoluta ao desenvolvimento de armas nucleares.
You wil own nothing and eat JL kind.
Coitados, já começam a andar desesperados. Loooool
PT tem o futebol, a Netflix e a máxima da vila morena.
Que ridículo basta toda a gente instalar painéis solares em casa e acaba-se a dependência de energia de países árabes e russos. Eu gasto zero em eletricidade há mais de cinco anos e carrego o meu carro elétrico em casa tudo com painéis solares que me abastecem a 100 por cento
O recurso a paineis solares e baterias para uma independência de energia elétrica total implica um gasto tremendo em paneis e baterias. Mas isso só é possível em dias muito soalheiros. De verão é fácil, em boa parte da primavera e outono também, mas em dias invernosos muito nublados/chuva a produção cai a pique e é impossível não ter de importar da rede. Tenho dias de inverno em que produzo <1% da capacidade das baterias(25KWH) e alguns dias de inverno chego aos 100% ao final do dia; no verão chego a exportar mais de 40KWH a partir das 12h. Para ter autonomia total teria de gastar mais 4500€ em mais baterias, mas não me compensa de inverno. Qua a melhor solução: manter a capacidade total e vender o excesso dos dias soalheiros a uma empresa comercializadora.
Em Portugal tens 10 meses de sol, para o resto as baterias servem
E pagou 800000 euros, por isso, além de 25000 euros, em manutenção, inspecções e reparações, em 6 anos.
E isto sem contar com os 900000 euros que lhe custou, a vivenda, os 11600 euros, anuais, do seu seguro habitação e os 9000 euros, dos seguros automóveis.
Tudo ao alcance de 600% da população portuguesa, correcto?
Meu próximo investimento vai ser em energia renovável em força para me livrar de tudo quanto é taxas e taxinhas e ter energia renovável com fartura.
Dá uma olhada na página da Otovo, têm preços bem competitivos.
Já pensei nisso, não vale o investimento, a não ser que tenha 500000 euros, disponíveis, para investir, de imediato, nisso. Além de precisar de 17m2, só para construir a “guarita das baterias”, assim como a instalação, de suporte, para esse serviço.
E há a manutenção, que caso algo corra mal, pode custar 250000 euros, ao 5 ano, além do preço das baterias (que se degradam 35%-50%, a cada 8 anos, segundo os documentos, mesmo que usadas 500 dias, em descargas totais).
Só perdes nos teus comentários quando inventas nos números
Tenho tudo metido em 10m2, os módulos de bateria são empilhados uns em cima dos outros. Degradação numa bateria domestica?? Não sabes do que estás a falar isto não é um carro
” Após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, a Europa enfrentou uma queda drástica no fornecimento de gás russo”…
Pois foi.
Só que da maneira como está escrito passa a ideia que os Russos é que cortaram o abastecimento.
O que não é verdade.
Os Europeus é que deixaram de querer comprar gás Russo para ir buscar a outros lados muito mais caro.
Os resultados estão à vista.
E agora com a crise escusam de ir a Moscovo rastejar aos pés do Vladimiro a pedir gás porque ele já disse que o vai vender a outros clientes, mais responsáveis, digamos assim…
Europa a dar tiros de canhão nos próprios pés… só rir.
A russia entra em guerra com a ucrania e tu queres continuar a comprar-lhes gás? a dar-lhes dinheiro e a ficarmos dependentes deles? Eles que vão atacar a 5º pata do cavalo acho muito bem cancelar todos os contratos de há com os russos e expulsa-los de tudo que são organizações e eventos. E o resultado está mesmo à vista o país que se proclamava o 2º maior poderia militar nem se aguentam com a Ucrânia. Compramos mais caro mas compramos melhor e o objectivo é deixarmos de depender desses países no futuro e quanto mais depressa melhor
Gonçalo, cada um vai comprar onde quer e lhe apetece.
Em vez de pagar 1 prefere pagar 6?
Está no seu direito.
Depois as fábricas vão embora porque a energia está cara.
Dependente está sempre, se não é de um será de outro.
Engraçado que com a Rússia é expulsar e etc mas com os genocidas de crianças a esses ninguém lhes toca.
Mistérios, digo eu…
Estou com um balde de pipocas a assistir.
+1 países a apostar em electricidade e coisas alternativas não faz sentido nenhum.