Como o conflito no Médio Oriente pode deixar o gasóleo e a gasolina mais caros
Este domingo, os preços do petróleo dispararam 13% na abertura dos mercados, com o conflito que resultou dos ataques norte-americanos e israelitas contra o Irão.
Preços do petróleo dispararam 13%
Por volta das 23:15 GMT, o barril de Brent do Mar do Norte disparou 9,90%, para 80,16 dólares (67,84 euros), após abrir com alta de 13%.
O barril de West Texas Intermediate (WTI) disparou 8,25%, para 72,55 dólares (61,40 euros), com os analistas a receraem uma onda de subida de preços.
Estes números representam um salto significativo no preço do Brent, a referência internacional do petróleo, que havia gradualmente incorporado um prémio de risco geopolítico para chegar a mais de 72 dólares na sexta-feira, longe dos 61 dólares (51,62 euros) do início do ano.
Com a eclosão do conflito no Médio Oriente, o transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, está comprometido.
O fator mais relevante para o mercado petrolífero é a quantidade de petróleo produzida na região e a situação no estreito de Ormuz, por onde transitam diariamente cerca de 21 milhões de barris de petróleo bruto e produtos petrolíferos.
Esclareceu Giovanni Staunovo, da UBS, citado pela SIC Notícias.
Embora o estreito não esteja totalmente fechado, com alguns navios chineses e iranianos a terem passado por ele, segundo a Kpler, o tráfego é, agora, quase impossível.
Segundo Jorge Leon, analista da Rystad Energy, numa nota citada pela agência Lusa, é certo que “infraestruturas alternativas no Médio Oriente podem ser utilizadas para contornar os fluxos que transitam pelo estreito, mas o impacto líquido continua a ser uma perda efetiva de oito a 10 milhões de barris de oferta de petróleo bruto”.
Em teoria, os países importadores de petróleo dispõem de reservas, uma vez que os membros da OCDE devem manter 90 dias de reservas de petróleo. Contudo, não se excluem preços superiores a 100 dólares (84,63 euros).
Mesmo sem uma paragem total da produção, o aumento dos prémios relacionados com o conflito, as alterações de rotas e a reavaliação dos seguros podem manter os custos do petróleo bruto e do frete a um nível elevado.
Explicou Charu Chanana, da Saxo Markets, acrescentando que “com toda a região do Golfo afetada, a dissipação deste prémio de risco geopolítico poderá demorar algum tempo, tendo em conta, nomeadamente, o papel central da região no abastecimento energético mundial”.
Combustíveis e dia a dia podem ficar mais caros
Esta subida de cerca de 13% do preço do petróleo é relevante, considerando que Portugal importa praticamente toda a energia fóssil que consome. Quando o petróleo sobe nos mercados internacionais, o efeito acaba quase sempre por chegar à economia portuguesa, embora com algum atraso.

O impacto mais direto costuma ser nos preços da gasolina e do gasóleo.
Uma vez que o conflito está a afetar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, crescem os receios sobre a falta de oferta, que fazem disparar o Brent.
Como os preços europeus seguem o mercado internacional, as refinarias pagam mais pela matéria-prima; os preços grossistas sobem; e os postos ajustam preços normalmente em algumas semanas.
Segundo o The Guardian, analistas já começaram a alertar que aumentos do crude tendem a “alimentar os preços nas bombas”, se persistirem.
Além dos combustíveis, o aumento do preço do petróleo pressiona sobre a inflação, pois a energia é um dos seus motores. Quando o petróleo sobe, os transportes ficam mais caros; a produção industrial encarece; e a distribuição de alimentos e bens é alvo de aumento de preços.
Este último provoca um aumento indireto dos preço do dia a dia das pessoas, pois os preços tendem a subir, encarecendo desde a alimentação, até ao transporte e ao turismo.




















