BYD assume responsabilidade arrojada: vai pagar pelos acidentes causados pelo “God’s Eye”
Um dos maiores nomes da mobilidade elétrica apresentou um sistema de condução autónoma acessível ao grande público e deixou uma promessa arrojada: se houver acidentes com o seu "God's Eye" ativo, a marca paga.
A BYD apresentou o "God's Eye", o seu sistema avançado de assistência à condução desenvolvido internamente e, a par da novidade tecnológica, deixou uma promessa comercial.
Pela voz do seu fundador e presidente, Wang Chuanfu, a BYD anunciou que se compromete a cobrir os custos de acidentes de trânsito quando o "God's Eye" estiver ativo, numa garantia que poucas fabricantes teriam coragem de fazer.
Além disso, na conferência de imprensa, em Shenzhen, o executivo partilhou que o sistema terá um preço de 12.000 yuan, o equivalente a cerca de 1630 euros. Para um sistema de condução mãos-livres, é um valor notavelmente acessível.
👁️ O "God's Eye" baseia-se em câmaras e sensores de radar, o equivalente a "dezenas de olhos", para realizar tarefas como estacionamento com assistência, travagem automática e adaptive cruise control, de acordo com o The Straits Times.
Em 2025, a BYD estava "a iniciar uma era em que a condução autónoma é para todos", na qual os carros autónomos "já não serão um luxo inatingível, mas uma ferramenta essencial". O objetivo da empresa é entregar muitos dos seus modelos com funcionalidades self-driving, incluindo os mais baratos.
A ambição de eliminar acidentes de trânsito
Morrem cerca de 1,19 milhões de pessoas por ano em acidentes de trânsito em todo o mundo, e dezenas de milhões ficam feridas. O nosso primeiro objetivo é atingir zero acidentes
Disse o fundador e presidente da BYD, não sendo modesto nos objetivos.
Embora não tenha sido divulgado qualquer calendário para a comercialização em massa, a direção estratégica da BYD está traçada.
Tecnologia em vez da guerra de preços
Esta aposta surge num contexto de pressão crescente no mercado automóvel chinês. Desde meados de 2025 que Pequim tem instado as fabricantes a abandonarem as guerras de descontos que corroem as margens.
Assim, a BYD parece ter ouvido o recado e, em vez de cortar preços, está a apostar em inovação para ganhar quota de mercado.
A mensagem que a BYD envia é a de que vai avançar através de progressos tecnológicos, não de reduções de preço.
Disse Gao Shen, analista independente de Xangai, citada pelo South China Morning Post.
O impacto poderá ser amplo, pois os concorrentes serão forçados a investir em novas tecnologias ou a baixar custos para se manterem competitivos.
O cérebro por detrás do "God's Eye"
Para alimentar toda esta ambição, a BYD apresentou, em Shenzhen, o Xuanji A3, o primeiro chip de condução autónoma fabricado em 4 nm produzido em massa na China.
Desenvolvido internamente por uma equipa de mais de 7000 engenheiros de semicondutores, o chip suporta funções de condução autónoma de nível L3 e L4 e oferece 700 TOPS de poder computacional, em linha com o NVIDIA Drive Thor, embora abaixo dos 1280 TOPS do chip Mach 100 da rival Li Auto.
A grande vantagem destacada pela BYD é o controlo total sobre toda a cadeia de desenvolvimento, integrando hardware e software numa solução própria.

O Xuanji A3 é compatível com sensores LiDAR de mil linhas, prometendo uma precisão superior aos sistemas atualmente mais usados na indústria.
Três chips combinados atingem 2100 TOPS de poder computacional, o suficiente para equipar as futuras frotas de robotáxis que a BYD tem em vista.
Com este chip, a empresa junta-se à XPENG, Nio e Li Auto na corrida aos semicondutores próprios para condução autónoma, uma tendência que está a redefinir quem controla verdadeiramente o futuro do automóvel elétrico na China e, por conseguinte, do mundo.



















