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Bateria à base de água que promete 30 anos de vida já entrou em produção em escala

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Uma bateria capaz de durar três décadas pode mudar as contas do armazenamento de energia. Foi anunciado o arranque daquela que se apresenta como a primeira linha de produção em grande volume do mundo dedicada às suas Aqueous Metal Cells (AMC), baterias à base de água com uma vida útil projetada de 30 mil ciclos.

Imagem Bateria à base de água

A empresa californiana, a EnerVenue, está a levar para o mercado uma tecnologia baseada na química de níquel-hidrogénio, utilizada durante décadas no telescópio espacial Hubble e na Estação Espacial Internacional. Para a adaptar a aplicações terrestres, a EnerVenue reformulou-a com materiais de menor custo.

Agora, o desafio passa pela escala industrial. Quando estiver totalmente automatizada, a nova linha foi concebida para produzir cerca de 300 células de quarta geração por dia.

Uma bateria pensada para durar 30 anos

A principal promessa das AMC está na longevidade. Segundo a EnerVenue, as células foram concebidas para suportar 30 mil ciclos de carga e descarga, em aplicações com uma vida útil de 30 anos e regimes de utilização que podem chegar aos três ciclos diários.

Estes valores descrevem os limites anunciados pela empresa: três ciclos completos por dia, todos os dias, durante 30 anos ultrapassariam os 30 mil ciclos indicados.

A entrada em produção em escala representa, segundo os responsáveeis da empresa, o passo decisivo para concretizar essa proposta.

A fabricante afirma também que o sistema não necessita de reforços programados de capacidade ao longo dessa vida útil para compensar a degradação. Trata-se de uma característica relevante para instalações de armazenamento que precisam de funcionar durante décadas.

Capacidade deverá chegar a 1 GWh em 2027

A primeira fase da unidade tem uma capacidade nominal de produção de 250 MWh por ano. Os planos da EnerVenue apontam para uma subida para 1 GWh em 2027 e para vários gigawatts-hora anuais em 2028.

A fábrica ocupa cerca de 20 mil metros quadrados, com espaço previsto no mesmo edifício para uma segunda fase de dimensão equivalente.

Para facilitar a expansão, a empresa optou por estações de produção normalizadas. Assim, o aumento da capacidade deverá passar pela replicação dessas estações, servindo esta linha de modelo para futuras unidades próximas dos mercados que irão abastecer.

Cada célula passa por 41 verificações

A EnerVenue indica que cada célula é submetida a 41 verificações de qualidade, distribuídas por 11 estações de teste e medição, antes de sair da fábrica.

Os controlos abrangem a integridade das soldaduras, a estanquidade e o desempenho. Os conjuntos de baterias de 150 kWh são igualmente testados no local antes do envio para os clientes.

Segundo a fabricante, todas as máquinas da linha foram previamente desenvolvidas e validadas numa instalação de investigação e desenvolvimento situada a seis quilómetros de distância.

O argumento está no custo ao longo das décadas

A EnerVenue posiciona esta tecnologia sobretudo face a soluções como a bombagem hidroelétrica, as baterias de fluxo e o armazenamento por ar comprimido.

O argumento comercial centra-se na quantidade de energia que o sistema consegue armazenar e devolver ao longo de 30 anos, bem como no custo total de o manter em funcionamento.

Uma maior durabilidade poderá reduzir a necessidade de substituir baterias ou acrescentar capacidade durante a exploração de um projeto. Contudo, os 30 mil ciclos e os 30 anos são valores de projeto anunciados pela fabricante, e a informação divulgada não apresenta preços que permitam comparar diretamente a competitividade da solução.

A produção em escala abre agora caminho para avaliar como esta tecnologia se comporta em instalações comerciais e até que ponto consegue cumprir a promessa de transformar as baterias em infraestruturas para várias décadas.

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  1. Avatar de José
    José

    É importante haver novas formas de armazenar a energia, pois fabricar/captar é fácil; o guardar para gastar mais tarde é que não é fácil.