As travagens fantasma dos carros podem mudar a forma como a culpa é atribuída nos acidentes
Os sistemas de travagem automática de emergência (AEB) tornaram-se obrigatórios nos automóveis novos na União Europeia e são vistos como uma das maiores evoluções em matéria de segurança rodoviária. No entanto, um problema está a ganhar destaque: as chamadas “travagens fantasma”, em que o veículo trava de forma brusca sem existir um perigo real. Nestes "novos acidentes"... quem bate por trás... poderá não pagar!
Sim, este novo tipo de comportamento dos novos carros poderá abrir um novo debate jurídico sobre a responsabilidade em acidentes por colisão traseira. A velha regra que muitos consideravam praticamente absoluta. "quem bate por trás é sempre o culpado", poderá ter de ser revista.
O que são as travagens fantasma?
O sistema AEB utiliza câmaras, radares e sensores para detetar veículos, peões, ciclistas ou outros obstáculos. Quando identifica um risco de colisão, avisa o condutor e, caso este não reaja, aplica automaticamente os travões.
O problema é que estes sistemas nem sempre interpretam corretamente o ambiente. Mudanças bruscas de iluminação, sombras, pontes, ramos de árvores, sinais ou outros elementos podem ser confundidos com obstáculos reais, levando o automóvel a travar inesperadamente.
Os fabricantes disponibilizam normalmente diferentes níveis de sensibilidade. Quanto mais elevada for essa sensibilidade, maior poderá ser a probabilidade de ocorrer uma travagem desnecessária.
Nos acidentes, a culpa pode deixar de ser apenas de quem segue atrás
Tradicionalmente, quando ocorre uma colisão traseira, presume-se que o condutor que seguia atrás não manteve a distância de segurança suficiente.
Contudo, se ficar demonstrado que o veículo da frente efetuou uma travagem automática sem qualquer motivo válido, essa presunção pode deixar de ser tão clara. Nestes casos, as seguradoras poderão ser obrigadas a analisar os dados registados pelo veículo antes de determinar responsabilidades.
A crescente presença dos sistemas ADAS poderá tornar mais frequentes este tipo de disputas, sobretudo à medida que os automóveis passam a tomar decisões autónomas em determinadas circunstâncias.
Os automóveis registam tudo
Uma vantagem dos veículos modernos é a presença do Event Data Recorder (EDR), frequentemente apelidado de “caixa negra” do automóvel.
Este sistema pode guardar informações importantes nos segundos que antecedem um acidente, como:
- Velocidade do veículo
- Utilização do travão
- Aceleração
- Ativação do AEB
- Intervenção de outros sistemas eletrónicos
Estes dados podem tornar-se determinantes para esclarecer se a travagem foi efetuada pelo condutor ou desencadeada automaticamente pelo sistema.
A segurança continua a ser superior aos riscos
Apesar destes casos, especialistas continuam a considerar que o AEB salva vidas. O objetivo dos fabricantes é privilegiar a segurança, preferindo que o sistema trave perante uma dúvida do que deixar passar uma situação que possa resultar num atropelamento ou numa colisão grave.
No entanto, isso significa aceitar uma margem de erro que poderá provocar algumas travagens desnecessárias ao longo da vida útil do veículo.
A tecnologia continua a evoluir
Desde julho de 2026, todos os automóveis novos matriculados na União Europeia têm de cumprir integralmente o Regulamento Geral de Segurança (GSR), que inclui sistemas ADAS obrigatórios, como a travagem automática de emergência, o assistente de manutenção na faixa de rodagem e outros dispositivos destinados a reduzir a sinistralidade.
À medida que estes sistemas se tornam mais sofisticados, espera-se também uma evolução na legislação, nas decisões das seguradoras e na interpretação dos tribunais sobre a responsabilidade em acidentes onde a eletrónica desempenhou um papel decisivo.
























Não faz qualquer sentido que a culpa seja atribuída ao carro que trava devido a um falso positivo, isto porque, o código da estrada prevê a existência da distância de segurança para o veículo da frente. Atualmente os carros também alertam sobre o risco dessa margem. Se essa distância for garantida, então trata-se de uma false questão. Obrigado
^Isto!!!
O grande problema, é que o típico condutor está sempre colado no cu do carro da frente. O meu carro trava de forma automática para manter a distancia de segurança do carro da frente e já por algumas vezes vi o senhor condutor atras a ficar atrapalhado por não estar a contar…
O meu não trava sozinho, no entanto ontem no trajeto para casa, numa travagem perfeitamente normal por aproximação a uma fila de trânsito, quase ficava com um segundo motor no meu carro, desta vez no porta bagagens. E porquê? Porque os atuais condutores não adequam sequer a velocidade às condições do tráfego, já para não falar que o “anormal” vinha a olhar para baixo…eventualmente telemóvel.
Esta, entre outras atitudes não preventivas deveriam ser punidas exemplarmente (Onde pára a polícia?). E quando refiro exemplarmente é retirar a possibilidade de conduzir durante uns pares de anos a alguém que não tem a capacidade de pensar que quando se está ao volante de uma máquina a atenção deve estar toda lá.
Em qualquer uma das situações, quem se lixa, é sempre o mexilhão.
Quantas vezes, é que já não recebi avisos de carros, ou objetos que estavam parados fora da faixa de rodagem. A sorte é que os Renault’s avisam antes de travar a fundo. Porque já andei num Seat Arona, alugado, que avisa e trava logo a fundo, quando o objeto era um sinal, fora da faixa de rodagem. Escusado será dizer, que foi-me tudo ao chão.
O meu carro faz isso devido ao Active Break Assist.
Tenho de desativar sempre que inicio o carro pq é realmente um perigo.
e a regra de dar distância em relação ao veículo da frente? Sim aquela coisa que é ensinada nas escolas de condução?
quem vai atrâs não precisa é ir colado ao ponto de ver os parafusos da matrícula, certo.
Essa é a regra que deve prevalecer, dar distância de segurança para se travar caso seja necessário.
ouvi dizer que se chama condução defensiva…. mas cowboyada que por cá anda nas estradas, só lhes falta andar de pistola em riste
não posso concordar mais! O problema é que se queres deixar a distância de segurança, é ver todo o chico-esperto a meter-se na nossa frente e a lixar essa distância…. Enfim.
Que distância estamos a falar? 10m, 20m, 500m??? Sim, eu sou um dos que dá sinais de luzes ao da frente quando a distância ultrapassa os 20m quando estamos numa fila!
Como é sabido, essa distância varia com a velocidade. É a que te permite travar a tempo se o carro da frente tiver de travar.
Exatamente, varia com a velocidade, ou seja, é ambígua, não existem valores fixados… Mas o meu comentário estava relacionado com o post anterior: numa situação de para arranca, numa fila, existem muitos “guiadores” que dão distâncias absurdas para o carro da frente e estão-se a marimbar para quem está atrás e ainda por cima chamam de chicos espertos para quem entra à frente deles. Enfim…
So quem tem eletrico devia ir circular nas cidades. Quem nao tem anda de transportes publicos ou bicicleta. Tao simples.
É isso, eu também odeio pobres. Não gosto que estraguem a vista da minha bonita cidade.
Mas os ricos andam de carro a combustão e são os que os podem sustentar…
Rico é que dá 35.000€ por um elétrico…citadino.
Se dá 35 mil por um eléctrico citadino é porque é rico, já que existem nem mais baratos.
Qual é o citadino que custa €35.000 atualmente e já agora qual o preço da versão a combustão idêntica?
Não percebi a relação entre este comentário e a notícia.
Mas de facto o mais simples é olhar apenas para o próprio umbigo e ignorar que essa “solução” é inacessível a mais de metade da população num país de precariedade e baixos salários. (Possivelmente o Sr. Fonseca está a comentar a partir da Suíça).
O que não é tão simples é ter um olhar crítico, solidário, não descriminatório e respostas ao nível das necessidades (e possibilidades) de todos.
Experimente o senhor trazer um carrinho de compras do supermercado de transportes públicos ou bicicleta e, já agora, com uma ou duas crianças, e depois partilhe aqui a sua experiência. Tão simples não é?
Ele não sabe sequer soletrar TRANSPORTE PUBLICO.
O Maluquinho do Clima….
Mais uma ideia paranóica dos parasitas de Bruxelas para forrarem bem os bolsos. Alguém acredita na treta do ‘a segurança supera os riscos?’ Sim, eles. O risco de deixar de forrar os bolsos à custa dos consumidores é uma verdadeira catástrofe.
Perante a mentalidade que se vive nas nossas estradas, na qual o carro da frente é que tem de manter a distância do que vai atrás, isto poderia fazer sentido. Perante o código da estrada no qual, e como é óbvio, a distância de segurança tem de ser mantida por quem vai na retaguarda, isto não faz sentido nenhum. Seria no fundo anular uma regra de segurança básica.
O Código da Estrada está cheio de ambiguidades: já li vários posts a falar de distância de segurança e ninguém sabe definir em números qual a distância pois está é calculada sobre muitos fatores e dá aso às seguradoras de aplicar a fórmula que mais lhe convém. Outro exemplo é a regra de dar prioridade ao veículo da direita num cruzamento ou entroncamento – esta regra apenas existe porque não se gasta dinheiro em sinalização quando se abre estradas novas… Outro exemplo, e talvez mais grave, é não haver uma regra bem definida para circular nas rotundas, pois existe apenas uma recomendação e as seguradoras interpretam à sua maneira. E ainda há muito mais…
A distância de segurança é tanta quanto a distância necessária para imobilizar o veículo em segurança, em função da velocidade. É simples. E é a mesma distância que deixa de haver quando algum palhaço decide que vai aproveitar aquele espaço para se meter, e quem vem atrás que se cuide, e muitas vezes é aqui que reside o problema e lixa-se quem deixou espaço
Relativamente às rotundas artigo 14º A.
A palavra ” deve” no Código da Estrada não indica uma recomendação mas uma obrigação.
Fossem as dashcam obrigatórias e a maioria destas tretas não seria um problema…
Concordo em absoluto com a obrigatoriedade das dashcam e de preferência a a cobrir 360º e o tablier para se ver as acções do condutor!
Não digo obrigatórias, mas pelo menos a quem as tivesse colocado que os dados das mesmas pudessem ser usadas para determinar responsabilidades. Estas e outras medidas fariam parte de um país dito desenvolvido, onde os governantes se preocupassem de facto com o interesse e bem estar dos cidadãos, só que por aqui não acontece…
Se não vier colado não bate.
ESQUECERAM-SE QUE NO CÓDIGO DA ESTRADA, VEM UMA CLÁUSULA EM QUE MANDA SEMPRE GUARDAR DISTÂNCIA DE SEGURANÇA, DO VEÍCULO DA FRENTE. BATEU PORQUE VKNHA ENCOSTADO AO VEÍCULO DA FRENTE E NÃO PODE!!!
Cada condutor deveria ter uma estrada só para si, esta ideia de partilhar a estrada não faz o menor sentido. Se cada um tem o seu carro ou moto ou pernas, porque há de ter que partilhar uma estrada ?
Isso é que era!
Os teslas são um perigo. Basta uma sombra e cá vai disto, travões a fundo.
Tudo o que as escolas ensinaram para guardar distância segura ex.: contar pausadamente “um crocodilo, dois crocodilos…” deixa de ter efeito prático quando se circula atrás de um Tesla. O mais seguro é passa-los o quanto antes.
Outra mentira.
Podem ver as câmaras que quiserem, podem ver os vídeos que quiserem que existe uma regra básica no código da estrada, quem vem atrás tem de manter a distância de segurança para o carro de frente…
Eu sou mediador de seguros e já vi a estupidez de uma seguradora recusar o pagamento de danos na frente de um veículo que foi projetado e embateu no veículo á sua frente devido a um outro que lhe bateu por trás.
Até aí tudo bem se não fosse o facto de ambos os 2 veículos da frente estarem parados num semáforo.
A recusa foi porque alegadamente nao existia distância de segurança em relação ao veículo da frente.
Em para, arranca, por exemplo de 3 carros, o 3* paga ao 2* e o 2 ao 1*, normalmente é assim e como mediador de seguros deve saber isto.
Correção: o 3* paga aos 2 da frente.
Isto nem é uma notícia, é especulação pura.
Sim se alguém bate por trás é porque não cumpriu a distancia de segurança e tem toda a culpa, falam de travagem automática, mas no caso de uma colisão do carro da frente este também pára bruscamente e o motivo pode não ser aparente. Neste caso as luzes de stop podem nem sequer ser accionadas.
É para isso que serve a distancia de segurança, para salvaguardar imprevistos e dar tempo de reacção, por isso sim, se bates por trás tens culpa e vais sempre ter, ponto final.
Especulação? Não, são já estudos, muitos deles promovidos pelas seguradoras, são investigações resultantes de queixas dos condutores e há uma linha de discussão que tem a ver com os comportamentos dos novos carros, mais especificamente esta tecnologia referida no artigo.
Além disso, fala-se também no que é uma regeneração leve e uma mais robusta, que exige que o sinal de STOP dos veículos seja acionado. Tudo isso para proteger tanto quem vai na frente quanto quem está atrás e não tem tempo de reação diante do novo comportamento dos carros.
Qual ponto final, qual quê? Tiraste carta?
Essa ideia errada de quem bate por trás é sempre considerado responsável, não é verdade. Claro que deve manter uma distância que permita parar em segurança mesmo perante uma travagem súbita do veículo da frente. Código da Estrada, artigo 18.º
Contudo, não é uma regra automática. A responsabilidade pode ser parcial ou recair no veículo da frente se, por exemplo, este tiver efetuado uma manobra indevida, circulado em marcha atrás, mudado de via de forma perigosa ou travado sem justificação. A velocidade também deve ser adequada às condições da via e do trânsito. Código da Estrada, artigo 24.º
A seguradora apura a responsabilidade com base na declaração amigável, fotografias, testemunhas, danos nos veículos e eventual participação policial.
Cuidado com essas tuas certezas erradas 😉
condução descontraída é o que se pratica…
Se fosse condução defensiva andavam com o pé pronto para travar, em cima do travão, desta forma reduzindo o risco de colisão.
Afinal o código da estrada é só para atribuir culpa a uma das partes.
Eu tenho um Honda Civic de 2015 que tem sistema automático de travagem de emergência. Já vi americanos queixarem-se de travagens fantasma nos Honda, mas o meu nunca fez. Acontece de vez em quando ele avisar sem motivo real. Mas nunca chegou ao ponto de travar sem motivo.
Ponte 25 de Abril, faixa das grades de metal….já me aconteceram duas travagens fantásticas porque o carro assumiu o comboio a passar no piso inferior….felizmente não aconteceu nada, mas nunca mais pus o carro a circular nessa via.
Fica o aviso.
É curioso isto agora ser um problema ao mesmo tempo que se fala cada vez mais de condução autónoma.
Concordo com grande parte dos comentários porque pelos vistos ninguém falou de distância de segurança, está escrito no código da estrada que se for cumprido e mesmo que o sistema de travagem active sozinho não há problema porque simplesmente ninguém se cola atrás