Criadora do Pokémon Go usou os dados do jogo para treinar robôs de entregas
Quando o Pokémon Go foi lançado, o mundo viu um fenómeno de entretenimento, mas a Niantic estava a construir as bases de algo muito mais ambicioso. Quase uma década depois, os dados recolhidos por milhões de jogadores tornaram-se o combustível para a navegação autónoma de robôs.
O negócio invisível por trás da captura de Pokémons
Em 2016, o lançamento do Pokémon Go alterou a forma como interagimos com o espaço urbano. O título desafiava os utilizadores a explorar as suas cidades para capturar criaturas digitais através do GPS. Contudo, o que parecia ser apenas um passatempo era, na verdade, uma gigantesca operação de recolha de dados.
A Niantic, a empresa por trás do sucesso, aproveitou o rasto digital deixado por milhões de pessoas para desenvolver sistemas que agora orientam robôs de entrega. A Coco Robotics é a primeira grande cliente a beneficiar desta tecnologia que transforma diversão em infraestrutura logística.
Trata-se de um modelo de negócio que poucos anteciparam. A quantidade de informação extraída é colossal: fotografias de monumentos, praças e fachadas de lojas, todas devidamente etiquetadas com coordenadas geográficas exatas. Brian McClendon, CTO da Niantic Spatial, revelou que a aplicação foi instalada por 500 milhões de pessoas logo nos primeiros dois meses.
Mesmo em 2024, o jogo mantinha uma base sólida de mais de 100 milhões de jogadores ativos, garantindo uma atualização constante dos dados cartográficos.
As falhas do GPS e a solução de centímetros
O grande obstáculo para a robótica urbana sempre foi a limitação do GPS tradicional. Em centros urbanos densos, entre arranha-céus e viadutos, o sinal torna-se instável. O chamado "cânone urbano" faz com que as ondas de rádio façam ricochete nas superfícies metálicas e de vidro, gerando erros de posicionamento que podem chegar aos 50 metros.
Para um robô de entregas, este desvio é crítico, pois pode significar estar no passeio errado ou tentar atravessar uma parede.
Para resolver esta questão, a Niantic separou a sua divisão de inteligência artificial (IA), criando a Niantic Spatial em maio de 2024. O seu produto principal é um Sistema de Posicionamento Visual (VPS) treinado com 30 mil milhões de imagens. E
ste sistema permite que uma máquina identifique a sua localização com uma precisão de escassos centímetros, bastando para isso captar algumas imagens do ambiente que a rodeia. A base desta tecnologia reside nos milhões de pontos de interesse mapeados pelos jogadores de Pokémon Go e de Ingress, o jogo anterior da empresa.
Treinar máquinas com fotografias de jogadores de Pokémon Go
Durante anos, os jogadores de Pokémon Go foram incentivados a fotografar os mesmos locais de diferentes ângulos e sob diversas condições meteorológicas ou horários. Esta atividade voluntária criou uma base de dados visual sem precedentes.
Temos mais de um milhão de localizações em todo o mundo onde podemos localizar um dispositivo com precisão absoluta e, mais importante ainda, saber para onde ele está a olhar.
Explicou McClendon.
A Coco Robotics já implementou esta inovação nos seus cerca de mil robôs que operam em cidades como Los Angeles e Helsínquia. Equipados com quatro câmaras, estes dispositivos combinam o GPS com o VPS da Niantic para garantir que a recolha em restaurantes e a entrega à porta do cliente ocorrem sem falhas.
Segundo Zach Rash, CEO da Coco, a prioridade é cumprir os tempos prometidos e eliminar a dependência de sistemas de navegação que falham onde a precisão é mais necessária.
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Não abram a pestana.
Já me faz lembrar o projeto Worldcoin.
Não há almoços grátis.
Mais tarde, quando já não nada a fazer, é que se descobre, o enredo.
Ja viste dao te um jogo de borla e usam dados para treinar servicos que vao tornar a tua vida melhor. Estes totos do linux maluquinhos da privacidade sao um caso de estudo
Deste lado não há nenhum toto de Linux. E sim, dou muito valor, à minha privacidade.
Já agora, pode partilhar aqui com o pessoal do fórum, os seus acessos bancários, entre outros. Não me parece que seja um problema, para si.
Quando as PokeStops estão a metros dos sítios corretos e metade dos scans são feitos ao chão? Sim, os robots de entrega vão funcionar que nem uma maravilha.
Isto é só eles a querer publicidade grátis para atrair investidores ignorantes.