WhatsApp alerta utilizadores vítimas de uma app falsa para iPhone que os espiou
O WhatsApp está a e emitir um alerta para centenas de utilizadores, a maioria em Itália. O serviço de mensagens instantâneas da Meta, indica que estes instalaram uma versão fraudulenta da app para iPhone. Esta versão falsa não foi desenvolvida pela Meta, mas sim pela SIO, uma empresa italiana que se apresenta como fornecedora de soluções de vigilância.
O WhatsApp revelou que a equipa de segurança identificou proativamente cerca de 200 utilizadores, principalmente em Itália, que podem ter descarregado este cliente não oficial malicioso. Trataram de o desligar e alertar as potenciais vítimas para os riscos de privacidade e segurança associados ao download de clientes falsos não oficiais. Também os encorajaram a apagar e a descarregar a app oficial do WhatsApp.
Meta alerta para ciberataque direcionado
O ataque foi descrito como "altamente direcionado" pela Meta, a empresa-mãe do WhatsApp. A porta-voz do WhatsApp, Margarita Franklin, afirmou que, por agora, não é possível adiantar mais detalhes sobre os alvos da operação. O WhatsApp não pode revelar se os alvos são jornalistas ou indivíduos fora do governo e de empresas privadas, mas que trabalham na vida pública.
Em resposta, o WhatsApp enviará uma notificação extrajudicial à empresa de spyware para que esta cesse qualquer atividade maliciosa deste tipo. Esta notificação faz parte da campanha contínua da Meta contra os fornecedores de spyware. A Meta já tinha interposto ações judiciais contra o NSO Group, criador do vírus Pegasus, nos tribunais dos EUA.
Note-se que a SIO já é bem conhecida pelos investigadores de segurança. A empresa italiana está por trás de uma série de apps maliciosas para Android que escondem um spyware chamado Spyrtacus. Particularmente invasivo, este vírus, que surgiu em 2018, foi concebido para roubar mensagens SMS, conversas do WhatsApp, Signal e Facebook Messenger, gravar chamadas, ativar o microfone e a câmara e extrair contactos.
Um novo escândalo em Itália com o WhatsApp
Um ano antes, o WhatsApp já tinha alertado 90 utilizadores italianos sobre o spyware Graphite. Desenvolvido pela empresa israelo-americana Paragon Solutions, este malware foi utilizado pelas autoridades italianas para monitorizar jornalistas e ativistas pró-imigração. O escândalo obrigou a Paragon a rescindir os seus contratos com os serviços de informação italianos.
Segundo um estudo de investigadores da Lookout e da Google, a utilização de uma app falsa para monitorizar alvos é uma prática comum em Itália. As autoridades italianas colaboram regularmente com as operadoras telefónicas para enviar links de phishing a assinantes específicos. Estes enganam, levando a descarregar ferramentas infetadas com spyware, o que permite à polícia recolher informações valiosas sobre os seus alvos.




















