Amazon Leo está quase pronta. Rival da Starlink quer levar Internet por satélite a todo o mundo
Estamos a assistir ao início daquela que poderá ser a próxima grande revolução no acesso à Internet. A Internet por satélite promete acelerar a transformação das comunicações do planeta. Depois de anos de desenvolvimento, a Amazon confirmou que o Amazon Leo, anteriormente conhecido como Project Kuiper, começará a funcionar ainda este ano. O objetivo é claro: tornar-se no maior concorrente da Starlink.
Apesar de chegar mais tarde ao mercado, a empresa de Jeff Bezos acredita que ainda há espaço para conquistar milhões de utilizadores, especialmente em regiões sem acesso a redes de fibra ou 5G.
A Amazon já tem quase 400 satélites em órbita
A empresa anunciou recentemente que ultrapassou os 390 satélites em órbita terrestre baixa (LEO), um número suficiente para iniciar a disponibilização do serviço em determinadas regiões do planeta.
Segundo Chris Weber, responsável pelo programa Amazon Leo, a primeira fase da rede deverá arrancar ainda durante este ano, começando pelas latitudes mais elevadas e expandindo-se gradualmente para outras zonas à medida que novos satélites forem sendo lançados.
O objetivo final continua a ser bastante ambicioso: colocar 3.236 satélites em órbita para garantir cobertura praticamente global, com ligações de elevada velocidade e baixa latência.
More launches, bigger payloads.
With hundreds of flight-ready satellites on standby for launch and new vehicles and infrastructure coming online, Leo teams are prepared to increase deployment rates in year two.
✅ Six fully stacked dispensers ready for launch – another 200+… pic.twitter.com/3xWUdr8LIO
— Amazon Leo (@AmazonLeo) March 23, 2026
Um concorrente direto da Starlink
A comparação com a Starlink é inevitável. Enquanto a SpaceX possui atualmente cerca de 10.000 satélites operacionais, servindo milhões de clientes em dezenas de países, a Amazon está apenas no início da sua expansão.
No entanto, a estratégia da Amazon não passa apenas por competir no mercado residencial.
O Amazon Leo foi concebido para servir:
- Utilizadores domésticos em locais remotos;
- Empresas;
- Governos;
- Operadores de telecomunicações;
- Aviação e transporte.
A infraestrutura combina satélites em órbita baixa com ligações óticas entre satélites e uma vasta rede terrestre apoiada pela infraestrutura da AWS, permitindo reduzir a latência e aumentar a fiabilidade da comunicação.
Três antenas para diferentes tipos de clientes
A Amazon irá disponibilizar três equipamentos diferentes para acesso ao serviço:
- Leo Nano, destinado a utilizadores móveis e aplicações compactas;
- Leo Pro, pensado para habitações e pequenas empresas;
- Leo Ultra, direcionado para clientes empresariais e aplicações industriais.
Todos utilizam a mesma constelação de satélites, diferenciando-se principalmente pelo desempenho e pela capacidade de transmissão de dados.
📡 As três antenas do Amazon Leo
A Amazon irá disponibilizar três antenas para responder às necessidades de diferentes tipos de utilizadores.
Leo Nano
- Antena de 7 polegadas (cerca de 18 cm).
- Peso aproximado de 450 gramas.
- Velocidades até 100 Mbps.
- Destinada a utilizadores móveis, caravanas, embarcações e aplicações portáteis.
Leo Pro
- Antena de 11 × 11 polegadas (cerca de 28 × 28 cm).
- Espessura aproximada de 2,5 cm.
- Peso inferior a 2,3 kg.
- Velocidades até 400 Mbps.
- Será o modelo destinado à maioria dos utilizadores residenciais e pequenas empresas. A Amazon espera produzi-la por menos de 400 dólares, tornando-a uma alternativa competitiva face ao equipamento da Starlink.
Leo Ultra
- Antena de 20 × 30 polegadas (cerca de 51 × 76 cm).
- Débitos até 1 Gbps.
- Direcionada para empresas, operadores de telecomunicações e entidades governamentais.
Os desafios continuam
Apesar dos avanços, o projeto enfrenta vários obstáculos. A Amazon depende de diversos parceiros para colocar os satélites em órbita. Alguns desses lançamentos sofreram atrasos, nomeadamente devido aos problemas enfrentados pelo foguetão New Glenn, da Blue Origin, e pela indisponibilidade temporária do Vulcan, da United Launch Alliance.
Ainda assim, a empresa já garantiu contratos para mais de uma centena de lançamentos, recorrendo a foguetões da United Launch Alliance, Ariane 6, Blue Origin e até da própria SpaceX, sua principal concorrente neste mercado.

A Amazon ainda não anunciou os preços oficiais do serviço Amazon Leo, nem para as mensalidades nem para o custo final da antena.
Ainda há muito caminho para alcançar a Starlink
Embora o início do serviço represente um marco importante para a Amazon, a realidade é que a empresa ainda está bastante distante da dimensão alcançada pela Starlink.
Especialistas acreditam que, tal como aconteceu com a rede da SpaceX nos primeiros anos, o serviço inicial poderá apresentar algumas limitações de cobertura e desempenho até que a constelação cresça significativamente. À medida que mais satélites forem colocados em órbita, a qualidade da ligação deverá evoluir de forma gradual.
Se cumprir o calendário previsto, o Amazon Leo poderá tornar-se, nos próximos anos, a primeira alternativa verdadeiramente global à Starlink, aumentando a concorrência num mercado que promete transformar a forma como milhões de pessoas acedem à Internet, sobretudo nas zonas mais isoladas do planeta.




















Um dia, os veículos de exploração espacial vão ter de fazer “gincana” para conseguirem sair do planeta…