Revolta contra os centros de dados de IA está apenas a começar
A expansão descontrolada dos centros de dados dedicados à inteligência artificial (IA) está a encontrar uma forte barreira na oposição das populações locais. O consumo extremo de recursos está a forçar multinacionais a recuar nos seus planos de expansão tecnológica.
O início da contestação popular
Muito antes do atual boom da IA colocar em risco as redes elétricas de várias regiões, um pequeno grupo de cidadãos abriu o caminho para as batalhas comunitárias que hoje testemunhamos.
Em 2015, a Apple revelou planos para erguer um centro de dados avaliado em cerca de mil milhões de dólares na pacata localidade de Athenry, na Irlanda.
O complexo destinava-se a suportar os serviços europeus da marca, prometendo integrar espaços educativos e reflorestação com espécies nativas, além de funcionar a energia totalmente renovável. Contudo, a gigante tecnológica não previu a forte resistência que iria enfrentar.
As queixas dos residentes surgiram rapidamente, apontando problemas como a poluição sonora, perturbação luminosa, risco de cheias e o impacto na fauna local.
Apesar da aprovação inicial pelas entidades reguladoras, o caso transitou para os tribunais e arrastou-se até ao Supremo Tribunal irlandês. Esgotada pelo impasse legal de vários anos, a Apple acabou por cancelar o projeto em maio de 2018.
Este desfecho demonstrou que o poder das populações locais pode travar os planos das maiores empresas de tecnologia do mundo.
O impacto energético destes dentros de dados
Atualmente, os centros de dados dedicados à IA atingiram dimensões colossais, consumindo tanta eletricidade como estados inteiros. Os cidadãos que residem perto destas infraestruturas queixam-se do aumento das faturas da luz, da degradação da qualidade da água e de ruídos constantes.
Estima-se que a procura de energia comercial supere a residencial pela primeira vez, impulsionada por esta corrida tecnológica que deverá duplicar as suas necessidades energéticas até 2027.
Por este motivo, multiplicam-se as iniciativas para travar estas construções. Só nos primeiros meses deste ano, diversos protestos conseguiram bloquear ou adiar dezenas de projetos avaliados em milhares de milhões de dólares nos Estados Unidos.
Empresas como a QTS viram-se forçadas a abandonar planos de expansão devido à contestação pública, enquanto outras enfrentam barreiras legais de proteção ambiental que proíbem indústrias pesadas, como centros de dados, em zonas costeiras.
Futuro regulatório
Este descontentamento popular já escalou para o plano político. Nos Estados Unidos, existe uma divisão clara sobre como gerir este crescimento.
Enquanto a administração federal tenta acelerar estas construções para manter a liderança tecnológica face à concorrência internacional, vários legisladores propõem medidas drásticas.
Surgem propostas de lei para suspender novas licenças até que se garanta que estas instalações não vão sobrecarregar os consumidores nem prejudicar o ambiente.
A nível local, vários estados já avançaram com leis para impedir que os custos energéticos destes centros sejam imputados aos cidadãos, impondo também limites ao consumo de água e eliminando benefícios fiscais para as empresas tecnológicas.
No entanto, o ritmo legislativo continua lento face à rapidez com que novos projetos de milhares de milhões de dólares continuam a ser anunciados. O combate das populações locais contra estas infraestruturas gigantescas promete ser uma das maiores batalhas sociais e ambientais da próxima década tecnológica.
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A construção do centro de dados da Apple, em Athenry, na Irlanda foi anunciado em 2015, ao mesmo tempo que um na Dinamarca. Os ambientalistas, que pretendiam conservar uma floresta, levaram o caso a tribunal. De recurso em recurso, em outubro de 2017, o Supremo Tribunal decidiu que a construção podia prosseguir. Apesar disso, em abril de 2018, a Apple cancelou o projeto, devido aos atrasos, anunciando a construção de um segundo centro de dados na Dinamarca (o primeiro entrou em funcionamento desde 2017). Escreveu o Guardian (link):
– “Não há dúvida de que a decisão da Apple é muito decepcionante, particularmente para Athenry e o oeste da Irlanda”, disse Heather Humphreys, ministra de negócios e empresas da Irlanda. “Esses atrasos, se nada mais houvesse, sublinharam a nossa necessidade de tornar o planeamento do estado e os processos legais mais eficientes.”
– “Paul Keane, fundador do grupo do Facebook Athenry for Apple, expressou frustração depois da decisão da Apple ser anunciada, dizendo que foi “um golpe absoluto para a localidade e para a Irlanda rural”. O projeto teria sido o maior investimento privado no oeste da Irlanda e teria criado cerca de 300 empregos na construção, bem como 150 empregos permanentes.”
Nestas coisas não há unanimidade.
https://www.theguardian.com/technology/2018/may/10/apple-scraps-850m-irish-data-centre-after-planning-delays-ireland
Portugal e o unico pais que festeja com estes centros de dados. Sabem quantos empregos e dinheiro vai gerar o mega centro de dados de Sines? Zero para Portugal, empregos so para americanos, usam e abusam dos nossos recursos e por causa disso ja nem agua ha para beber em almada
1200 empregos só para gestão dos datacenters, 8000 indirectos para construção, manutenção, e prestadores de serviços vários.
Parem de divulgar asneiras sem nexo, o único motivo de não virem mais datacenters para cá é porque temos dos custos de energia mais caros do mundo.
Almada podes culpar sucessivas governações de esquerda, é a prova viva que esquerda não sabe gerir nada
1200 empregos que mais metade deles são para americanos com visto gold…
ah como é bom a visão economica americana…
Americanos? A maioria são perfis técnicos e manutenções presenciais, que americanos consegues por cá a ganhar o que ganha um tuga?
Para lá de dizer asneiras e pensa
Vejo como uma vantagem, dado os ordenados dos americanos cada um deles paga em impostos o equivalente a 5 portugueses. O estado arrecada muito mais em impostos
Os centros de dados de Sines são arrefecidos com água do mar 🙂 🙂 🙂
Também os almadenses 😀
E por coincidência ficaram todos doentes perto onde e a descarga.
Nunca foi problema com a termoeletrica, e essa bebia muitas x mais agua que o centros de dados
Bom … ainda não descobriram Portugal Se vierem para cá vão descobrir que podem tudo e mais alguma coisa porque por cá vendemos tudo a quem der papel !!
Descobriram mas vai comparar o nosso custo de electricidade com o da Irlanda e a fiscalidade
Em guerra híbrida vão ser alvos preferenciais. Vai ser horrível ter uma coisa dessas à porta de casa.
Um dos maiores de Portugal está em picoas, tens outro perto do aeroporto, outros em Carnaxide, no Porto até tens um datacenter num centro comercial.. estamos todos condenados, essa guerra híbrida vai ser o nosso fim, vou já cancelar todos os almoços que tenha no Saldanha para os próximos 10 anos, achas seguro?
A ti não te vai afetar, visto que moras na lua.