Quantcast

Empresas chinesas de IA estão a roubar dados do Claude e o seu negócio pode estar em risco

7 Comentários

O ecossistema da IA acaba de sofrer mais um abalo com a revelação de práticas controversas no treino de novos modelos. Um relatório detalhado divulgado pela Anthropic aponta o dedo a várias empresas da China, acusando-as de usar sistemas avançados sem autorização. O método em causa extrai capacidades de raciocínio de plataformas de topo, alimentando motores concorrentes.

Claude IA China

Entre as organizações mencionadas estão marcas de peso como a DeepSeek, a Xiaomi e a Moonshot AI. Segundo os registos apresentados, estas empresas recolhem perguntas colocadas por utilizadores e redirecionam todo o fluxo para o Claude, Aproveitam as respostas estruturadas para treinar os seus algoritmos. Esta abordagem contorna anos de desenvolvimento, poupando infraestrutura e tempo de treino computacional.

Claude sob ataque com milhões de operações registadas

Os riscos desta opção ultrapassam em muito a simples infração de propriedade intelectual. Ao canalizar os pedidos para a plataforma da Anthropic, dados confidenciais de empresas, endereços eletrónicos e identificadores pessoais acabam expostos no processo. O que parecia uma consulta privada num assistente transforma-se, na prática, em material não protegido para a construção de arquiteturas concorrentes.

A gigante Alibaba surge com particular destaque neste cenário. Tendo sido associada ao que é descrito como o maior ataque deste género alguma vez documentado. Os relatórios indicam mais de 151 milhões de interações desenhadas para absorver a lógica de funcionamento e a destreza verbal do modelo americano. Um volume desta dimensão ilustra o esforço concertado para encurtar distâncias face aos líderes de mercado.

Risco iminente para a privacidade e futuro do setor

Outro caso de transposição direta de pedidos está na Moonshot AI, conhecida pelas soluções desenvolvidas em torno do portfólio Kimi. Em vez de recorrer ao seu próprio poder de processamento interno, encaminhava pedidos de clientes para as ferramentas da Anthropic, exibindo os resultados como conquistas do seu software. A estratégia permitia simular uma sofisticação inexistente, sacrificando a confidencialidade.

Claude IA China

Este esquema de exploração sistemática de recursos alheios gera uma fratura de confiança num setor cada vez mais regulado. Ao colocar em circulação modelos alimentados por dados obtidos de forma duvidosa, as empresas que recorrem a estas soluções correm sérios perigos legais. As garantias de anonimato caem por terra quando o tráfego é desviado sem consentimento de quem faz as perguntas.

A escalada competitiva no segmento da tecnologia inteligente entra assim numa fase complexa, onde a corrida à supremacia digital parece atropelar a ética e as normas elementares de proteção de dados. Com a publicação deste relatório, o aviso fica lançado tanto para o ecossistema corporativo como para os utilizadores comuns que dependem destas plataformas no quotidiano.

Comentários

7

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Filipe
    Filipe

    É tudo santinhos e contos de fadas dos americanos.
    Os modelos chineses LLM open-weights, podem rodar offline que não sai nenhuma prompt para lado nenhum, Kimi, DeepSeek, GLM, Qwen…

    Era bom essas empresas americanas não atirarem areia para os olhos das pessoas para tentar fugir ás notícias sobre o que se passou com as prompts que usaram de professores matemáticos para no final dizerem que foi a AI a resolver, pesquisem sobre Tristan Buckman e como ele se queixa que usaram as suas prompts para resolver um problema matemático que dava acesso a um premio de milhão de dólares…

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Foi porque o milha de dólares fazia muito falta aos labs, precisavam de pagar 1h de refrigeração

  2. Avatar de Max
    Max

    Uma boa leitura para os fins de semana. Como me parece que o maior perigo da IA está no seu uso por alguém numa garagem destaco do relatório:
    “Ataques sofisticados já não exigem atacantes sofisticados. As capacidades de cibersegurança dos modelos de IA reduziram a lacuna de recursos e ferramentas que antes separava operações estatais altamente financiadas de atores individuais. Nos estudos de caso apresentados abaixo, um “hackista” a utilizar chaves de API roubadas, indivíduos isolados com motivações financeiras e um operador de espionagem estatal mantiveram, cada um, campanhas contra múltiplas vítimas que, há apenas um ano, teriam exigido múltiplos especialistas qualificados e conhecimentos altamente técnicos.”
    (P.S. Recorram ao Gemini para traduzir porque é “aquela máquina”. O termo “hackista” é meu, para referir quem desenvolve atividades de hacker sem precisar de grandes habilidades)

  3. Avatar de Miguel
    Miguel

    A empresa que roubou a internet inteira para treinar uma LLM sente-se ofendida porque outra empresa treinou uma LLM através de um acesso legítimo e pago ao seu serviço. Coitadinhos…

  4. Avatar de Nuno V
    Nuno V

    Destilar, não é roubar dados. Até porque as restantes empresas do ocidente fazem o mesmo com os modelos Chineses. Mas, pelos vistos, só é mau quando são eles a fazer.

    1. Avatar de Mr. Y
      Mr. Y

      E mais, eles não esconderam nada disso. Quem quiser fazer é só ler os papers que eles próprios publicaram. Temos a questão dos safeguards dos modelos abertos mas isso são outros 500

  5. Avatar de Manelito
    Manelito

    «Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão»