Amazon bloqueia o Muse, a IA da Meta que faz compras online por si
A Amazon cortou o acesso ao Muse, o novo agente de inteligência artificial (IA) da Meta capaz de controlar o computador e realizar encomendas autónomas na internet.

Bloqueio imediato do Muse por violação de termos
A Amazon começou a barrar o agente inteligente da tecnológica de Mark Zuckerberg poucas semanas após o lançamento em computadores e dispositivos móveis. Os consumidores que tentaram recorrer ao Muse para efetuar encomendas na plataforma foram confrontados com mensagens de erro a indicar que a ferramenta viola deliberadamente as condições de utilização do serviço.
De acordo com os esclarecimentos prestados pela retalhista, a Meta nunca solicitou qualquer autorização formal para que o assistente operasse no catálogo.
Para além de não se identificar de forma transparente ao navegar no portal, análises internas detetaram indícios de que o software recolhe e retém credenciais, constituindo uma ameaça direta à privacidade das contas dos clientes.

Proteção da publicidade e agentes rivais
Esta medida não se trata de um incidente isolado, dado que a Amazon tem vindo a travar investidas semelhantes de modelos desenvolvidos pela Google, OpenAI e Perplexity. A empresa de Seattle sustenta que qualquer aplicação com capacidade para transacionar em nome de terceiros deve operar com total transparência e cumprir os parâmetros estabelecidos para salvaguardar a segurança do comércio eletrónico.
Existe contudo outro motivo de grande peso para este travão: o modelo de receitas publicitárias. A Amazon gera anualmente perto de 68 mil milhões de dólares com publicidade na sua plataforma, um rendimento dependente da navegação direta dos clientes pelas páginas e respetivas sugestões patrocinadas. Quando uma IA compra diretamente, elimina o contacto visual com as marcas e compromete esse lucrativo ecossistema de anúncios.
Para além disso, a multinacional já disponibiliza os seus próprios mecanismos de automação, como o Alexa for Shopping e o Buy for Me, concebidos de raiz para respeitar as exigências de identificação e validação.
Em resposta às preocupações, a Meta defendeu que o Muse foi desenhado com fortes salvaguardas e não armazena palavras-passe nem cartões de pagamento. O sistema funciona num ambiente virtual isolado e transfere a execução crítica para um módulo secundário chamado Sentinel, concebido especificamente para aprovar ações externas e “blindar” os dados financeiros confidenciais.
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