Ryanair diz estar pronta para o “armagedão”. O que é que isto quer dizer para as suas viagens?
O diretor financeiro da Ryanair admitiu que a companhia aérea tem planos de contingência para o que descreveu como uma "situação de armagedão", ao mesmo tempo que deixou um aviso claro sobre o futuro de algumas transportadoras europeias.
Os mercados petrolíferos mundiais vivem um período de forte volatilidade, e as companhias aéreas europeias estão a ser colocadas à prova de uma forma que muitas podem não conseguir superar.
Foi neste contexto que a Ryanair, a maior transportadoralow cost da Europa, decidiu clarificar a sua posição, lançando um aviso aos concorrentes.
Ryanair admite planos para o pior cenário possível
Em entrevista à CNBC, Neil Sorahan, diretor financeiro da Ryanair, confirmou que a companhia aérea está preparada para aquilo que descreveu como uma "situação de armagedão".
Ainda assim, o responsável foi claro ao afirmar que não acredita que esse cenário se venha a concretizar, garantindo que a Ryanair operará um horário completo tanto no verão como no inverno.

Neil Sorahan, diretor financeiro da Ryanair. Crédito: Getty Images, via Extra.ie
A declaração, embora acompanhada de um tom tranquilizador, não deixa de revelar a dimensão da incerteza que paira sobre o setor. Ter um plano de contingência para o colapso do abastecimento de combustível não é algo que as companhias aéreas anunciem todos os dias.
Mais uma vez, a dependência do petróleo
No centro das preocupações está o bloqueio em curso no Estreito de Ormuz, a passagem estratégica por onde circula uma parte significativa do petróleo mundial.
O conflito no Médio Oriente veio agravar uma situação já de si delicada, empurrando os preços do combustível de aviação para níveis que pressionam fortemente as margens das transportadoras.
O diretor financeiro da Ryanair procurou, no entanto, relativizar os riscos para a empresa em particular, explicando que a Europa está a reduzir gradualmente a sua dependência desta rota, diversificando o abastecimento com recurso a fornecedores como os Estados Unidos, a Venezuela e o Brasil.
Neste cenário, a grande vantagem competitiva da Ryanair chama-se fuel hedging.
A companhia garantiu a cobertura de 80% do combustível necessário para o verão ao preço de 668 dólares por tonelada métrica, uma decisão que se revela, agora, um trunfo considerável face à volatilidade dos mercados.
O fuel hedging é uma estratégia financeira utilizada pelas companhias aéreas para se protegerem contra a volatilidade dos preços do combustível.
Esta ferramenta contratual funciona como um seguro, ou seja, a empresa celebra contratos antecipados com fornecedores ou através de instrumentos financeiros, fixando um preço para o combustível que irá necessitar no futuro.
Desta forma, se os preços do petróleo subirem, a companhia fica protegida, pois já garantiu o seu abastecimento a um valor previamente acordado.
Por outro lado, se os preços descerem, a empresa pode acabar por pagar mais do que o preço de mercado, sendo esta a principal desvantagem da estratégia.
Esta estratégia de cobertura de risco, comum no setor mas nem sempre executada com a mesma agressividade, permite à Ryanair planear com maior certeza os seus custos operacionais, enquanto os concorrentes ficam mais expostos às flutuações dos preços do petróleo bruto.
Ryanair alerta concorrentes
Na mesma entrevista, Neil Sorahan afirmou, sem rodeios, que algumas das transportadoras mais frágeis, nomeadamente aquelas que já estavam em dificuldades antes do início da guerra, poderão "ir à falência no inverno".
Conforme explorámos recentemente, o inverno representa a época mais difícil para as companhias aéreas, com menor procura e custos fixos invariavelmente elevados.
Num mercado onde os preços se deverão manter "elevados durante mais tempo", nas palavras do diretor, a capacidade financeira para absorver choques torna-se um fator decisivo de sobrevivência.
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Com o devido respeito na Europa não utilizo low cost, são “horríveis” para cobrar dinheiro, qualquer dia se quisermos respirar dentro do avião temos de pagar uma taxa extra, na Ásia as low cost até aqui têm sido muito pouco rigorosas, mas já se começa a ver maior controle na bagagem, não tanto como aqui mas vá começam a aprender a “esfolar” o cliente mais um pouco.
Na Europa a competição é tanta que as de “bandeira” tiveram que se aproximar das “low cost”. Não vejo diferença praticamente nenhuma.
Não sei em que companhias viajas , eu por norma faço uma grande viajem por ano intercontinental e não se compara em nada às low cost, e sempre que possível pela Turkish, no ano passado comprei os bilhetes de avião e só depois de comprar é que vi que dizia sem bagagem de porão, eu como viajo de mochila às costas e é bem pequena, por isso levo sempre comigo, mas no aeroporto perguntei se realmente era mesmo assim e a resposta foi, deve ter sido por engano, eu para cá despachei bagagem (recordações 23 Kg, éramos 6 pessoas) e as mochilas com a roupa suja e não me disseram nada.
Acredito que para voos mais curtos tenham essa politica.
E há low cost intercontinental? As low cost na Europa só andam aqui em rotas de poucas horas de distância. Antigamente a TAP era uma série de regalias, até num vôo doméstico, agora paga-se caro com as mesmas regalias de uma low cost, ou seja, nada.
@David Guerreiro, Pois não há, dai eu perguntar qual ou quais as companhias que o @Max falava, eu por opção não conheço quase nada da Europa, a exceção é a Espanha e Polónia, de resto apenas em escalas, nos outros continentes já não é assim, por enquanto estou a viajar para o mais longe possível enquanto ainda há paciência par ir dentro do tubo “avião” e a Europa fica para quando me reformar ir de autocaravana. 🙂 🙂 🙂
Sim, referia-me a voos “na Europa”. Na bagagem de cabine é que as low-cost cortam mais, no resto não vejo diferença assinalável. E cumprem os horários, que é uma coisa que aprecio bastante.
Eu sempre que posso utilizo a Turkish, relação preço qualidade é top, e se fores para longe e se optares pela Turkish opta por voos que digam Touristanbul, as escalas em Istambul são maiores, mas eles oferecem vários passeios ao centro da cidade com tudo incluído, vale muito a pena, fiz no ano passado um deles e recomendo, pagaram pequeno almoço, almoço, autocarro guia e entradas em museus.
“O fuel hedging é uma estratégia financeira utilizada pelas companhias aéreas para se protegerem contra a volatilidade dos preços do combustível” – sim, mas os contratos que existem também se acabam. Se a situação se prolonga, a subida dos custos vai ser brutal:
– Preço do jet-fuel europeu antes da guerra (em fevereiro): 90 -100 USD/barril (como o barril tem 159 L, 0,57- 0,63 USD/L)
– Depois de picos de 175 e 197 USD/barril, está numa média de 162 USD/barril (1,02 USD/L)
– A subida foi entre 62% e 80%.
Na Ryanair representa 40% dos custos (o custo de combustível terá atingido 5,2 milhões de euros em 2025). As low-cost são muito eficientes a reduzir custos, como os custos com pessoal mas têm margens muito baixas – um aumento dos custos totais entre 25% e 32% (0,4 x 0,62 a 0,8) dá cabo delas – a menos que aumentem os preços e cortem nas linhas em que ganham menos. Tal como as de bandeira.
Correção: Na Ryanair representa 40% dos custos (o custo de combustível terá atingido 5,2 – mil -milhões de euros em 2025).
Uma pergunta séria vocês estão a comer a treta de não existir combustíveis nas lajes por ser tratar de contaminação?
Até prova do contrário temos de acreditar, mas cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém.
Qual é a tua teoria da conspiração? 😉
Quiseram sabotarar o combustível para aviões da Base das Lages? Os americanos usam o seu próprio combustível e o para aviões militares é diferente.
Nop nem isso me passou pela cabeça já que os americanos é que trazem o seu próprio combustível.
Estou a falar de sinais de falta de combustível, não quiseram já lançar o pânico?
Também acredito nessa teoria.
Num pequeno aeroporto no meio do Atlântico:
a) ou chegou um lote de jet fuel que não cumpria os critérios de qualidade, ou,
b) não chegou jet fuel nenhum – porque há escassez. Isto apesar do governo português e a Galp garantirem que não há escassez, tal como a UE e as companhias aéreas (pelo menos para já).
Isso é que é cabeça 😉
Um artigo muito interessante da Sic Notícias, em resposta à questão:
“Fiz uma reserva para Cabo Verde, uma semana, de 5 a 12 de junho, [em regime de] tudo incluído. Já paguei [a viagem na totalidade]. Mas ontem, a agência contactou-me a informar que tenho de pagar mais 75 euros por pessoa , a pretexto do aumento do [preço do combustível] do transporte de passageiros.”
A viagem estar totalmente paga impede o aumento do preço?”
https: //sapo.pt/artigo/e-legal-agencia-de-viagens-aumentar-preco-depois-do-pagamento-por-causa-dos-combustiveis-6a0b7372d2558eb2322c8ed3