A guerra na Ucrânia está a entrar numa nova fase tecnológica. A Rússia está a aumentar a utilização de drones equipados com motores a jato, criando um novo desafio para as defesas aéreas ucranianas.

Os novos aparelhos, associados à família Geran, são significativamente mais rápidos do que os drones de hélice utilizados anteriormente. Alguns modelos podem atingir velocidades superiores a 400 km/h, com estimativas a apontarem para valores próximos dos 500 km/h.
Esta velocidade reduz drasticamente o tempo disponível para detetar e intercetar os aparelhos.
Mais rápidos e difíceis de intercetar
Os drones a jato podem também operar a altitudes de cerca de 4 a 7 quilómetros, colocando-os fora do alcance de algumas das armas de curto alcance utilizadas pelas forças ucranianas.
Segundo informações divulgadas pela Ucrânia, a Rússia estará a produzir cerca de 3.000 drones Geran-4 e Geran-5 por mês, sobretudo nas instalações industriais de Alabuga, no Tartaristão.
Moscovo estará ainda a aumentar progressivamente o peso dos modelos a jato nos seus ataques de longo alcance.
A diferença face aos drones Shahed/Geran tradicionais é significativa. Enquanto as versões mais antigas podiam apresentar taxas de interceção superiores a 90%, os drones a jato estarão atualmente a ser intercetados em cerca de 60% dos casos, segundo dados ucranianos.
Uma nova corrida tecnológica
O desafio não está apenas na velocidade. Os novos drones incluem sistemas de navegação e comunicação mais avançados e maior resistência às tentativas de interferência eletrónica.
Um Geran-4 analisado após ser recuperado na Ucrânia revelou um motor turbojato, sistemas de navegação e comunicação e uma câmara, demonstrando a evolução destas plataformas.
A combinação entre velocidade, alcance e produção em massa aproxima estes aparelhos de uma espécie de “míssil de cruzeiro barato”. Não são equivalentes aos mísseis de cruzeiro convencionais, mas podem desempenhar algumas funções semelhantes a um custo potencialmente inferior.

Ucrânia responde com drones intercetores
A resposta ucraniana passa também por uma nova geração de drones: os intercetores.
Estão a ser desenvolvidos aparelhos capazes de perseguir e destruir drones russos a jato, numa tentativa de criar uma solução mais barata do que utilizar mísseis antiaéreos extremamente caros contra cada ameaça.
A guerra está, assim, a criar uma nova corrida tecnológica: drones de ataque → defesa aérea → drones intercetores → novos drones de ataque.
A evolução dos Geran-4 e Geran-5 mostra que os drones estão a deixar de ser apenas armas de baixo custo. Estão a transformar-se em sistemas cada vez mais rápidos, sofisticados e produzidos em grandes quantidades.
E a próxima fase desta guerra poderá depender tanto da capacidade de destruir drones como da capacidade de produzi-los e adaptá-los mais rapidamente do que o adversário consegue desenvolver as suas defesas.


















