Quantcast

Quem cobra mais (e menos) impostos no mundo? Descubra onde está Portugal

8 Comentários

Em Portugal, é frequente ouvir-se que se pagam impostos a mais, e a comparação com outros países surge com regularidade nessa discussão, sem que haja, muitas vezes, números concretos para a sustentar. Ora, este ranking permite pôr o tema em perspetiva.

A receita fiscal em percentagem do PIB é um dos indicadores mais utilizados para comparar o peso dos impostos nas economias de diferentes países. Agora, dados da World Revenue Longitudinal Database do Fundo Monetário Internacional (FMI) de 2024 dão forma a um ranking compilado pela Visual Capitalist.

Importa referir que o indicador considera apenas os impostos, uma vez que o FMI contabiliza as contribuições sociais em separado. Assim sendo, os valores são inferiores aos de indicadores que as somam aos impostos.

Onde os impostos pesam mais

A Dinamarca lidera com 45,3% do PIB, seguida da Bulgária (38,8%) e da Suécia (38,7%), e sete dos 10 países com maior receita fiscal em proporção do PIB situam-se na Europa.

Entre as economias desenvolvidas, o Canadá (29,5%) e a Austrália (29,4%) ficam bastante abaixo da Dinamarca, e os Estados Unidos registam 19,5%, menos de metade do valor dinamarquês.

Estas diferenças refletem em parte a forma como cada país estrutura o sistema fiscal e financia os serviços públicos, uma vez que os países nórdicos tendem a ter bases tributárias amplas, que sustentam programas públicos extensos, enquanto os Estados Unidos recorrem mais à despesa privada em áreas como a saúde e as reformas.

Portugal no quinto superior da lista

Portugal surge em 34.º lugar, com 24,9% do PIB, um valor cerca de 20,4 pontos percentuais abaixo do da Dinamarca, 5,4 pontos acima do dos Estados Unidos e entre 4,5 e 4,6 pontos abaixo do do Canadá e da Austrália.

Entre os países europeus de maior dimensão, Portugal fica à frente de Espanha (23,9%) e da Alemanha (23%), mas atrás de Itália (29,6%), França (28,7%), Reino Unido (28,5%) e Grécia (27,8%), embora a comparação deva ter em conta que o indicador exclui as contribuições para a segurança social.

Os países que menos cobram

No extremo oposto, as economias ricas em petróleo surgem ao lado de alguns dos países mais pobres do mundo, ainda que por razões distintas. A Líbia (1,2%), o Kuwait (1,4%) e o Iraque (1,7%) ocupam as três últimas posições, e o Catar, o Barém e Omã também ficam abaixo dos 5%, porque os recursos naturais representam para estes produtores uma fonte alternativa de receita pública.

Nos países de baixos rendimentos, a baixa receita fiscal pode refletir a dimensão da economia informal e a capacidade limitada de cobrança, pelo que níveis de tributação semelhantes podem ter origens muito diferentes.

Comentários

8

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Patinhas
    Patinhas

    E o que fazem com esses impostos os outros países? Estradas com portagens, escolas sem vagas nem professores, saúde com temos de espera intermináveis?

    1. Avatar de Morty
      Morty

      Esse o problema, enquanto a justiça não funcionar como deveria, impostos vão ser sempre contestados pois sabe se que estamos a pagar o dobro por metade do serviço.

    2. Avatar de V
      V

      Exactamente. Não é só o que se cobra, mas também o que se investe e como se investe,

  2. Avatar de Interessante
    Interessante

    Este parágrafo:

    "Entre os países europeus de maior dimensão, Portugal fica à frente de Espanha (23,9%) e da Alemanha (23%), mas atrás de Itália (29,6%), França (28,7%), Reino Unido (28,5%) e Grécia (27,8%), embora a comparação deva ter em conta que o indicador exclui as contribuições para a segurança social."

    Incluindo as contribuições sociais onde nos enquadramos???

  3. Avatar de Interessante
    Interessante

    Ainda falta o IVA que é 23% e não 21% ou 19% como a maior parte dos países.

    Falta o IUC… e outros….

  4. Avatar de Nuno
    Nuno

    O problema não é (só) o valor que é cobrado nos impostos, mas os rendimentos per capita e a utilização do dinheiro colectado.

    Se juntarmos a isso a espertice da fuga ao fisco, que é cultural, temos uma combinação bombástica.

    Não vejo os nórdicos a reclamarem, mesmo com os impostos brutais que suportam, porque os mesmo são bem aplicados e eles tiram beneficios deles.

    1. Avatar de PorcoDoPunjab
      PorcoDoPunjab

      Nuno, por coincidência, hoje informei-me mais em detalhe sobre a Noruega e o seu wealth tax aos milionários.

      Pelos vistos a Mortégua tem seguidores por aquelas bandas.

      Resultado? Já saíram da Noruega dezenas de multi milionários, incluindo o homem mais rico lá do sítio.

      Para onde foram? Suíça, maior parte deles.

      Quem diria que perseguir os ricos iria fazer com que fugissem e levassem os seus negócios com eles.

      Já sei, para evitar isso vamos meter uma bola de ferro agarrada a cada perna desses exploradores…

      1. Avatar de Grunho
        Grunho

        Podem sair todos já hoje e levar a guia . Sempre puderam sair e não são os cidadãos comuns noruegueses que vão gastar o dinheiro desse parasita. Não têm nada a perder com a saída dele. Uma coisa é certa : o parasita não pode embalar tudo nas malas do avião. E pode muito bem que um dia queira regressar e ter a porta fechada.