Portugal não deve esperar pela computação quântica. Deve preparar-se para ela já
Nos últimos anos, a computação quântica deixou de ser apenas um tema de investigação académica para passar a integrar as estratégias tecnológicas de governos, universidades e empresas em todo o mundo. Contudo, existe uma questão fundamental que nem sempre recebe a atenção necessária: como podem investigadores, estudantes e organizações começar hoje a desenvolver competências e aplicações para uma tecnologia que ainda não está amplamente disponível?

QUANTUMvLAB – laboratório virtual de computação quântica
A resposta passa pelos simuladores e emuladores de computação quântica.
Portugal deu recentemente um passo relevante nesta direção através da criação do QUANTUMvLAB, um laboratório virtual de computação quântica que disponibiliza acesso a um emulador quântico instalado no supercomputador Deucalion.
Esta iniciativa resultou da colaboração entre o CNCA, INESC TEC, INL, IST e Fujitsu, tendo como objetivo aproximar a comunidade nacional das tecnologias quânticas e acelerar a preparação para a próxima geração de computação.
Num momento em que a Europa está a investir fortemente em infraestruturas quânticas através da iniciativa EuroHPC, esta aposta assume uma importância estratégica para Portugal. A questão já não é saber se a computação quântica terá impacto. A questão é perceber quais países, instituições e empresas estarão preparados quando essa transformação atingir maturidade.
Os computadores quânticos prometem revolucionar áreas como a descoberta de novos materiais, a química computacional, a otimização industrial, a criptografia e a inteligência artificial. Contudo, a realidade é que ainda estamos numa fase inicial da sua adoção. Os recursos disponíveis são escassos, os sistemas apresentam limitações técnicas significativas e o acesso continua, muitas vezes, restrito a projetos altamente especializados.
É precisamente por isso que os emuladores quânticos desempenham um papel tão importante.
Ao disponibilizar um ambiente de experimentação suportado pela infraestrutura HPC do Deucalion, Portugal permite que investigadores, estudantes e empresas desenvolvam algoritmos, testem conceitos e adquiram competências sem esperar pela disponibilidade em massa de computadores quânticos. O emulador quântico instalado na partição ARM do Deucalion utiliza a ferramenta Qulacs, uma das plataformas de simulação quântica mais reconhecidas internacionalmente.

Relevância desta abordagem vai além da investigação científica
A história da inovação mostra que os países que lideram novas revoluções tecnológicas não são necessariamente aqueles que dispõem primeiro de infraestrutura de ponta. São aqueles que constroem antecipadamente talento, conhecimento e ecossistemas de inovação.
Foi assim com a Internet. Foi assim com a inteligência artificial. E será também assim com a computação quântica.
O CNCA, criado para gerir e promover a computação avançada em Portugal, reconhece precisamente esta necessidade de desenvolver competências nas áreas de HPC, Inteligência Artificial, Cloud, Dados e Quantum, aproximando a academia, os centros de investigação e o setor empresarial.
Do lado da indústria tecnológica, iniciativas como os emuladores quânticos desenvolvidos sobre arquiteturas HPC demonstram que existe uma ponte concreta entre o presente e o futuro. A experiência acumulada em sistemas de computação avançada permite criar ambientes híbridos onde a computação clássica e os paradigmas quânticos coexistem, preparando aplicações que amanhã poderão tirar partido de computadores quânticos reais.
Combinação entre HPC e computação quântica é particularmente relevante para Portugal
O país possui hoje infraestruturas de computação avançada competitivas a nível europeu, acesso às iniciativas EuroHPC e uma comunidade científica cada vez mais ativa nas áreas de Inteligência Artificial, otimização e ciências computacionais. O passo seguinte consiste em transformar estes ativos numa vantagem competitiva sustentável.
Mais importante ainda, esta estratégia democratiza o acesso à inovação.
Ao disponibilizar um ambiente aberto para experimentação e formação, o QUANTUMvLAB permite que estudantes, startups, investigadores e empresas desenvolvam competências que serão críticas na próxima década.

Num mundo em que a corrida tecnológica se acelera, esperar pela maturidade tecnológica já não é uma opção. As organizações vencedoras serão aquelas que aprenderem, experimentarem e construírem capacidades antes dos restantes.
A computação quântica ainda poderá estar numa fase inicial, mas a preparação para essa realidade já começou.
E Portugal está a demonstrar que pretende fazer parte dessa transformação.
Porque o verdadeiro desafio não é apenas construir computadores quânticos. É construir uma comunidade capaz de utilizá-los quando chegarem.
Artigo de opinião conjunto FSAS Technologies / Centro Nacional de Computação Avançada (CNCA)
Artigo de opinião da Fsas Technologies – para mais informação contacte-nos


















