Passageiro quase foi sugado por janela de um Boeing 737 da Ryanair (vídeo)
Uma aterragem de emergência na Grécia voltou a colocar a segurança da aviação comercial sob os holofotes. Um voo da Ryanair foi obrigado a regressar ao aeroporto poucos minutos após a descolagem, depois de uma janela do avião se ter desprendido durante o voo, provocando uma despressurização da cabine.
Segundo várias fontes, um passageiro chegou mesmo a ser parcialmente sugado para o exterior.
O que aconteceu?
O voo partiu de Salónica com destino a Memmingen, na Alemanha, mas regressou ao aeroporto de origem pouco depois da descolagem. A Ryanair confirmou que uma janela de passageiro se desprendeu em pleno voo e que um ocupante necessitou de assistência médica após a aterragem.
Segundo informações avançadas por meios de comunicação gregos e confirmadas por fontes ouvidas pela Reuters, um fragmento do motor poderá ter atingido a janela, provocando a sua quebra e a consequente perda súbita de pressão na cabine. Esta informação continua, contudo, sob investigação oficial.
Porque é que um passageiro pode ser “sugado” para fora?
Embora seja frequentemente descrito dessa forma, o fenómeno não resulta de uma força que “puxa” os passageiros para o exterior. A cerca de 5.000 a 6.000 metros de altitude, a pressão atmosférica no exterior é muito inferior à existente no interior da cabine, que é mantida artificialmente através do sistema de pressurização do avião.
Quando surge uma abertura de grandes dimensões, o ar escapa rapidamente para o exterior, criando um fluxo extremamente violento. Quem estiver muito próximo da abertura pode ser projetado na sua direção devido à enorme diferença de pressão.
É precisamente por isso que os cintos de segurança continuam a ser uma das medidas de proteção mais importantes durante o voo.
Como funciona a pressurização de um avião?
Os aviões comerciais modernos, como o Boeing 737 envolvido neste incidente, utilizam ar comprimido proveniente dos motores para manter a cabine pressurizada.
Todo este sistema é gerido automaticamente por computadores que controlam:
- A pressão interna da cabine.
- A entrada de ar fresco.
- A saída controlada através das válvulas de descarga (outflow valves).
Mesmo quando o avião voa a mais de 10.000 metros de altitude, a cabine mantém uma pressão equivalente à encontrada entre 1.800 e 2.400 metros acima do nível do mar, permitindo que passageiros e tripulação respirem normalmente.
BREAKING: Ryanair passenger reportedly saved from being sucked out the cabin after window fails during a flight from Thessaloniki to Memmingen.
According to local media Ryanair flight FR1879, a Boeing 737-8AS, returned safely to Greece on Friday after part of a damaged engine… pic.twitter.com/YPgRodjPFp
— Breaking Aviation News & Videos (@aviationbrk) July 10, 2026
O que acontece quando há uma despressurização?
Sempre que os sensores detetam uma perda rápida de pressão, entram automaticamente em funcionamento vários sistemas de emergência:
- As máscaras de oxigénio caem automaticamente sobre os passageiros.
- Os pilotos iniciam uma descida rápida para uma altitude onde seja possível respirar sem assistência.
- É declarado um estado de emergência e é preparada uma aterragem o mais rapidamente possível.
As imagens divulgadas nas redes sociais mostram precisamente as máscaras de oxigénio ativadas durante o incidente.
As janelas dos aviões são suficientemente resistentes?
Sim. As janelas dos aviões comerciais são componentes altamente sofisticados.
Na realidade, cada janela é composta por várias camadas de acrílico de elevada resistência e foi concebida para suportar:
- Grandes diferenças de pressão.
- Temperaturas que podem descer abaixo dos 50 graus negativos.
- Impactos de aves.
- Vibrações constantes durante milhares de horas de voo.
Uma falha deste tipo é extremamente rara e, por norma, resulta de danos provocados por outros componentes, defeitos estruturais ou acontecimentos excecionais, razão pela qual este caso será alvo de uma investigação técnica detalhada.
Um incidente raro, mas levado muito a sério
Apesar do enorme susto, o Boeing 737 conseguiu regressar em segurança ao aeroporto de Salónica e aterrou sem incidentes adicionais. A Ryanair disponibilizou posteriormente outro avião para transportar os passageiros até ao destino final.
As autoridades aeronáuticas deverão agora determinar se a quebra da janela foi causada por um problema estrutural, por uma falha mecânica no motor ou por outro fator ainda desconhecido.
O resultado da investigação será fundamental para compreender um incidente que, embora muito raro, demonstra a elevada complexidade tecnológica e os múltiplos sistemas de segurança presentes na aviação moderna.























Antes da investigação: falha humana.
Depois da investigação: falha humana.
Estes “incidentes” isolados irão culminar em algo mais sério, mais dia menos dia. O facto de se colocar pressão na hora da manutenção é algo que não deveria acontecer…mas acontece.