“Multibanco Social” vai chegar às freguesias mais isoladas de Portugal
De nome "Multibanco Social", o projeto-piloto arranca até ao final do primeiro semestre e pode abranger cerca de duas dezenas de freguesias sem acesso a numerário.
A SIBS está a trabalhar, em conjunto com bancos e entidades públicas, numa solução para levar caixas automáticas às zonas do país onde o acesso a dinheiro físico é praticamente inexistente.
O chamado "Multibanco social" deverá ser apresentado ao público até ao final de junho.
41% das freguesias sem acesso a numerário
Portugal tem um problema sério de desigualdade no acesso a dinheiro em numerário. Apesar de mais de 98% da população viver a menos de cinco quilómetros de uma caixa automática ou balcão bancário, esses números nacionais escondem uma realidade bem diferente nas zonas do interior.
Segundo dados do Banco de Portugal referentes a 2022, mais de 1200 freguesias, o equivalente a cerca de 41% do total, não têm qualquer meio físico de levantamento de dinheiro.
Em alguns casos, é preciso percorrer até 17 quilómetros para encontrar uma caixa automática.
Este problema agravou-se nos últimos anos com o encerramento de balcões bancários e a retirada de caixas automáticas em diversas localidades, afetando particularmente populações vulneráveis e idosas.

Em 2022, mais de 1200 freguesias, o equivalente a cerca de 41% do total, não tinham qualquer meio físico de levantamento de dinheiro.
"Multibanco Social" leva caixas automáticas para as juntas de freguesia
Para combater este "deserto de numerário", a SIBS está a desenvolver uma solução que passará pela instalação de caixas automáticas nas juntas de freguesia das regiões mais afastadas.
O projeto-piloto abrangerá cerca de duas dezenas de freguesias e o seu lançamento está previsto para os próximos meses.
A empresa confirmou que está a trabalhar "em conjunto com diversas entidades públicas numa solução que alargue o acesso a numerário e outras operações financeiras do dia-a-dia" às regiões identificadas pelo Banco de Portugal como mais carenciadas.
No mínimo, estes equipamentos permitirão levantamentos de dinheiro, mas poderão também incluir serviços como pagamentos e transferências, dependendo das decisões dos parceiros envolvidos.
Cash-in-shop: outra solução em cima da mesa
Além do chamado "Multibanco social", está também a ser equacionada a possibilidade de levantar dinheiro diretamente em supermercados e comércio local, por via de um modelo conhecido como cash-in-shop, já comum em vários países europeus, nomeadamente Alemanha e Países Baixos.
Esta abordagem funciona da seguinte forma: o cliente paga as compras com cartão e solicita, por exemplo, 20 euros extra em dinheiro. O comerciante entrega esse valor em notas e o montante total é debitado na conta.
Em Portugal, os pontos de acesso a este serviço no comércio são ainda muito escassos, mas a nova diretiva europeia de pagamentos cria condições mais favoráveis para a sua expansão.
Banco de Portugal não quer "deixar ninguém para trás"
O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, tem sido um dos principais defensores desta causa. Em março, sublinhou que o objetivo não é forçar ninguém a usar dinheiro físico, mas garantir que a escolha existe.
Se as pessoas quiserem ter acesso ao numerário, devem ter essa possibilidade. Se as pessoas preferem pagar com os seus telemóveis ou com os seus cartões, também devem ter essa possibilidade.
Afirmou Álvaro Santos Pereira, clarificando que "o Banco de Portugal não quer deixar ninguém para trás".
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Aconselho a ter algum dinheiro líquido em casa pois pode haver um apagão e os cartões não funcionam.
Se houver apagão não vai poder comprar em lado nenhum. De pouco lhe serve o dinheiro. Só para limpar o rabo.
Olha, no dia do apagão fui comprar um fogão de campismo a gás e umas botijas. Paguei a dinheiro na loja que estava aberta (como estavam muitas lojas abertas). Ao almoço ainda me safei com grão de bico e atum em lata mas ao jantar apetecia alguma coisa quente.
Mas as coisas não estavam a ir no caminho desejado por alguns de não existir dinheiro físico? Não me digam que apagões de energia eléctrica, cortes prolongados das telecomunicações em algumas zonas do país, estão a fazer alguns reconsiderarem a utilidade do dinheiro físico?
Espero que o “Multibanco Social”, seja um multibanco normal, com tudo o que eles fazem em qualquer lado, mas o “social” seja apenas de estar onde as entidades bancárias normalmente não os colocariam.
Espero também que os apagões eléctricos e de telecomunicações levem a considerar melhores alternativas energéticas e tecnológicas para manter os equipamentos a funcionar e a comunicar.
Curiosamente, há poucas juntas de freguesia com caixas multibanco instaladas nas suas instalações. Que tal começarem por aí? Esses sim deveriam ser os primeiros a fazer algum serviço público. No entanto, quantas e quantas lojas e cafés de bairro e da terrinha são os verdadeiros “serviços públicos” que safam as pessoas.
Se leres bem é essa a solução que a SIBS quer aplicar.
Sim, mas a questão é… e as freguesias porque não se mexem mais? Já era coisa para terem há anos. Claro que agora vão é arranjar maneira de pagar à SIBS. Quando podiam bem até ter acordos com os bancos (ou a CGD que afinal é pública) para ter uma “mini” agência nas juntas.
Até os correios preferem trabalhar com lojas privadas porque muitas juntas de freguesia não os querem (e sinceramente até acho que ficamos mais bem serviços com alguns privados do que com algumas juntas).
Eis como se passa um encargo que deveria pertencer á Banca, para o erário público.
Os custos associados serão pagos pelo Estado (todos nós) e os lucros pertencerão á Banca/SIBS (que na realidade são a mesma coisa).
Um “negócio da China” á Tuga!
Provavelmente o pessoal de Bragança só para dar um exemplo também pensa como tu, anda a pagar uma linha de metro que o mais provável é nunca lá sentar o rabo, viver em sociedade é isto mesmo, é uns ajudar os outros, não queres comprar o custo deste serviço ao custo do metro ou Aeroporto.
A banca é um negócio vai estar onde der lucro, num mundo ideal seria como estás a dizer, o problema é que não vivemos num mundo assim, a alternativa é estas pessoas não terem “nada”.
Medida útil, mas não chega! É preciso que as abasteçam com notas periodicamente para que não estejam semanas consecutivas sem notas, como já hoje é o caso em muitos MB do interior….
Cash in shop é que é a solução. Até beneficia os comerciantes!