Missão TESS da NASA está a transformar o céu noturno num mapa vivo do Universo
É apenas uma imagem incrível do nosso universo. A NASA revelou uma nova visualização impressionante do céu observada pela missão TESS. O resultado parece quase artístico. Vemos, na verdade, milhares de estrelas brilhantes, nuvens galácticas e pontos luminosos espalhados pelo firmamento.
Em cima, vemos a imagem do céu inteiro foi construída a partir de 96 setores do TESS. No final de setembro de 2025, quando a última imagem deste mosaico foi captada, o TESS tinha descoberto 679 exoplanetas (pontos azuis) e 5.165 candidatos (pontos laranja).
O arco brilhante que atravessa o centro é o plano da Via Láctea. A Grande Nuvem de Magalhães pode ser vista ao longo da borda inferior, logo à esquerda do centro. As áreas pretas dentro da forma oval indicam regiões que o TESS ainda não captou.
A incrível missão TESS
A missão TESS foi criada para encontrar exoplanetas, especialmente mundos semelhantes à Terra que orbitam estrelas próximas do nosso planeta.
Desde o lançamento, em 2018, o observatório espacial já revolucionou a astronomia moderna, ajudando os cientistas a identificar milhares de candidatos a novos planetas.
Um caçador de planetas que observa quase todo o céu
Ao contrário da missão Kepler, que se focava numa pequena região do céu, a TESS foi desenhada para observar praticamente toda a esfera celeste.
O satélite utiliza quatro câmaras ultra grande angular que, juntas, conseguem monitorizar enormes áreas do espaço ao mesmo tempo.
O método utilizado chama-se “trânsito”. Quando um planeta passa em frente da sua estrela, provoca uma diminuição mínima no brilho observado. A TESS mede essas variações com enorme precisão.
É graças a esta técnica que os astrónomos conseguem calcular:
- O tamanho do planeta
- O tempo que demora a orbitar a estrela
- A distância à estrela
- Possíveis características atmosféricas
A missão concentra-se sobretudo em estrelas próximas e brilhantes. Isto é essencial porque permite que telescópios mais avançados, como o Telescópio Espacial James Webb, consigam depois estudar esses planetas com muito mais detalhe.
O céu noturno como nunca foi visto
A nova composição divulgada pela NASA mostra a enorme quantidade de objetos registados pela missão. A imagem junta anos de observações e cria uma espécie de mosaico cósmico do céu.
Além de estrelas individuais, é possível observar:
- Regiões densas da Via Láctea
- Nebulosas
- Galáxias distantes
- Poeira interestelar
- Aglomerados estelares
O mais fascinante é que cada ponto luminoso pode esconder sistemas planetários completos.
A TESS consegue observar mudanças subtis no brilho de milhões de estrelas. Isso transforma o telescópio numa verdadeira máquina de deteção de mundos invisíveis.

Até à data, os cientistas confirmaram mais de 6.270 exoplanetas através de missões como a TESS, o Telescópio Espacial Kepler da NASA, já desativado, e outras instalações.
Já descobriu centenas de planetas confirmados
Segundo os dados mais recentes, a missão já identificou milhares de candidatos a exoplanetas e centenas deles foram oficialmente confirmados.
Entre as descobertas mais importantes estão:
- Super-Terras
- Planetas em zonas habitáveis
- Mundos que orbitam duas estrelas
- Planetas extremamente quentes
- Sistemas planetários compactos
Alguns destes mundos encontram-se relativamente perto da Terra em termos astronómicos, o que os torna candidatos prioritários para futuras análises atmosféricas.
Os cientistas procuram sinais químicos específicos, como:
- Vapor de água
- Metano
- Dióxido de carbono
- Oxigénio
No futuro, estas análises poderão ajudar a responder a uma das maiores questões da humanidade: existe vida fora da Terra?
Uma missão relativamente barata… mas extremamente poderosa
Curiosamente, a missão TESS custou muito menos do que outros grandes projetos espaciais da NASA. Ainda assim, tornou-se uma das mais produtivas da história da astronomia moderna.
O observatório foi lançado num foguete Falcon 9 da SpaceX e opera numa órbita altamente elíptica à volta da Terra, chegando a aproximar-se da distância da Lua.
Essa órbita especial permite:
- Reduzir interferências da Terra
- Poupar combustível
- Garantir observações mais estáveis
- Transmitir grandes volumes de dados regularmente
A importância da TESS para a astronomia moderna
A missão não serve apenas para encontrar novos planetas. Os dados recolhidos estão também a ser utilizados para estudar explosões estelares, oscilações de estrelas gigantes, buracos negros, supernovas e até objetos do próprio Sistema Solar.
A quantidade de informação produzida é tão gigantesca que muitos investigadores recorrem atualmente à inteligência artificial e a sistemas de aprendizagem automática para analisar os dados da missão.
A TESS transformou-se, assim, numa das maiores bibliotecas astronómicas alguma vez criadas.
Um mapa do Universo que continua a crescer
Cada nova observação acrescenta mais detalhe a este retrato colossal do céu noturno. A NASA descreve a missão como uma ferramenta essencial para encontrar os próximos grandes alvos da exploração espacial.
E há algo particularmente fascinante nesta ideia, muitos dos pontos de luz que vemos nestas imagens podem ter planetas com oceanos, atmosferas ou até condições favoráveis à vida.
A TESS não está apenas a fotografar estrelas. Está, lentamente, a construir o primeiro grande catálogo de mundos potencialmente habitáveis da nossa vizinhança cósmica.



















