A gestão de memória no Windows 11 sofreu uma reviravolta inesperada. Sem qualquer anúncio, a Microsoft eliminou da sua documentação oficial todas as referências que recomendavam 32 GB de RAM para obter o máximo desempenho do sistema. A decisão surge num momento em que a indústria tecnológica enfrenta uma crise, forçando Microsoft a mudar a sua estratégia comercial.
O recuo silencioso nas recomendações da Microsoft
Até recentemente, os guias de suporte da Microsoft apontavam os 32 GB como o ideal para jogos avançados e multitarefa pesada. No entanto, esses artigos desapareceram, com as ligações originais a serem redirecionadas para a página principal. Esta limpeza discreta na documentação reflete o impacto do aumento vertiginoso nos preços da memória DRAM, impulsionado pela corrida à IA.
A escalada de custos no hardware encareceu a produção de novos equipamentos e contribuiu para a primeira queda nas vendas globais de computadores após vários trimestres de crescimento. Para contornar este cenário, a tecnológica reajustou a oferta e lançou novas versões da linha Surface com configurações base de apenas 8 GB de RAM, mantendo preços mais competitivos no mercado.
Reviravolta comercial e o regresso aos 8 GB de RAM
Esta mudança gerou uma contradição evidente na linha de produtos da marca. Os novos modelos de entrada com 8 GB não cumprem os requisitos mínimos de 16 GB que a própria Microsoft estabeleceu para a certificação Copilot+ PC. A empresa passou assim a vender dispositivos Surface que falham o seu próprio padrão de computadores para inteligência artificial.
Paralelamente, o discurso comercial foi adaptado à nova realidade. Se anteriormente os 8 GB eram considerados limitados para as exigências do Windows 11, as páginas oficiais promovem agora essa capacidade como perfeitamente adequada para navegação na web, consumo de conteúdos e produtividade diária.
Windows 11 vai ficar mais leve até ao fim do ano
Para garantir que os computadores com menos memória mantêm uma resposta rápida, a Microsoft prometeu otimizar o consumo de recursos do sistema operativo. O objetivo passa por reduzir a pegada de memória do Windows 11 através de atualizações previstas até ao final do ano, tornando a experiência de utilização mais ágil em equipamentos modestos.
A estratégia técnica foca-se na modernização da interface. A empresa está a substituir os componentes baseados em tecnologias Web, conhecidos pelo elevado consumo de RAM, por aplicações nativas construídas em WinUI 3. Com esta reformulação interna, a Microsoft procura resolver o problema do desempenho sem exigir que os utilizadores invistam em hardware mais caro.




















