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Maior foguetão do mundo sobreviveu 24 dias no mar. Agora é um “tesouro” para a SpaceX

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Para os engenheiros da SpaceX, esta nave poderá agora ser tão valiosa como os dados recolhidos durante o próprio voo.

A SpaceX conseguiu algo inesperado no 13.º voo da Starship. Depois de atravessar a atmosfera terrestre e executar uma amaragem controlada no oceano Índico, a enorme nave não explodiu. Ficou a flutuar praticamente intacta e, 24 dias depois, foi finalmente rebocada para águas mais calmas junto à Ilha Christmas.

Starship fez história no 13.º voo

O Flight 13 arrancou da Starbase, no Texas, a 24 de julho de 2026. Foi o segundo voo da nova geração V3 da Starship e tinha vários objetivos importantes.

A Ship 40 completou a subida utilizando os seis motores Raptor, colocou em trajetória 20 satélites Starlink V3 de demonstração e realizou com sucesso uma nova ignição de um motor Raptor durante o voo espacial.

Mas foi no regresso à Terra que aconteceu o resultado mais interessante.

Depois de atravessar novamente a atmosfera, a nave realizou a manobra de rotação, reacendeu os três motores Raptor destinados à aterragem e executou uma amaragem suave no oceano Índico.

E, ao contrário do que aconteceu em testes anteriores, não explodiu quando tombou sobre a água. A estrutura de 52 metros permaneceu a flutuar e continuou inclusivamente a transmitir dados.

Uma Starship passou 24 dias no oceano

A SpaceX percebeu rapidamente que tinha diante de si uma oportunidade rara: recuperar uma Starship que tinha efetivamente viajado pelo espaço, atravessado a atmosfera e sobrevivido.

O problema era a localização e, sobretudo, o estado do mar.

Durante semanas, as equipas tentaram estabilizar e rebocar a Ship 40 enquanto enfrentavam condições marítimas cada vez mais difíceis.

A situação chegou a parecer tão complicada que Elon Musk admitiu, a 7 de agosto, que a recuperação da nave não estava a correr bem. Contra essas expectativas, a operação acabou por resultar.

Após aproximadamente 24 dias no mar, a Starship foi transportada cerca de 800 quilómetros e chegou às águas mais calmas junto à Ilha Christmas, território australiano no oceano Índico.

Uma equipa de engenheiros da SpaceX deslocou-se então ao local para analisar a nave antes de ser decidido o passo seguinte da recuperação.

O verdadeiro tesouro são os milhares de placas térmicas

Recuperar a Ship 40 permite algo que os dados de telemetria, câmaras e drones não conseguem substituir completamente: examinar fisicamente uma Starship depois de uma reentrada real.

Um dos pontos de maior interesse é o escudo térmico.

A Starship utiliza mais de 18 mil placas cerâmicas destinadas a proteger a estrutura de aço inoxidável das temperaturas extremas durante a reentrada atmosférica. A SpaceX tem vindo a alterar materiais, fixações e disposição destas placas precisamente porque o escudo térmico continua a ser um dos elementos fundamentais para tornar a nave verdadeiramente reutilizável.

Com a Ship 40 praticamente intacta, os engenheiros podem agora procurar placas partidas ou deslocadas, analisar zonas onde o calor atravessou a proteção, estudar deformações estruturais e verificar o estado dos motores e das superfícies aerodinâmicas.

São dados particularmente valiosos porque mostram não apenas se o sistema funcionou, mas como envelheceu depois de funcionar.

O objetivo não é amarar. É voltar à torre

Apesar do sucesso, colocar uma Starship no oceano nunca foi o objetivo final da SpaceX.

A empresa pretende que tanto o Super Heavy como a própria Starship regressem à zona de lançamento e sejam capturados pelos enormes braços mecânicos da torre, conhecidos informalmente como “Mechazilla”.

O Super Heavy já demonstrou esta capacidade. O passo muito mais difícil será fazer o mesmo com a nave superior depois de esta regressar do espaço.

O Flight 13 aproxima a SpaceX desse objetivo. A precisão da reentrada, o controlo através das quatro superfícies móveis e o sucesso da manobra final indicam que vários dos elementos necessários para uma futura tentativa de captura estão a amadurecer.

Às vezes, o melhor laboratório regressa do espaço

A Ship 40 poderá nunca voltar a voar. Ainda assim, isso não significa que tenha terminado a sua missão.

Pelo contrário. Depois de aproximadamente uma hora de voo e 24 dias a flutuar e a ser rebocada pelo oceano Índico, esta Starship tornou-se provavelmente um dos protótipos mais interessantes que a SpaceX alguma vez teve oportunidade de desmontar.

Cada placa térmica danificada, cada deformação e cada marca deixada pela reentrada poderá ajudar a preparar a próxima geração.

E esse é precisamente o método que tem caracterizado o desenvolvimento da Starship: voar, levar o veículo aos limites, descobrir o que falhou e voltar a tentar.

Comentários

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  1. Avatar de Max
    Max

    Então, o foguetão tem o “booster”, Super Heavy e a nave, Starship (que é também o nome do foguetão, com os dois estágios).
    No Flight 13 a nave Ship 40 estava acoplada ao Booster 20.
    – O booster era para regressar à plataforma de lançamento e ser recuperado, mas alguns injetores de travagem não reacenderam de forma homogéneas e por isso foi desviado para o Golfo do México, onde se espatifou. Desde o Flight 5 (outubro de 2024) foram realizados 9 testes, 3 foram recuperados (Flight 5, 7 e 8) e 6 não foram recuperados (Flight 6, 9, 10,11, 12, 13) Realizaram-se dois voos com booster recuperados (Flight 9, com o do 7 e 11, com o do 8).
    – Quanto à recuperação da nave, estava prevista para o próximo teste, Flight 14, mas foi adiada, realizando-se ainda mis voos de teste, mas esperan-se que se realize ainda durante este ano).