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Jovens confiam mais na IA do que nos humanos para verificar informação, diz estudo

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Um novo relatório britânico alerta que, em Inglaterra, o sistema de ensino corre o risco de perder legitimidade junto dos alunos, à medida que estes recorrem cada vez mais à Inteligência Artificial (IA) para tarefas que tradicionalmente confiavam a professores ou outras figuras humanas de referência.

Um inquérito conduzido pela Public First, que envolveu mais de 4000 jovens entre os 11 e os 24 anos, em Inglaterra, concluiu que quase metade dos inquiridos confia mais numa ferramenta de IA do que numa pessoa para verificar a veracidade de uma informação. Os dados mostram ainda que os rapazes apresentam uma propensão ainda maior para confiar na IA em detrimento de um ser humano nesta tarefa.

O inquérito, realizado no mês passado, foi integrado num relatório mais amplo assinado pelo historiador Sir Anthony Seldon e pelo empreendedor tecnológico Tim Bunting, que sublinha uma desconexão crescente entre a forma como os jovens já utilizam a IA no seu quotidiano e a forma como o sistema educativo continua a lidar com esta tecnologia.

O relatório alerta ainda que os alunos podem deixar de encarar a escola como “uma utilização legítima do seu tempo” caso o sistema de ensino continue a desvalorizar o papel da IA.

Um sistema que prepara os jovens para um mundo que já não existe

Segundo os autores, o sistema de ensino inglês continua a formar os alunos para um “mundo sem IA que já não existe”, apesar de cerca de 87% dos jovens inquiridos afirmarem já ter experiência no uso de ferramentas de IA.

O relatório é particularmente crítico quanto ao fosso entre a realidade vivida pelos estudantes e a resposta institucional das escolas, defendendo que essa lacuna começa a traduzir-se numa perda de valor percebido da própria instituição escolar.

Em números, menos de 10% dos jovens inquiridos consideram que as escolas e universidades os estão efetivamente a preparar para um mundo em que a IA está cada vez mais presente.

Neste cenário, os autores avisam que, enquanto as instituições de ensino continuarem a tratar a IA como um “contaminante temporário” a manter à margem, arriscam-se a ser vistas cada vez menos como uma preparação séria para a vida e o trabalho, e cada vez mais como uma espécie de “ficção protetora”, distante da realidade que pais e alunos experienciam fora da sala de aula.

Resposta do governo

Em resposta ao relatório, um porta-voz do governo britânico reconheceu tratar-se de uma tecnologia emergente e em rápida evolução, que representa simultaneamente oportunidades significativas e desafios que estão a ser levados a sério.

O executivo britânico já tinha anunciado anteriormente que ferramentas de tutoria baseadas em IA estarão disponíveis nas escolas inglesas até ao final de 2027, tendo também destinado investimento para testar e expandir produtos de IA e EdTech no setor educativo.

Paralelamente, o Department for Education criou uma AI Safety and Pedagogy Taskforce, que reúne especialistas da área educativa e tecnológica com o objetivo de desenvolver critérios que permitam avaliar a segurança e a eficácia da utilização da IA no ensino.

O mesmo porta-voz acrescentou que o currículo revisto vai:

  • Focar-se em competências fundamentais como as de expressão oral e a literacia matemática;
  • Procurar garantir que todos os jovens adquirem as competências digitais necessárias para o futuro;
  • Procurar dotar os jovens de ferramentas para identificar desinformação.

O que Portugal pode tirar do estudo inglês

Apesar de o relatório incidir exclusivamente sobre o sistema de ensino inglês, o problema de fundo que identifica não é exclusivo do Reino Unido. Também em Portugal se tem discutido, ainda que de forma menos sistematizada e sem um estudo de dimensão equivalente, até que ponto as escolas e as universidades estão a acompanhar o ritmo a que os alunos já utilizam ferramentas de IA no dia a dia, seja para estudar, fazer trabalhos ou, como o relatório britânico sublinha, verificar informação.

O alerta de Seldon e Bunting pode funcionar como um espelho para o debate português, ou seja, se o sistema de ensino continuar a tratar a IA como algo a manter à margem do currículo, em vez de a integrar de forma crítica e estruturada, corre-se o risco de a escola ser vista pelos alunos como cada vez mais desligada da realidade que já vivem fora da sala de aula.

A diferença é que, em Portugal, este risco ainda não foi quantificado por nenhum inquérito de grande escala, revelando o atraso com que o tema tem sido tratado a nível nacional.

Comentários

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  1. Avatar de Max
    Max

    E pensar que esta história toda ainda não completou 3 anos – contados a partir do lançamento do ChatGPT-3.5, lançado em 30/11/2022.

    Algumas das recomendações do estudo:

    • Integração curricular precoce: As recomendações apontam para a necessidade de adaptar os currículos logo a partir do ensino básico/secundário inferior (focando nos alunos dos 11-14 anos, onde a utilização é massiva mas muitas vezes desregulada ou sem orientação ética).
    • Plano Nacional de Adoção de IA: Um quadro regulatório e estratégico claro — com implementação prevista para o início do próximo ciclo letivo — para afastar os estabelecimentos de ensino da resistência cega ou da proibição, focando-se em ensinar os jovens a utilizar a IA de forma ética, crítica e construtiva

    Ainda gostava de ver isto feito cá.

    1. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      isto é o Max a tentar ser jovem

      1. Avatar de Max
        Max

        Por caso já tenho tentado imaginar o que seria ter disponível aos 11-14 anos a atual IA (e que ainda vai evoluir muito mais).

        Só que agora a situação é muito distinta – há os que viveram sem IA até final de 2022 (e que são a generalidade dos professores), e os que, com 11-14 anos já a usam intensamente, como concluiu o estudo. (que são a generalidade dos alunos).

        Isto vai dar confusões na escola, nessas idades e nas seguintes. Nada do que o estudo diz é surpreendente (enfim, depois cada um vai lá selecionar os títulos que entender) – a surpresa é ninguém ter falado disso antes de forma fundamentada e sistematizada.

        O estudo nem sequer tem aspirações a que todas as escolas inglesas consigam ser adequadamente funcionais quanto à integração da IA – pede que se comece por um núcleo de escolas. Por cá não vai haver núcleo de escolas nem nada, vai ser – proíbam a IA que só faz mal aos jovens, tal como os smartphones.

        1. Avatar de Maxgiger
          Maxgiger

          Não é acerca de proibir a IA, mas de certa forma e bem acertada, faz mal aos jovens especialmente nessas idades. Porque? Muito simples. Primeiro, muitos não sabem ler ou dominam o vocabulário necessário e nem mesmo interpretar texto, quando mais dar instruções a uma IA. Quando usam a IA, é apenas pela necessidade de terminar uma tarefa, não para entende-la. Dou-te um exemplo: Os alunos tinham de ler um livro e após a leitura, tinham perguntas sobre o mesmo. O que fizeram? Uns copiaram as perguntas e outros tiram foto, pedindo a IA para responder as perguntas. Resultado? respostas sem conteúdo e em que quase em nada respondiam a pergunta, tendo em conta o livro.

          Outro problema. No artigo lemos que "…empreendedor tecnológico Tim Bunting, que sublinha uma desconexão crescente entre a forma como os jovens já utilizam a IA no seu quotidiano e a forma como o sistema educativo continua a lidar com esta tecnologia. ", devemos ter conta que esta desconexão é necessária, caso contrario os jovens nem usam as suas cabecinhas. Quando muitos dependem e apenas "acreditam" mais na IA do que no humana, não é por que são mais competentes e que aprendem mais rápido. Afinal de contas, isso de aprender rápido, não existe, pois há muitas respostas para uma pergunta. O que acontece é que estes mesmos jovens tem vergonha de mostrar que não sabem, que não compreendem e sabem que vão ser "chamados a atenção", caso perguntem ao professor ou de alguém que lhes tentou passar conhecimento. E porque isto? pois muitos destes miúdos estão demasiado conectados, não estão atentos, raramente tem o interesse em algo, pois tudo em sua volta gira muito rápido. E claro, dificilmente conseguem acompanhar o que se passa, pois o fluxo de informação é grande. Pergunta a estes, quantos vão ver um filme? eles respondem que estao sempre a ver filmes, mas nem distinguir entre filmes e de pequenos excertos de vídeo.

  2. Avatar de Jaca
    Jaca

    É natural. A IA não faz títulos manhosos repetitivos sem qualquer tipo de criatividade e apenas com o intuito para atrair pessoas. É só um exemplo.

  3. Avatar de Gringo Bandido
    Gringo Bandido

    Não deviamos de confiar assim tanto na IA americana.

  4. Avatar de Sail
    Sail

    Não confiam nos professores mas confiam na IA que contém 60% de informação falsa.

    " Os pinguins urinam por isso é que partes do gelo é amarelo"

    Mas o facto é que os pinguins não urinam. Confiar numa IA que ainda não é completa leva a consideram que informação falsa é a verdadeira. Agora só falta a IA dizer-lhes quando comer, quando usar o WC e quando dormir.

    1. Avatar de Max
      Max

      Qual IA é que disse isso? A que costumo usar disse:

      "Não urinam da mesma forma que os mamíferos.

      Os pinguins não têm uma bexiga urinária nem impelem um jato de urina líquida. Em vez disso, o sistema excretor das aves reabsorve grande parte da água e converte os resíduos de azoto em ácido úrico (em vez de ureia).

      Esse ácido úrico sai sob a forma de uma pasta branca e espessa que se mistura com as fezes através de uma única abertura excretora chamada cloaca. Portanto, quando vê um pinguin a "defecar", ele está a expelir fezes e urina ao mesmo tempo."

      Não te está a referir a algum vídeo sobre IA que viste no TikTok?

  5. Avatar de CIéqueébom
    CIéqueébom

    E antigamente diziam que a Wikipedia era má! LOL!

    A IA só diz disparates 35% das vezes.

  6. Avatar de Ricardo H.
    Ricardo H.

    E será que em muitos temas, a IA não sabe mais que um médico, um psicólogo ou um formador?

  7. Avatar de hugo
    hugo

    Não é que a IA seja perfeita, é que a aula média é fraca. A IA explica 10x melhor, tem paciência infinita, não humilha ninguém e está disponível às 2h da manhã antes do teste. Quase metade dos jovens já percebeu isso: para verificar informação, mais vale perguntar ao chatbot que ao professor. Menos de 10% sente que a escola os prepara para o mundo com IA — e com razão, continuam a formar alunos para um mundo sem IA que já não existe. Se a escola continuar a tratar a IA como batota para proibir em vez de ensinar a usar de forma crítica, vai mesmo perder a legitimidade. Concordam ou ainda acham que é só preguiça da geração?

    1. Avatar de Maxgiger
      Maxgiger

      Quanta imbecilidade em apenas um post! Vamos por partes. "A IA explica 10x melhor"… pode ser que sim, mas muitos deles não entendem nada. Apenas leram e querem a resposta a tarefa. Agora, entenderam para que serviu a tarefa?

      "tem paciência infinita, não humilha ninguém e está disponível às 2h da manhã antes do teste." A questão não é a paciencia infinita, o problema é que os alunos não querem ficar "magoados", tendo que ultrapassar as barreiras por sua conta, mas sim usando outras ferramentas para isso. Eles não são humilhados, mas quem pensa que o é, será aquele que efetivamente esta inseguro e não recorre a ninguém para ajuda, pois tem medo ou vergonha ( no seu pensamento) em ser criticado, envergonhado ou humilhado. Além disso, estudar ou tentar entender um assunto as 2h da manhã, antes do teste é ser mesmo sem vergonha! Gostarias de ter um médico que tivesse esse tipo de estudos?Estudar a ultima da hora, sempre no despachar?

      Podemos usar a IA, não digo que não. Mas isto serve a quem realmente sabe ler, escrever, contar e interpretar a informação com a devida confiança e segurança em si próprio e nos outros, enfrentando as adversidades que a vida oferece.

      1. Avatar de QI acima dos 115
        QI acima dos 115

        muito bom post. parabens. ha uma coisa que eu acrescento ou reforço, pq a uso todos os dias mas como profissional da minha area sei perceber coisas que ela diz para o que pretendo que comete muitos erros e quase nunca da a melhor solucao para um problema. um puto nao sabe nada de nada assume tudo que ela diz e' verdade e e' a melhor solucao. aceita engole e andar para a frente. aprendeu alguma coisa? zero. daki a 10anos falamos quando continuar com esse sistema de "auto ajuda" que lhe diz que ele e' o maior la do liceu….

  8. Avatar de Maçã mais que podre
    Maçã mais que podre

    Estamos a estupidifica-los, os mais velho não sou eram educar e orientar