Já marcou as suas férias? Como o conflito no Médio Oriente pode aumentar o preço dos voos
Mesmo que não envolva diretamente o país de origem ou destino, o conflito no Médio Oriente pode ter impacto no preço dos voos das suas férias de verão.
O conflito começado pelo ataque dos Estados Unidos e Israel contra o Irão está a provocar perturbações globais, nomeadamente em termos energéticos.
A rota comercial do Estreito de Ormuz, no Golfo Pérsico, continua bloqueada pelo regime iraniano e registam-se ataques a petroleiros, refinarias e infraestruturas petrolíferas.
A instabilidade que se vive desde o final de fevereiro está a reforçar-se a cada dia, à medida que o conflito se adensa, e a refletir-se diretamente no preço da energia e, por conseguinte, nos vários setores económicos que dela dependem.
Além do preço do petróleo Brent, que serve de referência para a Europa, ter registado uma subida acentuada e ultrapassado a marca dos 100 dólares por barril, recentemente, o conflito está, agora, a refletir-se no custo do querosene, o combustível utilizado pelos aviões.
Conflito no Médio Oriente pesa no custo do combustível dos aviões
Para a maioria das companhias aéreas, o combustível representa entre 20% e 30% dos custos operacionais. Por isso, sempre que o preço do querosene sobe, a pressão financeira sobre as transportadoras aumenta e reflete-se nos preços pagos pelos passageiros.
Curiosamente, o preço do querosene tende a subir ainda mais rapidamente do que o do petróleo bruto, devido aos chamados, pelos especialistas, citados pelo Executive Digest, "acréscimos de pânico" nos mercados energéticos.
Como o querosene é produzido principalmente a partir do petróleo, o aumento do custo da matéria-prima acaba por ser transmitido ao combustível utilizado na aviação e, em parte, transferido para os consumidores.
De acordo com Sven Maertens, subdiretor do Instituto de Transporte Aéreo do Centro Aeroespacial Alemão, numa declaração ao jornal Frankfurter Rundschau, "se os preços do petróleo, e consequentemente do querosene, subirem permanentemente, podemos esperar que as companhias aéreas transfiram pelo menos parte destes custos adicionais para os bilhetes de avião a médio prazo".
Caso o conflito no Irão se prolongue, esta tendência poderá manter-se durante os próximos meses, afetando as viagens previstas para a Páscoa e, também, as que estão a ser planeadas para o verão.
Porque os voos entre Europa e Ásia estão entre os mais afetados
Os voos entre a Europa e a Ásia estão entre os mais afetados, porque muitas das rotas mais curtas passam por zonas que se tornaram mais arriscadas devido às tensões militares no Médio Oriente.
Normalmente, aviões que ligam cidades europeias a destinos asiáticos atravessam o espaço aéreo de países como Irão, Iraque, Israel ou regiões próximas do Golfo Pérsico.
Quando há risco militar, ataques com mísseis ou drones, ou tensão entre os países, como agora, muitas companhias aéreas preferem evitar essas zonas por segurança.
Neste contexto, os aviões são obrigados a fazer grandes desvios, gastando mais combustível, exigindo mais horas de trabalho da tripulação e expondo os aviões a um desgaste maior.
Além disso, se vários países fecham ou limitam o seu espaço aéreo ao mesmo tempo, mais aviões passam a usar as mesmas rotas alternativas, criando congestionamento aéreo e reduzindo a eficiência das rotas.
Todos estes parâmetros aumentam o custo operacional dos voos e, consequentemente, o preço dos bilhetes.
Importa ressalvar que rotas intercontinentais, como Europa–Sudeste Asiático ou Europa–Japão, são particularmente sensíveis a qualquer alteração de percurso, com pequenas mudanças no trajeto a significarem centenas ou até milhares de quilómetros extra.
Um exemplo citado pelo jornal Frankfurter Rundschau é a ligação entre Frankfurt e Singapura: antes do início da guerra, os bilhetes de ida e volta custavam entre 400 e 800 euros. Hoje, os preços ultrapassam frequentemente os 2000 euros.
Situação semelhante verifica-se nas rotas entre Munique ou Frankfurt e Deli, segundo o Executive Digest, que anteriormente custavam entre 600 e 800 euros e podem atingir, agora, cerca de 2000 euros.
Conflito não precisa de envolver o país de origem ou destino diretamente
Resumidamente, mesmo para quem não tem como destino o Médio Oriente, um conflito na região pode ter impacto no preço das viagens de avião por três motivos principais:
- Primeiro, as rotas tornam-se mais longas;
- Segundo, o consumo de combustível aumenta;
- Por fim, há menos rotas disponíveis.
Preços poderão descer, mas espera-se instabilidade
Esta situação poderá, ainda assim, mudar relativamente depressa. Se as grandes companhias aéreas do Golfo, como a Emirates, Etihad Airways e Qatar Airways, voltarem a operar em grande escala, a oferta de voos poderá aumentar novamente, ajudando a reduzir a pressão sobre os preços.
Caso essa retoma se confirme, os preços das tarifas aéreas poderão voltar a descer entre 30% e 70%, dependendo da rota.
De acordo com especialistas, citados pelo mesmo website, a eventual descida poderá começar a ser sentida pelos consumidores num período de sete a 14 dias.
No entanto, mesmo que a oferta de voos aumente novamente, o impacto do aumento do preço do querosene deverá continuar a refletir-se nas tarifas, e os bilhetes poderão permanecer mais caros do que antes do início do conflito.























O transporte aéreo , tal como o conhecemos, tem os dias contados . Depende do petróleo abundante e barato, e isso há umas semanas ou meses calculava-se que durante uns 2, 3, ou 5 anos ia continuar a crescer, mas depois vinha aí um crash monumental. Afinal parece que foi mais cedo. Agora, esqueçam lá o projecto do aeroporto com um olho à Camões. O da Portela em breve estará largamente excedentário.
Só se for o voo da sala para a cozinha
Isso é problema de rico..
Cá eu vou ali à praia do Magoito e é só quando tenho o depósito cheio.
praias quentinhas 😉