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IRS pode voltar a descer em 2026: veja as novas taxas propostas e as simulações do Governo

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O Governo anunciou uma redução de 0,3 a 0,5 pontos percentuais nas taxas de IRS do 1.º ao 6.º escalão. A medida foi aprovada em Conselho de Ministros como proposta de lei e ainda depende do processo legislativo. Se entrar em vigor nos termos anunciados, aplicar-se-á aos rendimentos obtidos desde janeiro de 2026.

O Conselho de Ministros aprovou, a 17 de setembro, uma proposta de lei que autoriza o Governo a reduzir as taxas de IRS até ao 6.º escalão.

Segundo o Executivo, a medida deverá abranger mais de 2,9 milhões de agregados e representar um alívio fiscal de 400 milhões de euros. O Governo prevê que o efeito comece a ser sentido em novembro, através de alterações à retenção na fonte sobre salários e subsídio de Natal.

Essa calendarização depende da aprovação e concretização da medida.

Quanto descem as taxas de IRS?

A redução anunciada é de 0,3 pontos percentuais no 1.º e no 6.º escalões e de 0,5 pontos percentuais do 2.º ao 5.º. As taxas normais dos três escalões mais elevados mantêm-se. Aplicando as reduções anunciadas às taxas atualmente publicadas pela Autoridade Tributária, o resultado seria o seguinte:

Escalão de rendimento coletável anual Taxa atual Taxa após a redução anunciada
Até 8 342 € 12,5% 12,2%
Mais de 8 342 € até 12 587 € 15,7% 15,2%
Mais de 12 587 € até 17 838 € 21,2% 20,7%
Mais de 17 838 € até 23 089 € 24,1% 23,6%
Mais de 23 089 € até 29 397 € 31,1% 30,6%
Mais de 29 397 € até 43 090 € 34,9% 34,6%
Mais de 43 090 € até 46 566 € 43,1% 43,1%
Mais de 46 566 € até 86 634 € 44,6% 44,6%
Superior a 86 634 € 48% 48%

As taxas da última coluna resultam da aplicação aritmética das reduções anunciadas pelo Governo às taxas de 2026 publicadas pela Autoridade Tributária. Não são ainda uma tabela legal em vigor. Os limites dizem respeito a rendimento coletável anual, não ao salário bruto.

A manutenção das taxas do 7.º ao 9.º escalões não significa que todos os contribuintes nesses escalões fiquem sem benefício. O IRS é progressivo: as primeiras parcelas do rendimento são tributadas às taxas dos escalões anteriores. Uma redução nessas parcelas pode, por isso, diminuir também o imposto total de quem tem um rendimento coletável mais elevado.

O que mostram as simulações?

Nas imagens divulgadas pelo Governo, a “poupança desta medida face ao OE26” compara a nova redução com as regras do Orçamento do Estado para 2026, que já incluíam alterações ao IRS. A “poupança total face a 2023” usa outra base de comparação e reúne o efeito das reduções apresentadas pelo Executivo desde então. Os dois valores não devem ser confundidos.

Para um trabalhador dependente solteiro, sem dependentes, o Governo apresenta estas estimativas:

Salário bruto mensal Poupança adicional em 2026 face ao OE26 Poupança total anual face a 2023
1 000 € 12,10 € 850,13 €
1 500 € 65,32 € 933,75 €
2 000 € 100,44 € 1 503,26 €
2 500 € 133,28 € 1 861,52 €
3 500 € 171,50 € 2 278,96 €

Assim, no exemplo destacado pelo Governo, quem recebe 1 500 euros brutos mensais pouparia mais 65,32 euros no ano devido a esta nova medida. Os 933,75 euros apresentados na mesma simulação correspondem à poupança total estimada face a 2023, e não apenas à descida agora anunciada.

O Governo publicou também simulações para pensionistas e casais. Para um pensionista solteiro com uma pensão bruta mensal de 1 000 euros, estima uma poupança adicional de 12,10 euros em 2026 face ao OE26. Num casal de trabalhadores com dois dependentes, em que um titular recebe 2 500 euros brutos mensais e o outro 1 500 euros, aponta para 200,88 euros adicionais no ano.

Estas contas pressupõem 14 pagamentos anuais e residência no continente; no exemplo do casal, pressupõem ainda tributação conjunta. São cenários ilustrativos, não valores garantidos para todos os contribuintes com o mesmo salário ou pensão. O imposto efetivo depende, entre outros fatores, do rendimento coletável, da composição do agregado e das deduções aplicáveis. As simulações disponibilizadas pelo Governo permitem consultar outros cenários.

O Executivo apresenta esta como a quinta descida de IRS promovida pelo Governo e estima em 2,4 mil milhões de euros o alívio fiscal associado ao conjunto das reduções. Trata-se de um valor agregado divulgado pelo Governo; não corresponde à poupança de um contribuinte individual nem ao custo isolado da medida agora proposta. Governo.

Para já, a distinção essencial é esta: o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei, enquanto as taxas que constam do Código do IRS publicado pela Autoridade Tributária continuam a ser a referência legal atual.

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Comentários

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  1. Avatar de Toni da Adega
    Toni da Adega

    0.5% de descida vai ficar tudo milionário com tanto dinheiro

    1. Avatar de Zacarias
      Zacarias

      o melhor era subir 😀

      1. Avatar de Toni da Adega
        Toni da Adega

        Já se paga tanto em IRS em Portugal que era difícil subir mais

        1. Avatar de Grunho
          Grunho

          Paga IRS quem não tem como escapar. O IRS é uma autêntica farsa montada em cima das folhas de pagamento que os patrões mandam para as finanças. Quem não tem um patrão a mandar para lá a folhinha preenche como quer a declaração de rendimentos. E depois, ou fica completamente isento, ou dá uma esmola simbólica ao estado, se não quiser ficar tão mal na fotografia. Resultado: é todo pago pela classe média assalariada. A burguesia exploradora dos negócios e profissões liberais ligadas aos negócios está alegremente isenta, e o proletariado não ganha o suficiente para pagar, fora umas franjas que ganham uns pós acima de salário mínimo. Para tornar aquilo minimamente honesto era preciso passar a pente fino tudo o que é conta bancária, e depois declarações de rendimentos em cima da mesa para fiscalização popular. Nenhum governo capitalista da ideologia neoliberal vai consentir nisso. Eles vêm logo com o paleio da privacidade, mas todos sabem que a questão não é essa. Querem é pendurar-se em quem tem menos que eles para lhes pagarem o que eles deviam pagar e aguentarem com os custos do estado. O meu espanto é os 4 partidos do capitalismo neoliberal continuarem a receber votos da classe que paga IRS, em vez a todos abaixo de Braga.

          1. Avatar de Raiana
            Raiana

            Mete mais tabaco nisso…

    2. Avatar de ahahah
      ahahah

      Com descidas desta dimensão, estaremos numa boa situação económica e fiscal daqui a 50 anos.

  2. Avatar de Carlos Fernandes
    Carlos Fernandes

    bora lá comprar uns votos

    1. Avatar de Aquele Daki
      Aquele Daki

      Ora nem mais nem menos. A única razão para este anúncio!!! Talvez camuflar o roubo com os combustíveis também.

    2. Avatar de Yamahia
      Yamahia

      Curiosamente, as intenções de voto na AD baixaram ainda mais após o anúncio. Parece que as pessoas já não vão em cantigas.

      1. Avatar de Pedro
      2. Avatar de ifm
        ifm

        porque a malta esta fartinha de maroscas…

        ha uns anos a tras tambem recução do IRS hoje ali 3 messes no fim do ano que a malta andou a receber “bem”.

        Chegou a março… ate chorou quem não pagava IRS comecou a pagar 300euros

        quem recebia deixou de receber.

        ” agora a malta comecou a pagar as prestaçoes do IRS do ano passado”

        O que todas pensão???

        “estou a pagar ex:80 de presação de IRS e estou a descontar menos 40euros”

  3. Avatar de Aquele Daki
    Aquele Daki

    E lá vamos nós para mais do mesmo. Tributar o rendimento do trabalho para sustentar quem não trabalha.
    A descriminação é anti-constitucional. Porque raio os >=7º escalão não são abrangidos pela mesma medida? Isto é discriminação!!!!!

    Taxa única de IRS imediatamente! 15% para todos!!!!! Sem isenções!

    Para o ano não Chorem quando tiverem de pagar! Mal habituados sempre a receber

    1. Avatar de Asiim
      Asiim

      :S não me parece que saibas como é que o IRS funciona!
      Por exemplo, todos os cidadãos que pagam IRS são sempre beneficiados quando o primeiro escalão desce.

    2. Avatar de Aquele Dali
      Aquele Dali

      Pela minha experiência, quando alguém grita ” para sustentar os que não trabalham” é próprio um verdadeiro malandro. Nunca falha. Mas claro, devem haver exceções, apenas tive o azar de nunca as conhecer.

      1. Avatar de MCorreia
        MCorreia

        Por acaso, concordo e confirmo. Este não quer trabalhar… Aquele não quer trabalhar… Mas quem tem este tipo de conversa é sempre o maior malandro que vive à custa do trabalho dos outros.

    3. Avatar de Zé Fonseca A.
      Zé Fonseca A.

      Todos os escalões deviam ser abrangidos, ou achas que um último escalão de 86k faz sentido?
      Isso é um ordenado líquido inferior a 4k, numa Lisboa que um T2 são 2000€ quão rica é uma pessoa que ganha 4k?

      1. Avatar de MCorreia
        MCorreia

        Todos os escalões são abrangidos. O IRS é progressivo. Os escalões superiores têm sempre benefício quando nos escalões inferiores se verifica uma redução.

      2. Avatar de MCorreia
        MCorreia

        Acrescento ainda, como as reduções são percentuais, os escalões superiores, em termos reais, são aqueles que mais beneficiam com a descida miserável dos escalões inferiores. As simulações no artigo demonstram isso mesmo.

        1. Avatar de Zé Fonseca A.
          Zé Fonseca A.

          Estão abrangidos pela progressividade não é igual.
          São mais beneficiados em valor absoluto não em valor relativo, para mim 50€ a mais não aquecem nem arrefecem quando já deixo 50% do meu ordenado em impostos.
          A minha contribuição é exponencialmente superior e não deixo de ser classe média por isso

    4. Avatar de Nuno V
      Nuno V

      Claramente não sabes o que é descriminação.

      E a ideia de uma taxa de IRS fixa para todos é de uma alarvidade sem nexo. É que quando se vai ao supermercado comprar comida, ou se paga a casa, esse valor também é uma taxa única para todos.

      1. Avatar de Zé Fonseca A.
        Zé Fonseca A.

        Também não concordo com taxa única, apenas os escalões devem se muitos menos e apontar para valores mais abertos, não é correcto uma pessoa que ganha 86k seja o escalão mais alto quando o ordenado líquido dessa pessoa é inferior a 4k e não passa de classe média, o escalão mais elevado devia situar-se algures nos 300-500k

  4. Avatar de Gringo Bandido
    Gringo Bandido

    Começo a desconfiar que não existe tantos pobres em Portugal como pode parecer, é aumentar os impostos a ver se ninguem passa fome.

  5. Avatar de TugAzeiteiro
    TugAzeiteiro

    Vai ser bonito para o ano quando acharem que vão receber alguma coisa e virem que vão mas é pagar!

  6. Avatar de -O_O-
    -O_O-

    no meu escalão nada muda, ou seja, vou continuar a sustentar quem não trabalha nem tem vontade de o fazer 🙁

    1. Avatar de PLM
      PLM

      É o que dá a ignorância financeira. Os escalões mais altos tiram partido dos benefícios aplicados aos mais baixos. Portanto, a ser verdade o que diz terá os 177€ de aumento anual.

      1. Avatar de -O_O-
        -O_O-

        uauuuuuu, obrigado sr. inteligente, estou espantado de encontrar alguém tão sábio !!! agora, a sério, acha mesmo que o meu comentário era sobre isso ??? tanto que no texto está escrito “O IRS é progressivo: as primeiras parcelas do rendimento são tributadas às taxas dos escalões anteriores.”.

  7. Avatar de Rodrigo
    Rodrigo

    O melhor primeiro ministro deste pais! Quem critica deve ser marroquino! Portugal cresce, tem aeroporto novo a ser feito, hospitais e escolas, 3a travessia lisboa barreiro, tunel a ligar a caparica a alges, TGV finalmente a ligar o norte ao sul e a Madrid. Deixem o Luis trabalhar! Não esquecer que este governo esta a fazer isto durante 2 guerras e inflação elevadas no estrangeiro que nos afetam, numa altura que o pib militar passou para 5% e antes nem 1% era e perdeu estados unidos como aliado e passaram a cobrar taxas a todos os produtos que exportamos para la. Ninguem faria melhor

  8. Avatar de Muito mais que isso.
    Muito mais que isso.

    Inacreditável… O meu IRS vai subir 5,1% só porque decidiram reduzir o limite do escalão superior. Enfim, mais um esquema para nos irem ao bolso.

    1. Avatar de Asiim
      Asiim

      os limites de todos os escalões continuam exactamente os mesmos

  9. Avatar de R!cardo
    R!cardo

    Os abutres não podem passar fome

  10. Avatar de Ric
    Ric

    O português é preguiçoso malandro gastador ladrão… Depois é o governo inde trabalhar poupar e acordai!

  11. Avatar de anon
    anon

    fixe, dá mais um eurito por mês, que já paga o aumento que houve desde o inicio do ano em 2L de gasóleo… já os outros 48L… espera, Porto vs Benfica no fim de semana? boa! (e eu estou consideravelmente bem no que toca a gasóleo, pois só gasto 1 depósito de 50L +/- por mês…)

  12. Avatar de Tobias
    Tobias

    ó Luís deixa-te de m****s não convencem nem ajudam ninguém com essa m**** pelo menos controlem o preço do combustível e gás

    1. Avatar de Vítor M.

      Achas que é um governo de um país pequeno como é o nosso que consegue mudar o rumo desta escalada dos combustíveis?

      1. Avatar de Nuno V
        Nuno V

        Não têm poder em controlar o preço de petróleo. No entanto têm poder para controlar a especulação que as petrolíferas têm feito no preço do combustível, ou seja, tabelar tetos máximos o preço dos bens. É que o aumento do preço dos combustíveis não é proporcional ao aumento do custo da sua produção. E tal é evidente nos aumentos brutais dos lucros das empresas de combustíveis, enquanto o resto do povo vê se a rasca com o aumento do custo de vida.

        1. Avatar de Vítor M.

          Não é assim tão linear. O preço dos combustíveis não resulta apenas do preço do barril de petróleo nem do “custo de produção” das petrolíferas. Entre o crude e o preço na bomba entram as cotações internacionais dos produtos refinados, custos de refinação, biocombustíveis, transporte, armazenamento, distribuição, margens comerciais e impostos.

          Aliás, a própria ERSE analisa a formação dos preços em Portugal através destes vários componentes e acompanha especificamente as margens ao longo da cadeia. Portanto, se existir uma margem anormal ou falta de concorrência, isso deve ser investigado e combatido. Mas é diferente de concluir que qualquer aumento superior ao do petróleo é automaticamente “especulação”.

          Há outro ponto importante, repara, Portugal tem preços livres nos combustíveis. Impor administrativamente um preço máximo abaixo do custo económico não elimina esse custo. Pode comprimir margens, mas, se for demasiado baixo ou prolongado, também pode reduzir concorrência, afastar operadores ou criar problemas de abastecimento.

          E lucros elevados das grandes petrolíferas também não demonstram, por si só, que as bombas portuguesas estejam a praticar margens abusivas. Muitas dessas empresas são multinacionais integradas e obtêm resultados na exploração de petróleo e gás, refinação, trading, petroquímica, eletricidade e outros mercados internacionais. É preciso analisar especificamente as margens na venda de combustíveis em Portugal.

          Curiosamente, já existe legislação que permite avançar para limites máximos das margens de comercialização dos combustíveis simples, mediante os mecanismos previstos e supervisão da ERSE. Portanto, a questão séria não é simplesmente “tabelar preços”. É demonstrar, com dados, que existem margens excessivas ou falhas de concorrência que justifiquem essa intervenção.

          Mas… percebo-te e comungo dessa crítica aos lucros excessivos, sim é perfeitamente legítimo. Mas, como sabes, lucro elevado, aumento do petróleo, aumento do combustível e especulação são conceitos diferentes e não podem ser tratados como se fossem a mesma coisa. Como têm feito os políticos para enganar as pessoas. 😉

          1. Avatar de Nuno V
            Nuno V

            “O preço dos combustíveis não resulta apenas do preço do barril de petróleo nem do “custo de produção” das petrolíferas. Entre o crude e o preço na bomba entram as cotações internacionais dos produtos refinados, custos de refinação, biocombustíveis, transporte, armazenamento, distribuição, margens comerciais e impostos.”

            Dizes que o preço não resulta apenas dos custos de produção, algo que eu concordo. No entanto, logo a seguir apenas listas custos de produção, como a única influência do preço final. Custos de produção que são todos os custos contraídos até à venda do quer que é produzido, que inclui impostos, armazenamento, transporte,…

            “Aliás, a própria ERSE analisa a formação dos preços em Portugal através destes vários componentes e acompanha especificamente as margens ao longo da cadeia. Portanto, se existir uma margem anormal ou falta de concorrência, isso deve ser investigado e combatido.”

            Lol, como se a ERSE alguma vez fosse mexer nos lucros da empresas petrolíferas.

            “Mas é diferente de concluir que qualquer aumento superior ao do petróleo é automaticamente “especulação”.“

            Explica-me porque razão, no dia a seguir ao início da guerra do Irão, as petrolíferas aumentaram o preço dos combustíveis, quando o o aumento do Brent não têm qualquer impacto imediato no valor dos combustíveis que já se encontram nas bombas. Aliás, este argumento é sempre usado pelas petrolíferas quando o preço do crude desce e os combustíveis não desce imediatamente.

            “Há outro ponto importante, repara, Portugal tem preços livres nos combustíveis. Impor administrativamente um preço máximo abaixo do custo económico não elimina esse custo. Pode comprimir margens, mas, se for demasiado baixo ou prolongado, também pode reduzir concorrência, afastar operadores ou criar problemas de abastecimento.”

            Eu lembro-me da mesma conversa da treta quando o valor dos combustíveis foram liberalizados! Que ia aumentar a concorrência, diminuir os valores dos combustíveis, e por aí fora, para na realidade ter acontecido o oposto.

            “Mas, como sabes, lucro elevado, aumento do petróleo, aumento do combustível e especulação são conceitos diferentes e não podem ser tratados como se fossem a mesma coisa.”

            Nem eu nunca disse que era a mesma coisa. Mas é de estranhar, como por exemplo, a GALP ter um aumento de 44% no primeiro semestre de 2026. E quem fala em GALP, pode falar em qualquer outra empresa petrolífera.

          2. Avatar de Vítor M.

            Entre muita coisa que deixas esquecida 😉 há uma crítica tua que é pertinente: o argumento dos stocks não pode servir para atrasar as descidas e desaparecer quando chega a hora de subir os preços. Essa eventual assimetria merece ser escrutinada. Mas os restantes pontos precisam de mais rigor.

            Primeiro, não listei apenas custos de produção. Listei também cotações de mercado, margens comerciais e impostos. Uma cotação é um preço de transação, influenciado pela oferta, pela procura e pelas expectativas. E uma margem comercial não é sinónimo de custo de produção nem, necessariamente, de lucro líquido. Chamar “custos de produção” a tudo o que compõe o preço final não torna essas diferenças irrelevantes.

            Quanto ao combustível que já está nas bombas, tens razão ao dizer que uma guerra não altera retroativamente o custo de aquisição desse stock. Mas o preço de venda pode acompanhar o custo esperado de reposição e as condições do mercado. Isso explica como pode haver uma subida antes de chegar combustível novo e não demonstra que qualquer subida seja justificada. Para avaliar o caso que referes, precisamos de identificar os aumentos, as datas e a evolução das cotações dos produtos refinados. E exigir o mesmo critério nas descidas.

            Sobre a ERSE, responder “lol” não rebate a existência dos dados nem a necessidade de fiscalização. A entidade publica análises precisamente sobre a transmissão das cotações internacionais aos preços nacionais, incluindo possíveis assimetrias entre subidas e descidas. Podemos discutir se a sua atuação é suficiente, ok… isso é diferente de dispensar a análise. 😉

            Quanto à liberalização, não estou a afirmar que cumpriu todas as promessas. Mas preços mais altos, por si só, também não demonstram que a subida foi causada pela liberalização. É necessário separar a evolução dos impostos, das cotações e das margens. E criticar o funcionamento do mercado não dispensa avaliar os efeitos concretos de um preço máximo.

            Finalmente, a subida de 44% dos lucros da Galp no primeiro semestre de 2026 foi efetivamente noticiada, para 812 milhões de euros. Esse resultado merece escrutínio. Mas é o resultado do grupo, não uma medição isolada da margem obtida nas bombas portuguesas. A notícia associa o crescimento também ao aumento da produção e aos preços do petróleo.

            Se não estás a dizer que lucro elevado e especulação são a mesma coisa, estamos de acordo nesse ponto. Então… o passo seguinte é demonstrar onde houve abuso, com dados sobre preços e margens. Exigir essa demonstração é o que permite fazer uma acusação sustentada e exigir consequências. Se não é tudo sabedoria do achismo.

  13. Avatar de Tobias
    Tobias

    O estado tem o poder para tabelar sim, se é o correto ou se concordas isso já é outra história. E se não querem ir por aí tudo bem mas podem começar por parar com medidas inuteis como esta ou com apoios estupidos que apesar de fazerem sentido em alguns setores (e que por conseguinte se devia refletir na economia em geral mas não se tem sentido) a população em geral não tem sentido efeito positivo praticamente nenhum, tabelar e regular o preço máximo NESTE MOMENTO ou baixar o imposto seria essencial e seriam coisas que teriam efeito imediato na vida da população tudo o resto é treta. Essa besta diz que não quer ser o pai da austeriadade mas se não o é de uma maneira é de outra, portanto boa sorte a todos meteram-no lá (outra vez) agora aguentem-se.