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Internet “anti-apagão”: autarquias portuguesas já estão a instalar Starlink

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Ficar sem eletricidade pode significar também ficar sem comunicações. Para reforçar a resposta em situações de emergência, várias autarquias portuguesas estão a apostar na Starlink. Há equipamentos já em utilização, novas instalações e um programa nacional de 46 milhões de euros.

Ilustração antena Starlink nas autarquias

Em Vila Nova de Famalicão, as juntas de freguesia já começaram a instalar equipamentos de internet por satélite. Vermoim é um dos exemplos: a freguesia dispõe de uma ligação alternativa para situações em que as redes habituais ficam indisponíveis.

Segundo informações, a iniciativa integra o programa “Freguesias Ligadas”, destinado a reforçar a continuidade dos contactos e dos serviços essenciais em situações de emergência.

A aposta tem paralelo noutros pontos do país. Contudo, os casos encontram-se em fases diferentes: alguns municípios já utilizam a tecnologia, enquanto outras freguesias anunciaram a intenção de receber os equipamentos.

Ilustração antena Starlink nas autarquias

De Sabrosa a Castelo Branco, já há exemplos no terreno

Em Sabrosa, a utilização da Starlink pela Proteção Civil Municipal antecede os anúncios mais recentes. Uma notícia de maio de 2026 refere que o sistema tinha sido instalado cerca de um ano antes e utilizado durante 2025, tanto em operações como em eventos realizados em locais sem cobertura de rede móvel.

Em Castelo Branco, as falhas de comunicações levaram a Câmara a avançar com equipamentos em juntas de freguesia. Em fevereiro, a implementação já decorria em Santo André das Tojeiras e Malpica do Tejo, com o objetivo de permitir o acesso da população à internet. A autarquia estava a definir prioridades para outras instalações, tendo em conta os recursos disponíveis.

No Entroncamento, a Junta de Freguesia de Nossa Senhora de Fátima anunciou, a 3 de setembro, a implementação de comunicações de emergência Starlink através do programa nacional. O anúncio inclui também geradores e outros meios de apoio, embora não confirme a conclusão da instalação.

Também Barreiros, em Amares, anunciou a adesão e a próxima receção de equipamentos Starlink. Já em Porto de Mós, o município anunciou um gerador por freguesia, enquanto a Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria asseguraria equipamentos de comunicação por satélite às autarquias da região.

A tecnologia foi igualmente mobilizada na resposta à tempestade Kristin. Para Figueiró dos Vinhos, o Governo anunciou, em fevereiro, a montagem de um módulo Starlink e o apoio de uma equipa de comunicações do Exército.

Ilustração antena Starlink nas autarquias

“Freguesias Ligadas” prevê um investimento de 46 milhões de euros

O programa nacional prevê dotar as juntas de freguesia de três meios complementares: telefone SIRESP, telefone por satélite e ligação de dados Starlink.

O documento do PTRR, publicado em abril de 2026, atribui à medida um investimento de 46 milhões de euros. Além dos equipamentos, contempla distribuição, ativação, configuração e formação básica das equipas locais. A intenção é manter a ligação das freguesias à Proteção Civil e aos serviços municipais quando as infraestruturas terrestres falham.

A execução nacional ainda estava em curso em setembro. No dia 22, o ministro da Coesão Territorial apontou a disponibilidade da Starlink até 31 de dezembro, condicionada ao visto do Tribunal de Contas. Informou ainda que o concurso para os geradores tinha ficado deserto e teria de ser repetido.

Assim, os anúncios do programa não significam que todas as freguesias já disponham da solução completa.

Quanto custa a antena mais económica?

Para perceber a ordem de grandeza do investimento, o kit Starlink Mini surge anunciado em Portugal por cerca de 200 euros, novo.

Estes valores ajudam a ilustrar o custo de entrada na tecnologia. Não demonstram quanto pagaram as autarquias, nem que o modelo instalado seja a versão Mini. Suportes, instalação, alimentação de reserva e assistência também podem integrar o investimento.

E qual é a mensalidade mais baixa?

Na página comercial portuguesa da Starlink, o plano Prioridade Local de 50 GB está anunciado a 33 euros por mês. É o escalão de entrada apresentado para utilização empresarial em terra, fixa ou móvel.

A oferta inclui dados prioritários e, depois de consumido o volume contratado, acesso com velocidades até 1 Mbps de download e 0,5 Mbps de upload. Os escalões seguintes estão anunciados a 93 euros por mês para 500 GB e 168 euros para 1 TB.

Para particulares, a página portuguesa apresenta o Residencial de 100 Mbps a 35 euros mensais, disponível apenas em áreas selecionadas. O plano Em Viagem de 100 GB surge a 45 euros por mês.

São ofertas distintas, com condições próprias, que não devem ser automaticamente atribuídas às juntas de freguesia.

Internet por satélite também precisa de eletricidade

A expressão “internet anti-apagão” exige algum cuidado. A ligação por satélite oferece uma alternativa quando falham os acessos terrestres locais, mas a antena e os equipamentos de rede continuam a precisar de energia.

No caso da Starlink Mini, a ficha técnica indica um consumo médio de 25 a 40 W. Para manter o acesso durante uma falha elétrica, é necessário assegurar uma fonte alternativa, como baterias ou um gerador, dimensionada para o equipamento e para o tempo de funcionamento pretendido.

Ter uma antena instalada é, por isso, apenas parte da preparação. A disponibilidade do serviço, a autonomia energética e a capacidade das equipas para colocar o sistema a funcionar determinam a utilidade real da solução numa emergência.

E na sua freguesia, já existe algum ponto preparado para manter o contacto com o exterior durante um apagão?

Comentários

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  1. Avatar de Nome
    Nome

    A única coisa "anti-apagão" são os geradores a diesel e/ou baterias portáteis/parede. Tanto quanto se sabe o starlink é apenas para ter acesso à internet via satélite, se não houver luz de nada vale o starlink logo não é "anti-apagão".

  2. Avatar de CIéqueébom1
    CIéqueébom1

    Mais spyware to Musk.

  3. Avatar de Técnico
    Técnico

    Precisa de torres para enviar o sinal para cima.

    1. Avatar de Vítor M.

      Não faltam torres. E Portugal está muito bem servido pela Starlink; somos “importantes” nas comunicações transatlânticas. 😉

  4. Avatar de Sail
    Sail

    Mais dados que vão ser entregues aos EUA de graça.

  5. Avatar de Alguém
    Alguém

    já tinha starlink e sistema solar off-grid no apagão de abril

  6. Avatar de João bitola
    João bitola

    Quando chegar o momento da verdade, a star link está na casa do primo, o gerador ou não tem combustível ou está emprestado na casa do primo. Isto era bom para um país civilizado, num país em que tanques viram piscinas da noite para o dia, não funciona

  7. Avatar de Mauro
    Mauro

    O limite teórico de uma antena 2G são 35Km. Durante as tempestades fiz muitas chamadas em 2G. Bastava que corrigissem os problemas de segurança do 2G, e poderíamos ter uma rede de backup.