Quantcast

Hoje na História dos Computadores: o IBM 1401 salvou o plástico de bolhas

1 Comentário

O plástico de bolhas nasceu para decorar paredes. Foi um computador da IBM que lhe deu uma nova vida. Hoje é praticamente impossível receber uma encomenda sem encontrar plástico de bolhas no interior da embalagem. Este material tornou-se sinónimo de proteção durante o transporte de produtos.

Hoje na História dos Computadores, uma rubrica famosa no Pplware, vamos falar de algo que poucos sabem sobre aquele plástico bolhas… satisfatório.

O plástico de bolhas nasceu para ser usado como papel de parede. Extamente o que está a pensar, uma coisa absurda, verdade? Contudo, só anos mais tarde encontrou a utilização que o transformaria num dos materiais de embalagem mais utilizados do mundo.

Uma ideia inovadora… mas sem sucesso

A história começa em 1957, quando os engenheiros norte-americanos Alfred Fielding e Marc Chavannes desenvolveram um material formado por duas folhas de plástico seladas entre si, criando pequenas bolsas de ar.

A invenção destinava-se ao mercado da decoração. A dupla acreditava que poderia vender o produto como um moderno papel de parede tridimensional, capaz de dar uma aparência diferente às habitações. A realidade foi bem diferente.

Os consumidores consideravam o material demasiado artificial, pouco elegante e, além disso, as bolhas rebentavam facilmente quando alguém se encostava à parede. O projeto revelou-se um fracasso comercial.

Nem como isolamento funcionou

Sem desistirem da invenção, os dois engenheiros procuraram uma segunda aplicação. A ideia seguinte foi utilizar o material como isolamento para estufas agrícolas, aproveitando as bolsas de ar para melhorar a retenção de calor.

Mais uma vez, o mercado não mostrou interesse e o produto continuou sem qualquer utilização prática. Durante cerca de três anos, Fielding e Chavannes mantiveram uma invenção sem saber como a transformar num negócio.

Alfred W. Fielding, à esquerda, e Marc A. Chavannes, inventores do plásticos-bolha e fundadores da Sealed Air Corp., cerca de 1970.

A oportunidade surgiu com um computador revolucionário

Foi em 1959 que tudo mudou. Nesse ano, a IBM preparava o lançamento do IBM 1401, um computador destinado ao mercado empresarial que viria a tornar-se um dos maiores sucessos da história da empresa.

O IBM 1401 não tinha nada a ver com os computadores atuais. Ocupava praticamente uma sala inteira e era composto por vários armários metálicos que integravam a unidade central, memória de núcleo magnético (magnetic core memory), leitores de cartões perfurados, unidades de fita magnética e impressoras de elevada velocidade.

Apesar de hoje parecer modesto, era um equipamento extremamente avançado para a época.

Entre as suas características destacavam-se:

  • Memória entre 1.400 e 16.000 caracteres;
  • Processamento decimal, especialmente concebido para aplicações comerciais;
  • Utilização de cartões perfurados e fitas magnéticas para armazenamento e introdução de dados;
  • Impressoras capazes de produzir centenas de linhas por minuto.

O sistema era utilizado para faturação, contabilidade, folhas de pagamento, gestão de inventário e outras tarefas administrativas que, até então, eram realizadas por equipamentos eletromecânicos muito mais lentos.

O sucesso foi imediato. Ao longo da sua vida comercial, foram instaladas mais de 10.000 unidades, um número impressionante para o final da década de 1950 e início da de 1960.

O verdadeiro problema era o transporte

Cada IBM 1401 representava um investimento elevado e continha componentes eletrónicos extremamente delicados.

Na época, transportar equipamentos desta dimensão era um enorme desafio. O método mais comum consistia em utilizar papel de jornal para proteger as máquinas durante o envio por camião, navio ou avião, uma solução que oferecia pouca capacidade para absorver impactos.

Era aceite que uma parte dos equipamentos chegasse ao destino com danos. Foi então que Fielding e Chavannes perceberam que estavam a olhar para a sua invenção da forma errada.

As pequenas bolsas de ar não eram apenas um elemento decorativo. Funcionavam como uma excelente camada de amortecimento. A dupla apresentou a ideia à IBM como uma nova solução de proteção para o transporte dos seus computadores. A empresa aceitou.

Uma invenção que mudou a logística

A decisão revelou-se um enorme sucesso. O plástico de bolhas reduzia significativamente os danos provocados durante o transporte, permitindo enviar equipamentos frágeis com muito maior segurança.

Rapidamente, outras empresas adotaram a mesma solução para proteger componentes eletrónicos, equipamentos industriais, peças em vidro, cerâmica e inúmeros outros produtos.

Aquilo que começou como um papel de parede falhado tornou-se um dos materiais de embalagem mais importantes da logística moderna.

Um erro que acabou por criar um sucesso mundial

O plástico de bolhas é hoje um dos exemplos mais conhecidos de uma invenção que encontrou o sucesso apenas quando alguém descobriu uma utilização completamente diferente daquela para a qual tinha sido criada.

Além da sua função principal, ganhou ainda outra inesperada: o simples ato de rebentar as pequenas bolhas de ar tornou-se uma forma de entretenimento para milhões de pessoas em todo o mundo.

Mais de seis décadas depois da sua criação, continua a ser um dos materiais mais utilizados para proteger produtos durante o transporte, provando que, por vezes, o verdadeiro valor de uma inovação só é descoberto quando alguém olha para ela de uma perspetiva diferente.

Comentários

1

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

  1. Avatar de Max
    Max

    Quem salvou o plástico de bolhas foram os viciados em rebentar bolhas.