Famílias europeias consomem mais, mas poupam menos. E os portugueses?
No quarto trimestre de 2025, o consumo real per capita das famílias cresceu na zona euro e na União Europeia (UE). Contudo, os dados revelam uma outra tendência: a taxa de poupança está a cair, e Portugal não é exceção.
As famílias estão a gastar mais
Os dados publicados esta semana pelo Eurostat pintam um retrato de otimismo cauteloso para as economias domésticas europeias.
No último trimestre de 2025, o consumo real per capita das famílias cresceu 0,5% na zona euro - ligeiramente acima dos 0,4% registados no trimestre anterior - e 0,6% no conjunto da UE, mantendo o ritmo do período precedente.
Estes números, provenientes das contas setoriais europeias divulgadas pelo Eurostat em conjunto com o Banco Central Europeu (BCE), indicam que as famílias estão, de facto, a aumentar o seu nível de consumo em termos reais, ou seja, já depois de descontada a inflação.
Impostos pesam na carteira das famílias
A outra face da moeda é o rendimento dos cidadãos.
Na zona euro, o rendimento real per capita das famílias cresceu apenas 0,1% no quarto trimestre, após ter ficado estável nos três meses anteriores.
Na UE, o crescimento foi de 0,2%, ligeiramente acima dos 0,1% do trimestre anterior.
Por isso, o consumo está a crescer mais depressa do que o rendimento, o que explica, em parte, a descida da taxa de poupança.
Na zona euro, o principal fator positivo para o rendimento foi o rendimento líquido de propriedade e outras transferências correntes.
Já na UE, o principal motor foi a remuneração dos trabalhadores, ou seja, os salários.
Em ambas as geografias, impostos e contribuições sociais continuaram a pesar negativamente no rendimento disponível das famílias.
Evolução da taxa de poupança
Uma das leituras mais significativas deste relatório é a evolução da taxa de poupança.
Na zona euro, desceu 0,4 pontos percentuais (pp) para 14,4%, e na UE caiu 0,5 pp para 13,6%.
Entre os Estados-membros com dados disponíveis, seis registaram subidas na taxa de poupança e oito descidas. A Grécia foi o destaque positivo, com um aumento de 2,1 pp, seguida da Áustria (+1,6 pp) e da Chéquia (+0,6 pp).
No lado oposto, a Hungria liderou as descidas (-1,4 pp), seguida de Itália (-0,8 pp) e da Finlândia (-0,5 pp).
Portugueses poupam menos, mas investem mais
Para Portugal, os dados revelam uma tendência mista. A taxa de poupança desceu 0,3 pp, o que indica que as famílias portuguesas estão a canalizar uma fatia maior do seu rendimento para o consumo.
Ao mesmo tempo, a taxa de investimento subiu 0,2 pp, a segunda maior subida entre os países analisados, apenas atrás da Itália (+0,5 pp).
Este comportamento pode refletir uma maior confiança das famílias portuguesas na economia e nas suas perspetivas futuras, apostando em habitação ou outros bens duradouros.
Não obstante, a descida da poupança merece atenção, especialmente num contexto de incerteza global.
O que significa tudo isto?
No conjunto, os dados do Eurostat apontam para uma economia europeia em que as famílias estão a consumir mais e a investir ligeiramente mais, mas a poupar menos.
Este padrão pode ser lido como um sinal de confiança: as pessoas gastam quando acreditam que o futuro é estável.
Contudo, levanta questões sobre a resiliência financeira das famílias caso se materializem choques económicos.
A próxima atualização destes dados está prevista para 27 de julho de 2026, e deverá cobrir o primeiro trimestre do ano em curso.
Será um momento importante para perceber se a tendência de menor poupança se mantém ou reverte, dados especialmente curiosos, tendo em conta as incertezas comerciais e geopolíticas que têm marcado 2026.
Leia também:























Os portugueses não consomem mais porque não podem. E não podem porque são miseravelmente pagos. Em igualdade de trabalho e horas levam para casa menos de 1/3 do que leva um holandês ou dinamarquês.
Já que estamos a comparar, em termos de produtividade, segundo valores da OCDE para 2023 do valor/hora/USD, Portugal tem uma produtividade de 55,70, a Holada 92,89 e a Dinamarca 99,24.
Mesmo por essas proporções um português deveria ganhar 60% do que ganha um holandês e 57% do ganha um dinamarquês. Estamos muito abaixo disso, e porque não temos sindicatos fortes.
O custo de vida é inferior
O custo de vida aqui é semelhante ao da Alemanha: os supermercados muitas vezes até são mais baratos, os carros idem, os combustíveis custam mais uns pouquíssimos cêntimos, mas em compensação zero portagens, as rendas em Lisboa e Porto até são mais caras, e no entanto eles ganham 2,5X mais. Só o café na esplanada e mais barato. Não há explicação nenhuma para o que se passa em Portugal, fora o facto de os portugueses continuarem a votar no capitalismo neoliberal.
Errado, porque depois vem ainda a fiscalidade, que é muito melhor no estrangeiro. O trabalhador e as empresas portuguesas são penalizadas pela produtividade inferior, e pela fiscalidade pior. Tudo isso junto faz com que tenhamos salários baixos. É preciso mudar o tecido empresarial e mudar a fiscalidade. Sem isso vamos caminhar para ter os salários da Albânia.
Precisamente. Mudar o tecido empresarial como o mudaram em 1917 – todo para a Sibéria!
lol. E que belo resultado que isso trouxe para a população. Fome, miséria, opressão e falta de liberdade.
Estás a ver a questão ao contrário.
A questão é o porquê dos dinamarqueses e dos holandeses não ganharem apenas o dobro mas sim mais.
Lá não procuram empregos para a vida e não se agarram como lapas a um posto de trabalho mesmo que não produzam nada. Aqui estamos cristalizados há décadas com leis laborais do século XIX que não incentivam as pessoas a trabalharem e a fazerem pela vida. E depois queixam-se de que ganham mal.
As nossas leis laborais não são muito diferentes das da Holanda e da Dinamarca. E mesmo que adoptássemos leis exactamente iguais os salários não subiam um cêntimo à pala disso. O negócio dos capitalistas não é pagar mais pelo trabalho dos portugueses. É pagar menos! O mais alto de todos os lucros faz-se sempre com o mais baixo de todos os salários.
Pudera, ao preço que estão os combustíveis e bens de 1ª necessidade q deles dependem, que remédio.
Os hotéis e alojamentos cheios de portugueses na Páscoa também foram de primeira necessidade?
Chapa ganha, chapa gasta
Em Portugal “a taxa de investimento subiu 0,2 pp, (…) Este comportamento pode refletir uma maior confiança das famílias portuguesas na economia e nas suas perspetivas futuras, apostando em habitação ou outros bens duradouros”.
O investimento das famílias é quase exclusivamente em habitação. Eu diria apenas que as casas estão mais caras.
O INE divulga mensalmente, com base em inquéritos, o Índice de Confiança dos Consumidores (ICC)- sobre a situação financeira agregado familiar, a situação económica do país e a intenção de realizar contas importantes. Era para escrever qualquer sobre o índice nos meses do Q4 2025, mas há outro elemento mais significativo comoi se vê pelos números a seguir – em março e abril atingiu o nível mais baixo desde final de 2023 (quanto mais negativo pior):
– janeiro/2026: -13,7
– fevereiro/2026: -17,0
– março2026: -25,4
– abril/2026: -29,4
O índice revela o impacto direto do conflito no Médio e da subida os preços dos combustíveis e da inflação. As famílias reportaram uma deterioração severa na perceção da sua situação financeira nesses meses e no futuro.
Acima: ICC – sobre a situação financeira agregado familiar, a situação económica do país e a intenção de realizar – compras – importantes
A inflação adora isto. Pressão sobre a oferta, numa altura de menor oferta, só vai fazer os preços subir. Preparem-se que a taxa diretora do BCE vai começar a subir. Não há um político decente que explique às pessoas que em tempos de crise é preciso ajustar os gastos à situação.
Os Portugueses não poupam porque são uns gastadores que se querem armar em ricos para mostrar aos vizinhos.
Quantos e quantos não vivem acima das reais posses apenas para mostrarem o que não são?
PorcoDoPunjab não usa crédito.
Tenho dinheiro? Compro.
Não tenho? Não compro.
Fácil, não é?
Requer alguma disciplina.
É um pouco isso, não diria que seja para mostrar ao vizinho, mas há muita gente a viver no limite.
O portugues nao precisa de poupar pois vive a custa dos subsidios Europeus
Não há vida à custa de subsídios europeus. Todo o que de lá vem foi de Portugal para lá. E vai ser ainda pior: já estamos a pagar os estragos do zé lenços da voz de bagaço.
Aprendam com os páises comunistas, onde as suas famílias gastam pouco e poupam quase tudo!