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Estudo: A falta de produtividade em Portugal…


Autor: Ana Narciso


  1. Sim sem dúvida a flexibilidade e a capacidade que temos de usufruir de tecnologia fora de uma empresa é muito importante.

    Posso falar pois trabalho dentro e fora da empresa, problema é quando chegamos ao limite de deixar de lado a nossa vida pessoal para trabalhar. Por isso é muito importante este estudo para quem começou a trabalhar e não tem esse toque ou experiência.

    • Ana Narciso says:

      Essa é uma das grandes conclusões deste estudo: em geral, as pessoas têm receio que a flexibilidade do local de trabalho prejudique a sua vida pessoa. É uma preocupação relevante, mas acho que o problema vem também das chefias que podem interpretar o conceito como “horas extraordinárias em casa”…

  2. Bruno Bastos says:

    A flexibilidade no trabalho pode ser benéfica. Mas isso tem de ser visto caso a caso. Sinceramente continuo a achar que trabalhar na organização é o melhor. Quando já não vives sozinho, ter de chegar a casa e continuar como se tivesse na organização penso que seria penoso.
    Quando chegas a casa queres é estar com os teus e descansar para que possas ir outra vez de manhã no dia seguinte.

    Isto é só a minha opinião. Não o digo com experiência, mas neste momento é esta a minha opinião.

    • Mauro says:

      Isso a que te referes não é flexibilidade no trabalho. É horas extraordinarias em casa. Flexibilidade no trabalho seria por exemplo trabalhar uma manha em casa, ou mesmo um dia todo sem ter de ir ao local fisico da empresa.

      • Bruno Bastos says:

        Ok! Tens razão! Interpretei mal! Mas ainda assim, acho que para trabalhar em casa é benéfico no sentido de se tiveres filhos ou alguém doente em casa! Mas acho que acabas sempre por confundir horário de trabalho com horas extras! Por não teres aquela quebra de saíres do trabalho e ires para casa! Além disso, acho que acabas por, por exemplo, deitares-te tarde sabendo que amanha não precisas de ir para a empresa! E depois acabas tipo “zombie” =)

        Claro que depende da pessoa! Mas acho até para a mente da pessoa, ter aquela quebra de sítio: estou no trabalho, estou em casa!

      • JP says:

        Pois é Mauro tens toda a razão, concordo e pratico, mas tambem sei que é uma realidade que não agrada à grande maioria das pessoas em Portugal (chefias e subordinados) continua a prevalecer a cultura do andar no corredor com uma folha de papel de um lado para o outro durante 8 horas 5 dias por semana, isso sim é que é estar no “emprego” trabalhar em casa exige ser responsavel e saber que tens que entregar o que te delegaram, perdes aquela coisa do fazer render o peixe e isso não agrada a muita gente, bem como tambem não será para todos.

  3. arrebenta says:

    o que eles querem sei eu!

    • Lop says:

      E eles querem….?

      Porque a sério, do que eu interpreto do teu comentário é o que acho ser o problema das pessoas que só imaginam os possiveis pontos negativos de tal caminho.

      A primeira coisa a ver à cabeça é que um trabalhador em casa não vai produzir pois não se sente vigiado, ou é menos produtivo porque está distraido com o comforto da casa, so on.

      Nem todos os casos são os mesmos, muito menos as pessoas; mas o facto é que já se provou N vezes que há pessoas com disciplina suficiente para efectuar as tarefas que lhes competem, por vezes objectivos que sem distracções podem ser concluidas num terço do tempo necessário (Experiencia própria). Em cima disto podes oferecer beneficios ao trabalhador como poupar 2 a 4 horas que seriam perdidas em transportes para se deslocar entre casa e o trabalho o que oferece não só tempo livre ao trabalhador como uma motivação em ter um desempenho que mostre que consegue ser produtivo mesmo trabalhando remotamente.

      De momento isto em termos gerais é impossivel pois os gestores, que pouco ou nada percebem do que as pessoas que controlam estão de facto a fazer, meramente acreditam nas teorias de aplicar objectivos, necessidade de presença e tretas similares. O resultado vejo-o à minha volta: Pessoas descontentes, cuja produção já as próprias disseram que deixariam reduzir em vez de fazer qualquer esforço adicional para alem dos objectivos impostos.

      • arrebenta says:

        o que eles querem? é facil… oferecer salarios mais baixos, diminuir custos com energia e passar parte dos custos e responsabilidade de IT para o lado do trabalhador (ver conceito BYOD e conjugar)

        • jony says:

          a electricidade tá cara! agora se a tal “flexibilizaçao” for feita tendo em conta as nossas facturas ainda era um caso a pensar. e nao é só isso, felizmente somos Portugal e nao EUA ou Alemanha, temos o nosso próprio método de trabalho, sei que é pior que os outros, mas ao menos nao vivemos só pró trabalho como certos países.

  4. jesus says:

    Bem acaba por ser um estudo feito por uma multinacional de tecnologia, e por esse facto atribui a “baixa” produtividade do tecido empresarial português à flexibilidade e acesso a tecnologia. Mas isso é somente palha, isto porque a produtividade está relacionada com a adequada remuneração dos indivíduos, aliada à modernização de equipamentos e processos produtivos e vice-versa. Cá neste paízinho à beira-mar plantado todos querem elevadas produtividades pagando pouco aos trabalhadores e isso não dá nenhum resultado. Experimentem subir os ordenados ao nível de uma alemanha ou de um qualquer país nórdico, façam uma correta e eficaz aplicação dos impostos em saúde, educação e equipamentos sociais (i.e. penalizem duramente políticos, autarcas, chefes de repartição, polícias, banqueiros, e até mesmo o funcionário corruptos) e verão o país crescer. Agora não é só com pc’s e acesso a partir de casa que as coisas se resolvem. Cada um de nós tem uma componente de trabalho e a componente família, e na minha opinião é cada um no seu lugar (casa – família, empresa – trabalho).

    • Serva says:

      Bom dia ,

      Excelente artigo e de facto muito pertinente , Jesus concordo basicamente com o que escreves , no entanto apesar de serem conclusões de uma empresa de tecnologia não deixa de fazer sentido esta conclusão , é evidente que os pontos que referes são para juntar a este estudo que não quis enveredar por essa vertente que escreves , fiquei com a sensação que no fundo não percebeste o que significa flexibilidade no trabalho .

      A flexibilidade não implica horas extraordinárias , implica por exemplo horários diferenciados de entrada no escritório , implica poderes não sair de casa todos os dias e ires ao escritório e daí se falar em tecnologia é no fundo o que esta expressão quer dizer , por defeito da minha profissão conheço um pouco da realidade Europeia e posso desde já afirmar que esta flexibilidade é sem dúvida usada numa percentagem bem mais elevada na Europa comparando com a realidade Portuguesa , existem departamentos em que a presença física é absolutamente indispensável , mas mesmo nesses departamentos a flexibilidade nas horas de entrada e saída poderiam fazer todo o sentido devido ao nosso fuso horário para por exemplo empresas que se relacionem externamente com outros Países Europeus , podemos até levar ao extremo e afirmar que as empresas que têm relações comerciais com a Ásia poderiam ter sem dúvida um horário diferenciado e até rotativo se existissem mais que 1 trabalhador nesse Deptº , por isso concluo que não é de todo displicente este estudo e que os nossos empresários se o soubessem ser de facto já teriam implementado a muito esta flexibilização .

      Cumprimentos

      Serva

    • Tiago says:

      Subscrevo inteiramente. Estão todos muito preocupados em importar o modelo de desenvolvimento chinês, mas esquecem-se que ele traz um modelo político associado, e a repressão policial de dia 14 é apenas um primeiro reflexo disso. Como jesus refere :), a produtividade nórdica não assenta em repressão, nem em salários baixos, nem em corrupção e o paradigma de trabalho é completamente distinto do que é veiculado no estudo. Se alguém trabalha fora do seu horário de trabalho é porque: 1 – está a trabalhar mal e precisa de corrigir os métodos trabalho; 2 – existe um força de trabalho mal dimensionada para as necessidades laborais da empresa, ou seja é necessário contratar mais pessoas. Mas isto são países onde pressupõe uma política de pleno emprego não uma política activa de desemprego no sentido de pressionar uma baixa do valor do trabalho. A Microsoft não traz soluções, aliás é parte do problema, é mais uma enorme PPP dissimulada, na qual o governo resiste em cortar, apesar de haver uma intenção eleitoral na adopção de software open source, esta ainda não se vislumbrou.

  5. Sergio says:

    Ha alguns anos atras vi no 60 minutes uma reportagem em que permitia a flexibilidade ao máximo. Na realidade os colaboradores pouco iam as instalações, podiam passar dias sem lá ir. Faziam acesso remoto, teleconferencias, etc. Os colaboradores adoravam essa flexibilidade, o poder estar em casa, mas na realidade via-se que eram workaholics. Trabalhavam as 16 horas por dia. E uma coisa que reparei é que eram solteirões…

    Nao é que eu nao encaixe nesse perfil, mas tenho a atenuante de trabalhar para “mim”

  6. ked says:

    O problema da produtividade em Portugal está na gestão. Só se vê incompetentes como chefes que sabem menos que uma empregada de limpeza sobre tecnologia. Criem os vossos produtos e criem as vossas empresas porque trabalhar para os outros não está com nada.

  7. Cris. says:

    Poder deixar a responsabilidade do trabalho no escritorio é um luxo, actualemente. Grandes poderes, grandes responsabilidades. Não é facil nao cumprir uma dead-line, deixar um cliente na mão ou simplesmente nao cumprir os objectivos (quando razoaveis)

    A baixa productividade em Portugal é dado à baixa motivaçao €€€. Porquê se andar a matar quando o manager com conversa ganha ene vezes mais.

    E a questao das horas extras é somente por medo à perda do Trabalho. Conheço pessoas que as fazem somente porque lhes é
    quasi-obrigado a isso, com a constante ameaça “à não queres, pera que jà vem outro”. E o mais nojento, e quando essas pessoas querem sair no horario normal o boss “Jà??”

    Enfim…

  8. Leonel says:

    Não li ainda o estudo na integra,mas a julgar pelo artigo parece-me estar um pouco desvirtuado, ou se calhar no caso de Portugal não terá em conta outros factores, mais humanos, da questão. Vivo fora de Portugal, trabalhei na Irlanda, neste momento estou em Inglaterra prestes a voltar à Irlanda novamente. O que aqui se faz (em algumas empresas onde tive sorte de trabalhar) é dar alguma liberdade ao colaborador em fazer a gestão do seu tempo, mas com a obrigação de atingir objectivos, e estes têm de ser cumpridos sempre com planeamento adequado.
    É bom ter uma rotina em que vamos para o escritório e estamos com os colegas e fazemos o nosso trabalho. Mas também é bom que as empresas reconheçam que a vida de cada um tem momentos em que é preciso alguma folga e é ai que a tecnologia pode ajudar. Se por uma razão maior o trabalhador não pode num dia chegar a horas do trabalho porque houve uma reunião na escola do filho, porque não fazer o trabalho a partir de casa com ferramentas de acesso remoto? Tenho colegas que estão no Brasil, por questões familiares, e fazem o seu trabalho com acesso remoto a Inglaterra. A responsabilidade sobre o trabalho feito existirá sempre, mas existe a confiança da empresa que assim será… e a recompensa vem sempre com incentivos monetários e sociais. A tecnologia existe, não é necessáriamente cara, mas outros factores serão bem mais importantes.

  9. Miguel Sousa says:

    O estudo é atirado paraa flexibilidade… mas só fala é do acesso remoto ás tecnologias.
    A maioria das empresas não precisa de ter os seus sistemas “na nuvem” para ser produtiva.
    Muitas vezes essa tecnologia acaba por se tornar muito mais complicada para os funcionário.
    Trabalho numa empresas que possuí mais de 100 vendedores pelo país fora. Sabem qual foi o problema que tivemos de enfrentar há poucas semanas?
    Uma zona do centro do país teve um “blackout” nas redes de telemóveis quase por um dia inteiro. Os nossos vendedores acabaram por perder o dia pela simples razão: não tinham um catálogo em papel.
    Como os telemóveis começaram a falhar pois foram horas a fio a tentar procurar rede e tentar ligar-se a antenas muito distantes das quais apanhavam pequenos sinais, rapidamente as baterias ficaram em branco. Sem o telemóvel, eles perderam-se. Não sabiam o email da empresa, não sabiam o telefone nem se lembravam dos nomes das pessoas responsáveis por determinado departamento.
    Como usavam os telemóveis para pesquisar no servidor da empresa os catálogos e as informações de acordo com as necessidades dos clientes, ficaram sem qualquer capacidade de trabalho.
    No entanto, isto só aconteceu com os vendedores entre os 20-30 anos. 2 vendedores com mais de 40 anos não tiveram qualquer problema… porque tinham os catálogos no carro e sabiam promenores de acordo com os pedidos dos clientes.

    Neste caso vimos que é preciso mudar alguma coisa na forma como os nossos vendedores funcionam.
    Desde essa altura, os vendedores foram obrigados a ter catálogos dos principais produtos que comercializamos, terem listas generalistas para os produtos que as empresas que eles cobrem costumam necessitar.
    Ao cabo de 6 meses, tivemos uma agradável surpresa. As vendas mantiveram-se estáveis e a conta de telemóveis caíu mais de 50%.

    Por isso, a tecnologia nem sempre é a melhor solução.

  10. bimbo says:

    Não vejo aí a percentagem de pessoas que socializam, falam e jogam no pc do trabalho en vez de produzir para quem lhes paga..!

    • Serva says:

      Bom dia ,

      Bimbo , também existem de facto essas personagens que de uma maneira ou de outra tentam furar as barreiras impostas pelos deptºs de TIs , mas eu preferia não generalizar , em Portugal trabalha-se muitas horas a mais para a produtividade que no final se obtém e isto é sem dúvida alguma fruto da má gestão dos nossos empresários , até mesmo o exemplo que deste enquadra-se num cenário de má gestão , o que posso dizer é que existem muitas empresas em Portugal que têm bons gestores e que acabam por ser empresas cheias de sucesso , pena é que não possamos clonar esses bons mas poucos exemplos .

      Cumprimentos

      Serva

  11. Jorge says:

    Estes estudos só dão vontade de rir!!
    A falta de produtividade é devido à falta de flexibilidade no trabalho e na tecnologia.
    E então os salários de 3º mundo, falta de condições de trabalho, gestão incompetente?

    • Y-lhaK says:

      tal e qual, …valente palhaçada, falar de produtividade sem distinguir a chamada produtividade do trabalho e a produtividade do capital só pode dar em “historinhas da treta”, por demais tendenciosas.
      a falta de produtividade em portugal deve-se à fraca produtividade do capital, porque a produtividade do trabalho do tuga não fica em nada atrás das dos demais, normalmente fica à frente, e não faltam exemplos para o comprovar, como por exemplo este:
      http://boasnoticias.pt/noticias_Portugu%C3%AAs-eleito-trabalhador-mais-eficiente-da-Bayer_13126.html …alemão?, japonês?, ….qual quê…é um tuga…exemplo para os demais, dito pela boca do responsável lá do sítio.
      …tá na moda dizer que o português é “calaceiro” e, pasme-mo-nos, a solução é a flexibilidade do trabalho e não o aumento da produtividade do capital….que treta…:)

  12. eduardo says:

    não vejo onde é que o estudo diz que há falta de produtividade!
    É apenas um inquérito de opinião, não mede a produtividade, nem acho que possa servir para uma empresa tomar decisões. Apenas reflecte a opinião sobre condições de trabalho

  13. Paulo Figueiredo says:

    Depende de que tipo de flexibilidade estamos a falar. Se for na flexibilidade do trabalhador em gerir melhor o seu trabalho, em ter mais autonomia e amplitude de tarefas (narrow tasking é totalmente anti-produtivo), concordo. Se for flexibilidade em termos de mobilidade profissional vai é jogar a favor da entidade patronal.

    A falta de produtividade tem, na minha opinião, a ver com falta de valorização de conhecimentos e má condições de trabalho. Nas empresas portuguesas (aquelas que conheço por dentro, pelo menos) insistem em cortar acesso à internet aos colaboradores. Acho que é a decisão mais idiota que uma empresa pode tomar por estes dias. Se houver uma lógica de objectivos que interfiram com o paycheck, o colaborador saberá certamente gerir o tempo que passa na internet e o tempo de trabalho, para além de se propiciar um ambiente muito mais agradável.
    Mas não, as empresas esforçam-se por acreditar que o colaborador tem de ter umas palas nos olhos e apenas produzir sem distracções, tratando-o muitas vezes como uma criança na escola primária que não pode falar com o colega.
    Mas enfim, quero acreditar que é um regime que não acontece em todo o lado.
    A valorização do conhecimentos tem a ver não só com as baixas remunerações que auferimos neste país como a fraca progressão na carreira.

  14. Luis Gomes says:

    Provavelmente vou ser criticado mas o pais so sera mais produtivo qdo o site do facebook for bloqueado nos computadores de trabalho

  15. CMatomic says:

    A falta de produtividade em Portugal resume-se a uma coisa muito simples ordenados baixos , para se viver bem em Portugal o ordenado minimo devia ser 1600 euros , como é que um país onde ordenado minimo é de 480 euros querem produtividade ” ainda alguns dizem que os Portugueses ganham muito” querem produtividade , as pessoas em Portugal trabalham para sobreviver , e não para serem produtivos essa é grande diferença , também este é o pais onde quem trabalha não pode dar ideias para melhorar o seu trabalho , onde alguns patrões andam de BMW e os empregados trabalham com ferramentas obsoletas , carrinhas podres e etc..

  16. Tiroliro says:

    Estudos há para todos os gostos. Mas raras são as vezes em que se vêem estudos isentos, quando o objectivo é concluir na satisfação dos interesses económicos.

    1-A chamada flexibilidade para trabalhar à distância, deve compreender a facilidade de acesso e desenvolvimento de tarefas sem a presença no local de trabalho, mas dentro do horário legal estipulado em contrato de trabalho. Essa facilidade já existe na generalidade das empresas que dela necessitam de um modo recorrente. Sugerir o desempenho de tarefas fora do horário de trabalho, não só é desonesto, como é ilegal e evidencia os pressupostos de um fascismo económico que cada vez mais de revela nas sociedades capitalistas.

    2-Quando de fala de produtividade, em vez de insinuarem que os trabalhadores são ou malandros ou desorganizados, estes pseudo-dotores têm no mínimo a obrigação de esclarecer as pessoas sobre o que estamos a falar. Em termos económicos, o índice de produtividade não é mais do que o PIB (riqueza produzida de um país) a dividir pelos trabalhadores no activo. Em função da realidade de cada país, e no caso português em concreto, um problema matemático se levanta: sabendo que 1/3 dos trabalhadores portugueses exercem funções no sector público, o qual não produz riqueza mas apenas a prestação de serviço à comunidade, temos imediatamente um problema na equação. Nas empresas, estas deparam-se com uma panóplia de burocracias que as obriga ter ao seu serviço funcionários que também nada produzem, cujas funções se limitam a cumprir imperativos legais (qual é a empresa que não temengenheiros ou técnicos de qualidade só para assinar papéis?). Muito mais havia a dizer, mas este breve comentário serve apenas para esclarecer que a falta de produtividade no país, salvo raras excepções, não é culpa nem das empresas nem dos trabalhadores, mas sim do legislador e administração pública, que ao longo dos anos criaram uma teia geradora de ineficiência. Quando vemos portugueses emigrados no estrangeiro, estes são dos trabalhadores mais produtivos por onde passam. Quando olhamos para países como Alemanha, Luxemburgo, Dinamarca, Suécia, nesses países trabalham-se menos horas e com maior produtividade. Porquê? Porque as empresas têm ao seu serviço apenas e tão somente os recursos humanos estritamente necessários.

    Breves exemplos do problema da improdutividade portuguesa:
    – Portugal tem quase três vez mais funcionários públicos per capita quando comparado com Espanha;
    – Portugal é o terceiro país da europa com mais agentes policiais, embora cada vez se vejam menos na rua. Estão nas esquadras a efectuar trabalho administrativo.
    – Portugal é o país da Europa com maior número de graduados nas forças armadas. Temos mais almirantes do que navios, mais generais, sargentos, etc, do que destacamentos.
    – A administração pública é a terceira da europa onde existe maior número de cargos de chefias intermédias. Chega-se ao cúmulo de existir um director para um ou dois funcionários que executam as tarefas.

    Todos, mas todos eles e muitos outros, entram na equação!

  17. João Dias says:

    Acho estranho ainda ninguém ter corrigido aqui a ideia de produtividade.
    Não se trata de um termo relacionado com horas de trabalho, salários e esse tipo de argumentos. Trata-se, sim, de, efectivamente, do que é produzido. Nós passamos 5 horas a produzir cortiça. Um alemão produz Mercedes. Os produtos são diferentes, os valores são diferentes. Nós temos maior necessidade de captar investimento estrangeiro. Não somos competitivos, principalmente por isso.

    Embora alguns não consigam perceber isso, e eu não consigo entender porquê, nós só seremos competitivos com salários mais baixos que o resto da Europa, porque só assim as empresas estrangeiras começam a ver Portugal como um local onde valha a pena investir, porque os impostos serão baixos, o despedimento mais facilitado e os salários também. Teremos que ser um país do Sul da Europa, mas disfarçado de país da Europa de Leste.

    Eu sei que isso revolta muita gente, mas é assim que a Economia de um país funciona melhor. Não podemos querer salários mais altos e continuar a produzir pouco e sem captar a atenção do mercado. E os gestores de empresas não podem querer ter uma vida regalada, pois isso também não contribui para a facturação.

    Pessoalmente, eu acho que, no caso das tecnologias, nos encontramos nesta situação, porque os nossos queridos governos do senhor Sócrates, Durão e Guterres decidiram investir os dinheiros emprestados pela UE em auto-estradas, ao invés da educação e tecnologia. Resultado: somos um país de gente burra e estruturas antigas. Mas hey, pelo menos podemos andar de auto-estrada para qualquer terrinha.

    • João Dias says:

      Quem diz auto-estradas diz pontes, estádios de futebol, Super-Centros escolares, regalias para a função pública e para as empresas do Estado.

      • Serva says:

        João Dias

        Boa tarde , algumas coisas que dissestes são completamente falsas , suponho que quando estavas a falar dos produtos que exportávamos os mesmos são de valor acrescentado mais baixo que um automóvel , bom eu se fosse a ti não seria assim tão perentorio nessa afirmação se existe sector aonde as margens de comercialização são muito baixas é no sector automóvel , sff não confundir o valor absoluto com as margens geradas .

        Recuso-me a aceitar que tenhamos que ser a China da Europa porque é disso que se trata , não como afirmaste da Europa de leste que em muitos casos já nos passou a frente em muitos aspectos .

        A escravatura já não pode voltar sob pena de uma revolta popular com dimensões bíblicas não acredites que isso vai acontecer porque não vai e para bem de todos e sobretudo das novas gerações que pela primeira vez na historia do pós segunda guerra Mundial irão ter condições de vida piores que os seus pais e até avós , este é um atraso civilizacional que foi criado pelas empresas de rating e pelos banqueiros de Wall street e arriscaria a dizer praticamente de todo o Mundo com alguma honrosas excepções .

        Outra coisa que te tenho de corrigir é que afirmares que o governo de Sócrates não investiu na educação é uma mentira muito grande , outros erros cometeu mas não esse que apontas , aliás ele dizia constantemente que Portugal só poderia ser competitivo se investisse forte na educação e dessa forma seria possível criar os tais produtos de valor acrescentado premium .

        Outra coisa que te esqueces é que Portugal tem imensas empresas de serviços e esses não me parece que possam ser diferentes da Europa do norte .

        Por fim a nossa situação encontra-se desta forma porque ao longo dos anos importamos mais do que exportamos e isso é que criou a nossa divida externa , a nossa dependência das energias fosseis acentua o agravamento deste desequilíbrio orçamental .

        Resumindo em vez de nos andarmos todos a crucificar e querermos transformar o nosso País na China Europeia que tal termos estratégias que possam dar sustentabilidade a nossa balança de pagamentos , desde logo temos o mar , hoje podem-se retirar do mar um sem número de riquezas , podemos no mar criar energia , existem muitos exemplos de aquários marítimos aonde se faz a reprodução de várias espécies de peixes , temos as Algas algumas delas com alto teor de açúcar que poderiam servir para produzir combustível e poderiam-se estabelecer kms e kms destas plantações na nossa plataforma continental que é vastíssima , temos o nosso clima , há que reinventar o turismo ou divulgar mais no estrangeiro somos um povo calmo aonde de vez em quando existem umas loucuras mas nada parecido a outros destinos turísticos , também aqui a quantidade não é sinonimo de maiores receitas daí eu ter usada a palavra reinventar , temos zonas do nosso País que produzem fruta de muito boa qualidade assim como os horticulturas há que criar empresários que para além da arte técnica possam ter a ambição de olhar para o Mundo global que nos foi aberto por altura da entrada do comercio livre ao nível Mundial , temos uma excelente gastronomia qual a razão de ainda não se terem criado a nível Europeu ou mesmo Mundial cadeias de Restaurantes com a marca da nossa gastronomia , vou finalizar porque já está um grande testamento dizendo que existe ainda outra coisa que os Portugueses têm de tratar é da ”marca” sim para ser ter uma boa reputação Mundial há que trabalhar muito para atingir bons rácios , mas tudo isto só pode ser feito com os Portugueses todos e não contra os Portugueses que é no fundo como eu hoje vejo os nossos actuais políticos uns serviçais das suas clientelas politicas continua o mesmo rogabofe dos boys e não passamos disto , sem justiça não vamos lá , sem condições de financiamento para as nossas empresas também é difícil a maior parte dos génios não nascem em berços de ouro e por isso os USA tiveram o sucesso que têm tido estando sobre o seu controle as maiores empresas do Mundo , dá que pensar não dá .

        Cumprimentos

        Serva

    • Tiago says:

      Eu também não consigo perceber como é que alguém pode sobrepor a economia à qualidade de vida dos cidadãos. Para que é que queremos uma economia competitiva? Para atrair investimentos estrangeiro para explorar mão de obra escrava portuguesa? É esse o modelo civilizacional que pretendemos? Ser a China da Europa? O PSD/CDS ser uma filial do PCP Chinês? Além disso, qualquer que seja o nosso PIB e produtividade, o problema de Portugal prende-se principalmente com desigualdade na distribuição de riqueza, temos dos índices de Gini mais baixos da Europa, mas somos o 3.º país da OCDE que mais trabalha a seguir ao Japão e México. Não se trata de competitividade, trata-se de pessoas, direitos humanos! E as pessoas pá?

    • francisco pina says:

      Parece que no meio desta conversa toda, alguém sabe o que é a produtividade de um país. Não se está a falar de produtividade individual( ficam zangados, com receio de passarem por ser vistos como maus trabalhadores).Do que se deve falar é quantos milhões de euros produziram 5 milhões de Portugueses a trabalharem, no duro, durante um dia, e quanto produziram 5 milhões de alemães ? Enquanto não se entender esta diferença, e porque é que ela existe, é como não querermos ver o óbvio, e o óbvio é: falta de cultura,cuja origem é tão antiga como o próprio Condado Portucalense.Não entendem que não é a mesma coisa fazer móveis, camisas, sapatos,com máquinas feitas por alemães, e fazer as próprias máquinas ? O valor gerado é outro ! Basta a leitura de alguns comentários que aqui estão reproduzidos para se chegar fácilmente, não ao Condado Portucalense, mas por lá perto.

  18. ked says:

    A última chefe de departamento de uma empresa no sector tecnológico que conheci era uma nulidade, mas mantinha-se no cargo apesar de tudo. Talvez fosse por ser lésbica e ir passar férias com a directora para Nova Iorque.

  19. Dna says:

    Isto tem muito que se lhe diga, mas é sem dúvida uma das razões. Mas para mim a principal prende-se com motivação a todos os níveis, quer por causa de tachos, quer por inveja dos colegas, quer por falta de remuneração adequada, quer por má organização, injustiça, etc.

  20. Rui says:

    Só fala assim quem não tem de gerir pessoas em Portugal. A alegada flexibilidade que é pedida pelos trabalhadores não será mais do que balda para a maior parte deles.
    É isto que acho.

    • ked says:

      Eu tenho sobre a minha responsabilidade mais de 200 engenheiros. Dou total liberdade para o máximo de responsabilidade. Todos sabem que têm prazos a cumprir e que acima de tudo devem ser inovadores e criativos. Flexibilidade confunde-se com baldas mas é na maioria dos gestores deste país. É vê-los a ir buscar os filhos ao colégio no horário de trabalho, ir para o ginásio, etc. O que acontece com a maioria dos gestores em Portugal é que tiram um MBA e acham-se logo uns gurus na gestão!

  21. Filipe YaBa Polido says:

    Mal li o título e parte da noticia lembrei-me logo de umas personalidades que encontro no dia-a-dia.
    Passam a vida no facebook…. enfim…

  22. Navyseal says:

    O problema não é a flexibilidade ou mobilidade, mas sim a falta de oportunidades para subir na vida sem cunha ou então quando em X pessoas apenas uma minoria trabalha e o resto coça porque está no quadro confortavelmente.

  23. Helder says:

    O problema da produtividade em portugal é as chefias continuarem a dar mérito aos que ficam na empresa até à meia noite a “trabalhar” e não aos que saiem às 18h com o trabalho todo feito! Esta sim é a verdadeira diferença entre nós e os países do norte. No norte da europa se saimos depois do horário somos incompetentes (ou então o chefe que delega mal)… em portugal quem sai depois da hora é o trabalhador exemplo. 😐

  24. Rui says:

    A falta de produtividade não tem a ver com tecnologia. Tem a ver com existirem chefes dos chefes dos chefes dos chefes que opinam antes do chefe do chefe do chefe ter conhecimento que existem trabalhos. Ou seja tem a ver com todos quererem meter o dedo e nunca anda nada para a frente. é a mesma coisa que ter um furo num carro e em vez de parar para mudar o pneu continua o carro a andar com um gajo fora do carro a tentar mudar a roda continuamente.

  25. candido says:

    Infelizmente a flexibilidade do trabalho em Portugal é apenas mais uma ferramenta da exploração do trabalhador. Por experiência própria faço o meu trabalho no escritório e nos clientes quando necessário e ainda sou incentivado para fazer mais qualquer coisa em casa e a troco de … NADA… quando o número de horas trabalhadas ultrapassa as que estão no meu contrato. Apesar de ter algumas ferramentas para poder trabalhar em casa pura e simplesmente recuso-me, é a forma de as entidades patronais tentarem obter mais 2 ou 3h diárias de borla para além daquelas que já conseguem sem esta ferramenta. As ferramentas de trabalho remoto são fantásticas, não me interpretem mal, no entanto, enquanto em Portugal tivermos patrões do BMW e casa com piscina a todo o custo, isto apenas será usado para exploração.

  26. Luis Silva says:

    Estudos?
    Se pagar bem, os mesmos fazem-me um estudo a dizer exactamente o contrário.
    Não é por aí.

  27. quimkaos says:

    não percebo a misturalhada, mas talvez se explique pelo facto de em Portugal se trabalhar das 8 às 8; isto é: a empresa tem que funcionar para agradar ao horário britânico (ninetufive) e ao franco-germanico (termina às 20:00 no fuso horário deles>) e para isto as pessoas começam a trabalhas às 8:30, fazem pausa às 12:30, recomeçam às 14 (1:30 para almoçar???) e deviam terminar às 18, mas o horário da loja/empresa é às 19 e o trabalho só acaba às 20… prudutividade… pois pois…

  28. quimkaos says:

    não percebo a misturalhada, mas talvez se explique pelo facto de em Portugal se trabalhar das 8 às 8; isto é: a empresa tem que funcionar para agradar ao horário britânico (ninetufive) e ao franco-germanico (termina às 20:00 no fuso horário deles>) e para isto as pessoas começam a trabalhas às 8:30, fazem pausa às 12:30, recomeçam às 14 (1:30 para almoçar???) e deviam terminar às 18, mas o horário da loja/empresa é às 19 e o trabalho só acaba às 20… productividade… pois, pois…

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