Especialista avisa que os seguros ficarão mais caros nos próximos anos
O ano começou de forma difícil nas várias regiões de Portugal afetadas por tempestades intensas, com cheias e ventos fortes a provocarem altos prejuízos materiais, em casas e empresas. As intempéries mostraram que o território português estará cada vez mais exposto a fenómenos climáticos extremos e acenderam uma questão: e os seguros?
Os episódios que marcaram o início deste ano de 2026 expuseram a vulnerabilidade do território português a fenómenos climáticos extremos, reacendendo o debate sobre prevenção, adaptação e gestão do risco.
Neste contexto, que se prevê cada vez mais frequente, importa discutir sobre o impacto das catástrofes naturais no futuro e, particularmente, no custo dos seguros, mesmo que cerca de 50% das habitações não tenha uma salvaguarda deste tipo.
Não tenho dados do porquê de 50% dos imóveis não terem seguro [...], mas há muita falta de cultura de risco, nomeadamente nas aldeias, onde investir 100, 200 ou 300 euros por ano pode proteger um bem de centenas de milhares de euros.
Uma casa de madeira no meio de um parque florestal pode ser mais difícil de segurar, mas uma casa antiga construída em tijolo ou em pedra é mais fácil.
Disse José Coutinho, diretor de subscrição da Zurich, numa entrevista concedida ao jornal Público, alertando que o preço dos seguros deverá aumentar, nos próximos anos, como consequência direta da maior probabilidade de ocorrência de catástrofes naturais e de eventos extremos.
Nas suas palavras, é preciso "pensar muito bem onde é que se compra uma casa, onde é que se constrói uma casa, com que materiais de construção, isso vai ao longo do tempo determinar se se pode fazer um seguro ou não".
À medida que estes fenómenos vão sendo mais frequentes, vamos ter situações em que a probabilidade de destruição num determinado local ou de uma habitação com determinadas características é tão grande que tenderá a onerar o seguro, ou, em casos extremos, a não ser permitido fazer seguro.
Alertou José Coutinho, assegurando que "as seguradoras estão cá para reparar, desde há séculos, mas todos temos de trabalhar para ajudar a prevenir e a mitigar os riscos".

Sting jet, ciclogénese explosiva e duas tempestades que ainda podem chegar. Sete respostas sobre a depressão Kristin. Crédito: João Porfírio/Observador
Embora tenha assumido que um agravamento dos preços dos seguros nas próximas renovações, como nos da habitação, "não seria expectável", o diretor admitiu já não ter dúvidas de que, "nos próximos anos, o preço dos seguros irá aumentar para fazer face à maior probabilidade de catástrofes".
Risco assumido pelas seguradoras refletir-se-á no preço dos seguros
Segundo o especialista, que admitiu não se recordar de uma catástrofe desta magnitude nos mais de 25 anos de trabalho no setor, as alterações climáticas estão a tornar fenómenos como cheias, incêndios ou tempestades mais frequentes e intensos, aumentando o risco assumido pelas seguradoras e, inevitavelmente, os custos associados às apólices.
Esse agravamento do risco, que obriga as empresas a reverem modelos de cálculo e prémios, refletir-se-á no valor pago pelos clientes.
Neste contexto de aumento da frequência e da intensidade dos fenómenos naturais extremos, as seguradoras estão a adaptar os seus modelos de avaliação de risco, passando a apostar cada vez mais na prevenção e na antecipação de impactos, em vez de atuarem apenas após a ocorrência de sinistros.

Vista dos destroços após a passagem da tempestade Kristin, na Praia da Vieira, em Leiria, no dia 2 de fevereiro de 2026. Crédito: Pedro Nunes/Reuters
Ainda assim, muitas pessoas continuam pouco conscientes da exposição a riscos naturais, com uma perceção limitada do perigo, apesar de existirem evidências de que eventos extremos se tornarão mais comuns.
Essa falta de preparação pode amplificar os impactos económicos e sociais quando ocorrem catástrofes.
Ao mesmo tempo, o aumento dos custos não resulta apenas da frequência dos fenómenos climáticos, mas do valor crescente dos bens segurados e da complexidade das cadeias económicas: quando ocorre um desastre, as perdas propagam-se por múltiplos setores, tornando os sinistros mais caros e difíceis de gerir, pressionando as seguradoras.
Perante este cenário, importa assegurar uma maior colaboração entre empresas, cidadãos e autoridades públicas: investimentos em planeamento urbano, infraestruturas resilientes e educação para o risco são apontados como essenciais para evitar que certas zonas se tornem praticamente impossíveis de segurar.
Assim, a adaptação às alterações climáticas surge como condição necessária para manter o acesso generalizado aos seguros e evitar aumentos ainda mais acentuados no futuro.






















Mais uma maneira de aumentarem os seguros.
Os seguros até podem ser aumentados e terem varios tipos de coberturas bem explicitas, mas desde que quando os problemas acontecem eles paguem e não andem com malabarismos para evitar pagar o que quer que seja.
Nos seguros automóveis quando é para fazerem, aquilo é o melhor que há no mundo e arredores.
Quando aparecem os problemas, os proprietários para receberem (se é que recebem alguma coisa) é uma dor de cabeça.
E então quando há o azar de ser um acidente em que a seguradora é a mesma …………… ui ui
Nunca tive problemas com nenhum seguro, já usei praticamente tudo menos seguro de vida e tudo foi cumprido de acordo com o contrato
Os seguros bons pagam-se bem. Os rascas enfim…. depois lemos coisas destas. Ainda há 2 anos tive uma avaria grave nas férias e foi o próprio seguro a informar-me de tudo o que tinha incluído na apólice (tenho o seguro há 10 anos e nunca precisei, logo não me lembrava de tudo de memória). Deram-me carro de aluguer para completar as férias, taxi e acompanhamento durante todo o processo. Os meus amigos dizem que pago muito, mas é bom. Os rascas depois queixam-se.
Ainda mais?
Eles já são bastante caros e benefícios e um problema para pagarem algo
Só é pena que os legisladores não façam nada
Se achas que os nossos seguros são caros tens de ir viver noutro país para experimentar
Que resposta!
Não quero saber dos outros Paises, esta-se a falar dos seguros em Portugal
Se fosse a falar de outros Paises ha varias realidades diferentes
Oh génio.. se noutros países são bem mais caros, em Portugal estão baratos..
Obrigado sai a pouco da lampada
É mais fácil o pessoal querer o liberalismo mas depois chorar pelo pai estado para pagar os estragos.
É preciso vir um especialista dizer isso? Isso é tão óbvio como ser óbvio que o preço de tudo vão subir.
É isso e a hortaliça.
Curiosamente não baixaram nos últimos 20 anos durante os quais não ocorreram catástrofes grandes. parece o seguro do meu carro. O carro desvaloriza 10% ou mais e o seguro aumenta 5 ou 6% por ano.
Mas houve aumento expressivo das sinistralidades e dos custos de reparação.
Pagar os lucros dos seguros faz-nos a todos mais pobres, temos que começar a por mais dinheiro nas mãos dos tugas e menos luxos para os ricos.