É fiador de um empréstimo? Saiba com rigor os riscos e direitos em Portugal
Ser fiador de um empréstimo, continua a ser uma decisão de grande responsabilidade. Apesar de muitas vezes surgir num contexto de confiança pessoal ou familiar, a realidade legal e bancária em Portugal torna esta posição potencialmente arriscada. Abaixo fica um guia atualizado, claro e rigoroso, sobre o que deve mesmo saber.

Empréstimo: ser fiador é assumir uma dívida que não é sua
Ao aceitar ser fiador, está a garantir ao banco que a dívida será paga, mesmo que não seja por si contraída.
Na prática:
- Se o devedor falhar, o banco pode exigir-lhe o pagamento.
- O seu património e rendimentos podem ser afetados.
- Pode ficar com o seu nome associado a incumprimentos.
Este enquadramento está previsto no Código Civil Português, que regula a figura da fiança.
Não pode simplesmente deixar de ser fiador
Um dos maiores equívocos é pensar que pode desistir da fiança a qualquer momento. Não pode.
Para deixar de ser fiador, é necessário:
- acordo do devedor
- aceitação do banco
- normalmente, apresentação de nova garantia ou novo fiador
Sem estes três elementos, a sua obrigação mantém-se.
O mito do “benefício da excussão prévia”
A lei prevê que o devedor seja o primeiro a responder pela dívida. No entanto, na prática atual:
- A maioria dos contratos inclui a cláusula de fiador solidário e principal pagador.
- Isto significa que o banco pode exigir-lhe diretamente o pagamento, sem recorrer primeiro ao devedor.
Ou seja, embora o direito exista no papel, na maioria dos casos não se aplica.

Se for fiador de alguém e tiver de pagar ao banco prestações em atraso, a lei reconhece-lhe o direito de cobrar essas prestações ao devedor. É como se comprasse a dívida dele. Mas não deixa de ser uma proteção duvidosa, já que um devedor que não tem como pagar ao banco também não vai ter dinheiro para recompensar o fiador.
E se tiver de pagar? Pode recuperar o dinheiro
Se acabar por pagar a dívida:
- Tem direito a exigir o valor ao devedor.
- Passa a ser credor dessa dívida.
Contudo, esta proteção é limitada, pois se o devedor não tem capacidade financeira, dificilmente conseguirá recuperar o dinheiro.
Renegociação do crédito: pode libertar o fiador?
Depende. Alterações profundas ao contrato podem exigir novo acordo e eventualmente libertar o fiador. Mas muitas renegociações mantêm todas as garantias iniciais.
Na prática, os bancos tendem a preservar o fiador sempre que possível.
O Banco de Portugal reforçou nos últimos anos:
- deveres de informação
- transparência nos contratos
- avaliação da capacidade financeira dos intervenientes
Ainda assim, não existe proteção especial para fiadores em incumprimento. A responsabilidade mantém-se praticamente igual à do devedor.
Empréstimo: antes de aceitar ser fiador, pense bem
Antes de assinar:
- Avalie a estabilidade financeira do devedor.
- Perceba todas as cláusulas do contrato.
- Confirme se está a abdicar de direitos (como a excussão prévia).
- Considere o impacto na sua própria capacidade de crédito.
Em resumo...
Ser fiador não é um gesto simbólico. É um compromisso legal sério, com consequências reais. A legislação mantém-se estável, mas a prática bancária evoluiu no sentido de proteger mais as instituições do que os fiadores. Por isso, mais do que nunca, a melhor proteção é a prevenção.
Aceitar ser fiador de um emprestimo deve ser uma decisão ponderada, informada e tomada com plena consciência dos riscos envolvidos.


















Ainda é preciso fiadores? Tinha ideia que tinham acabado com isso porque a casa serve de colateral
Continua a haver imensos fiadores e eles deviam ler este artigo.
muitos pensam que “só assinei” e nao querem assumir as suas responsabilidades.
Depois na hora da verdade tem surpresas muito desagradáveis.
Infelizmente nesta miséria de país, ainda pedem fiadores para emprestimos, só que o problema é que muitos que se assumem como tal muitas vezes nem tem noção do que se estão a meter e a vida dá muitas voltas e ninguém sabe o dia de amanhã e o que contraiu a divida deixa de pagar e entra o fiador e fica com a vida lixada se a divida for elevada, quantos casos desses se conhece.
Dai que isto nem deveria ser possível, ou tem meios de contrair o empréstimo sem ter de ter um fiador ou não há nada para ninguém…
Por essas e por outras que hoje ninguém quer fiador de nada…
Quando se acabou com a obrigação dos 10% para a compra de casa os fiadores tornaram-se ainda mais importantes para os bancos.
Tenho 3 créditos habitação e nunca me pediram fiador, pensei que isso tinha morrido na troika porque passaram a permitir que bastaria dar a casa como colateral em caso de incumprimento
Depende da análise de risco do banco. Muitos jovens não conseguiam empréstimos bancários por não terem (ou a família por eles) os 10% para a compra da casa, Desde o início de 2025, o estado presta uma garantia dos 10%, o que permite aos bancos (se quiserem) emprestar 100% (em vez de 90%).
O empréstimo ter passado para 100% aumenta a taxa de esforço (mensalidade em relação ao rendimento) e o risco do contrato não ser cumprido e a casa ter que ser vendida.
Por isso é que, em muitos casos, com fiador é uma coisa, sem fiador outra.
O termo fiador só deveria ser ao nível empresarial, ao comum mortal nem deveria ter essa opção, ou tem condições ou não há empréstimo para ninguem…
O meu conselho para quem está a ponderar ser fiador: Não o sejam! Não importa o quanto confiam na pessoa.
PorcoDoPunjab costuma dizer que fiador só dos filhos e é se merecerem.
Tenho ali dois recos que são decentes mas o outro é uma peste e não me inspira confiança nenhuma num assunto destes.
Vcs já sabem que PorcoDoPunjab não mistura razão com emoção.
Tudo é planeado ao pormenor, no que a dinheiro diz respeito…
É um conceito tão antigo que já deveria ter sido extinto. Somente servia para interesses de agiotas e prestamistas que, em teoria, já não existem, são ilegais. Na prática, sim. Ainda existem. Coibo-me de avançar para não ofender os defensores do Estado, dos Bancos, das Seguradoras, do …
Das duas uma: ou há fiadores ou há colaterais, sendo o objeto do empréstimo o colateral. Havendo fiador não haveria colateral e vice versa. Mas a Banca quer tudo e os Governos não fazem nada.