Diretor-executivo do Instagram diz que estar nas redes sociais não é um vício
Perante uma onda de queixas sobre o cariz aditivo das redes sociais, que está até a resultar na proibição do seu uso por menores em alguns países, o diretor-executivo do Instagram diz que estar nas plataformas não é um vício.
O diretor-executivo do Instagram, Adam Mosseri, é o primeiro executivo a testemunhar numa série de julgamentos em que centenas de famílias e distritos escolares processaram a Meta, a Snap(chat), o TikTok e o YouTube, alegando que as empresas criaram conscientemente produtos viciantes que prejudicam a saúde mental dos jovens.
O julgamento inicial, em Los Angeles, foca-se numa jovem de 20 anos identificada pelas iniciais KGM, que alega que as funcionalidades de design viciantes da plataforma, incluindo o scroll infinito, agravaram a sua depressão e pensamentos suicidas.
Esta jovem e outros dois queixosos fazem parte de processos-piloto, concebidos como casos de teste para avaliar a reação de um júri para ambas as partes.

Apontado como uma das características das redes sociais que provoca mais vício, a União Europeia quer pôr fim ao scroll infinito. Por isso, o primeiro combate da Comissão contra o vício das redes sociais, numa luta contra o TikTok, poderá mudar radicalmente o "design viciante" das plataformas mais populares do mundo.
"Dependência clínica" é diferente de "uso problemático"
Esta semana, Mark Lanier, advogado dos autores da ação, questionou intensamente Mosseri sobre se o Instagram colocou os lucros à frente da segurança, bem como se os filtros da plataforma promoveram a cirurgia plástica.
Segundo Mosseri, a empresa testa novas funcionalidades destinadas a utilizadores mais jovens antes do seu lançamento: "Estamos a tentar ser o mais seguros possível, mas, também, censurar o menos possível".
Além disso, durante o julgamento histórico, disse que considerava "importante diferenciar entre dependência clínica e uso problemático", rejeitando a ideia de que os utilizadores possam ficar dependentes das redes sociais.
De facto, conforme mencionado pelo The Guardian, os psicólogos não classificam a dependência das redes sociais como um diagnóstico oficial.
Contudo, investigadores têm documentado as consequências prejudiciais do uso compulsivo entre jovens, e legisladores em todo o mundo mostram-se preocupados com o seu potencial viciante.

Centenas de famílias e distritos escolares estão a processar a Meta, a Snap(chat), o TikTok e o YouTube, alegando que as empresas criaram conscientemente produtos viciantes que prejudicam a saúde mental dos jovens. Na imagem, pessoas mostram fotografias dos seus filhos em frente ao Tribunal Superior do Condado de Los Angeles, na quarta-feira. Crédito: Ethan Swope/Getty Images, via NBC
Contudo, enquanto os advogados do YouTube rejeitaram as alegações de que a plataforma é uma rede social e de que os indivíduos estão dependentes, os da Meta contestaram a base científica da dependência das redes sociais.
Mais do que isso, argumentaram que os problemas de saúde mental da jovem KGM estavam relacionados com abusos e problemas familiares, e não com as redes sociais.
Entretanto, a posição tomada pelo diretor-executivo do Instagram terá confirmado as convicções das famílias queixosas sobre os danos provocados pela rede social.
Segundo Matthew P. Bergman, advogado fundador do Social Media Victims Law Center e representante dos queixosos, "o testemunho sob juramento de Adam Mosseri revelou aquilo que as famílias suspeitam há muito tempo".
Os executivos do Instagram tomaram uma decisão consciente de privilegiar o crescimento em detrimento da segurança dos menores.

Mark Lanier, advogado das vítimas, descreveu as redes sociais como "casinos digitais" devido a funcionalidades como o scroll infinito.
Redes sociais são "casinos digitais"
As declarações de Adam Mosseri surgem após os argumentos iniciais do julgamento, apresentados no início desta semana.
O advogado das vítimas, Mark Lanier, citou documentos internos da Meta e da Google para argumentar que as empresas visavam crianças a partir dos quatro anos.
Além disso, descreveu as redes sociais como "casinos digitais" devido a funcionalidades como o scroll infinito.
Uma conversa entre investigadores da Meta, mencionada pelo advogado dos queixosos na sua declaração inicial, sublinhou a natureza viciante do Instagram.
Numa comunicação interna, um funcionário sugeriu que "o Instagram é uma droga", com outro a afirmar o seguinte: “Quer dizer, todas as redes sociais. Somos basicamente traficantes."
Sei que o Adam não quer ouvir isto… Ele ficou perturbado quando falei de dopamina na minha apresentação sobre fundamentos para adolescentes, mas é inegável. É biológico. É psicológico.
Acrescentou um deles, conforme citado.
Recorde:
Imagem: Bloomberg
Neste artigo: instagram, Redes Sociais, vicio



















Claro que não!!!!, é uma dependência, enfim!!!
Isto seria como o Pablo Escobar a dizer que a cocaina não é uma droga.
Mentira. O “Infinite Scroll”, entre outros, foi criado especificamente nos EUA com o objetivo de viciar os utilizadores.
O mesmo diziam as tabaqueiras.
Tudo na vida pode, ou não ser um vício. Até há viciados em caminhar. Tudo com conta, peso e medida.
Até aposto que ele não tem nem usa Instagram
O director-executivo da Super Bock diz que até 11 cervejas por dias não é vício
Que o Instagram vicia, parece-me incontestável – e pessoas de todas as idades.
Uma pessoa minha conhecida, que já não é nova, passa horas com o telemóvel a ver vídeos de cães especialmente de uma certa raça. Teve um, que morreu há uns anos. Nos cães de raça há muitos que são autênticas cópias a papel químico, é fácil encontrar facilmente o “seu”.
Não faço ideia se o efeito de passar tanto tempo a ver os vídeos é bom ou é mau. Mas que está viciada, está.
Este CEO deve ser um cínico, como aliás todos eles. A sociedade que se lixe, mas culpa é dos governos que governam para as elites e não para o povo.