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Cuidado com os screenshots: IA facilita falsificação de pagamentos, reservas e comprovativos

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Os screenshots fazem parte do nosso dia a dia e são frequentemente utilizados para comprovar pagamentos, reservas, transferências ou outras operações digitais. No entanto, esta prática pode representar um risco crescente, sobretudo com a evolução das ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa.

Cuidado com os screenshots: IA facilita falsificação de pagamentos, reservas e comprovativos

A ESET alerta que uma captura de ecrã não deve ser considerada uma confirmação definitiva de uma transação. Uma imagem que aparentemente mostra uma transferência bancária, uma reserva ou um reembolso pode ser facilmente editada ou mesmo criada de raiz.

A crescente acessibilidade das ferramentas de edição de imagem e de IA generativa está a tornar este tipo de manipulação cada vez mais simples. A tendência é destacada no mais recente Relatório de Ameaças da ESET, que identifica também a evolução de capacidades de IA utilizadas para automatizar a criação de conteúdos falsos e potenciar ataques de engenharia social.

Um screenshot não prova que o dinheiro foi transferido

Uma captura de ecrã representa apenas aquilo que estava visível num dispositivo num determinado momento. Não constitui, por si só, uma garantia de que a operação apresentada aconteceu efetivamente.

Este problema pode ser particularmente relevante em plataformas de compra e venda, comércio eletrónico ou situações em que alguém apresenta uma imagem para demonstrar que efetuou um pagamento.

Por exemplo, um falso comprador pode apresentar um screenshot de uma transferência bancária e pressionar o vendedor para enviar o produto. Se este confiar exclusivamente na imagem, poderá acabar por entregar o artigo sem nunca ter recebido o dinheiro.

O mesmo princípio aplica-se a reservas de hotéis, bilhetes, reembolsos, pagamentos de serviços ou outras operações digitais.

Cuidado com os screenshots: IA facilita falsificação de pagamentos, reservas e comprovativos

Consumidores são um dos principais alvos

A utilização de screenshots falsificados pode estar associada a diferentes tipos de fraude.

Nos marketplaces e plataformas de comércio eletrónico, uma imagem manipulada pode ser usada para simular uma transferência ou justificar pedidos de reembolso e outros pagamentos.

Também existem riscos associados ao roubo de contas. Numa campanha de engenharia social, por exemplo, um criminoso pode solicitar uma captura de ecrã com o objetivo de obter códigos de recuperação ou outras informações que permitam assumir o controlo de uma conta.

As imagens podem ainda surgir em disputas com bancos, companhias aéreas, hotéis, hospitais ou outros serviços. Nestas situações, a captura de ecrã poderá não ser suficiente para comprovar que determinada operação ocorreu.

Empresas também podem ser enganadas

Nas empresas, o problema pode assumir uma dimensão ainda maior.

Um screenshot falsificado pode ser utilizado para solicitar um reembolso, substituir um produto ou justificar um pagamento. Num cenário de engenharia social, pode até ser criada uma falsa aprovação atribuída a um administrador ou responsável da organização para pressionar um funcionário a realizar uma transferência urgente.

A situação torna-se particularmente sensível quando estão envolvidos dados confidenciais, processos de identificação de clientes ou setores sujeitos a requisitos regulamentares.

Além das potenciais perdas financeiras, a investigação destes casos pode obrigar as empresas a consultar históricos bancários, sistemas internos, registos de transações e informações de entrega, aumentando os custos operacionais.

Como confirmar se um pagamento é verdadeiro?

A recomendação é simples: não confiar exclusivamente no screenshot apresentado pela outra pessoa.

No caso de uma transferência bancária, o vendedor deve confirmar a entrada do dinheiro diretamente na sua própria conta ou aplicação bancária. Não deve considerar suficiente uma imagem enviada pelo comprador.

O mesmo princípio deve ser aplicado a reservas, reembolsos, faturas ou pagamentos realizados através de plataformas digitais.

Sempre que possível, a confirmação deve ser feita diretamente no sistema que originou a operação, através de um canal oficial.

Para os consumidores

A ESET recomenda:

  • Confirmar os pagamentos diretamente no site ou aplicação oficial do banco ou serviço utilizado.
  • Verificar reservas e reembolsos junto da entidade responsável.
  • Em caso de disputa, apresentar os comprovativos originais disponibilizados pelo sistema.
  • Evitar partilhar screenshots que contenham códigos de recuperação, códigos de autenticação ou outras informações sensíveis.

A regra é simples: verificar na fonte original

Os screenshots continuam a ser úteis como elemento de apoio ou ponto de partida para uma investigação. Contudo, não devem ser tratados como prova definitiva de que uma operação digital aconteceu.

Com as ferramentas de edição tradicionais e a IA generativa cada vez mais acessíveis, criar uma imagem aparentemente legítima tornou-se mais fácil.

Por isso, quando estiver em causa dinheiro, uma reserva, um reembolso ou qualquer outra operação com impacto financeiro, não confie apenas na imagem que lhe enviaram: confirme sempre diretamente na plataforma ou sistema oficial.

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