Crise dos combustíveis está a levar companhias aéreas a reduzir benefícios aos passageiros
A possibilidade de viajar de avião nos próximos meses pode trazer mais surpresas do que o habitual, e nem todas serão agradáveis. As companhias aéreas encontraram na crise dos combustíveis o melhor argumento para reduzir os benefícios de que desfruta enquanto passageiro.
Crise energética volta a abalar a aviação
A instabilidade no Médio Oriente está novamente a provocar efeitos no setor da aviação. Os problemas nas rotas para o transporte de petróleo, como o estreito de Ormuz, fez disparar o preço do querosene. Como consequência, as reservas energéticas europeias poderão ser insuficientes a curto prazo, com estimativas a apontarem para poucas semanas de autonomia.
Este cenário está a pressionar fortemente as companhias aéreas, que enfrentam custos operacionais cada vez mais elevados e margens de lucro em queda.
Algumas das maiores transportadoras europeias já começaram a sentir o impacto. Há empresas a reportar perdas superiores ao esperado, enquanto outras avançam com cancelamentos em massa. O setor atravessa uma fase particularmente instável, com dificuldades em manter operações previsíveis.
Para os passageiros, isto traduz-se em maior risco de alterações de última hora, cancelamentos e menos garantias no serviço.
Pressão sobre governos para aliviar regras
Perante este contexto, as companhias aéreas intensificaram o lobbying junto das autoridades europeias e britânicas. O objetivo é claro - flexibilizar ou adiar regulamentações que consideram prejudiciais num momento de crise.
Entre as medidas em causa estão alterações às políticas de compensação por cancelamentos, regras sobre horários de operação nos aeroportos e até direitos relacionados com o transporte de bagagem.
Uma das propostas em análise prevê que os passageiros possam transportar gratuitamente uma segunda peça de bagagem de mão de maiores dimensões. Enquanto algumas companhias tradicionais já permitem esta prática, as transportadoras de baixo custo veem-na como uma ameaça direta ao seu modelo de negócio.
Argumento das companhias aéreas divide opiniões
As transportadoras defendem que a atual regulamentação europeia as coloca em desvantagem face a concorrentes de outras regiões. Argumentam ainda que a crise energética agrava essa desigualdade e que não devem ser penalizadas por fatores externos.
Entre as exigências está a isenção de compensações aos passageiros quando os voos são afetados pela escassez de combustível, uma proposta que levanta preocupações entre defensores dos direitos dos consumidores.
Algumas reivindicações do setor já estão a ser atendidas. No Reino Unido, foi anunciada a possibilidade de flexibilizar a regra que obriga as companhias a utilizar os horários atribuídos nos aeroportos, sob pena de os perderem.
Na União Europeia, admite-se a introdução de ajustes temporários em várias normas, incluindo as relacionadas com direitos dos passageiros e práticas de abastecimento.
Apesar de serem apresentadas como soluções provisórias, estas alterações levantam dúvidas. Reguladores europeus reconhecem que medidas deste tipo podem tornar-se permanentes, especialmente quando o setor ganha margem para operar com menos restrições.
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Uma excelente medida no combate ás alterações climáticas.
Mais vale poupar na manutenção dos aviões, do que na quantidade de bagagem que podemos levar 🙂 🙂 🙂
Há há há :-)
Como podem ver neste gráfico do Tarding Economics, o Brent atingiu 115 USD, a cotação mais alta desde 28/02. Selecionando 5Y veem que está praticamente no máximo de junho de 2022.
Usando a mesma fonte tem-se as cotações internacionais para a “Gasoline” e o “Heating Oil” (com uma composição química muito aproximada ao gasóleo). Em Portugal são usadas as cotações internacionais CIF NWE (seguro e frete por conta do vendedor para um porto do noroeste da Europa), da gasolina e do gasóleo, mas não difere muito.
Já a cotação internacional do GPL á “TTF gas”.
A navegação no estreito da Ormuz está fechada também para adubos, tendo a ONU alertado para a intensificação das carências alimentares a nível mundial (a épocas das sementeiras no norte de África, por exemplo, termina em final de maio).
Dizem os especialistas que se a navegação não estiver aberta até ao verão vai ser catastrófico. Mas não se vê jeitos. A falta de combustíveis para a aviação vai ser apenas um dos problemas.
https ://tradingeconomics.com/commodity/brent-crude-oil
Já a cotação internacional do – GNL (o gás canalizado) é “TTF gas” (O gás engarrafado é o GPL).
Tem subido, mas comparado com os píncaros de 2022 não tem nada a ver (ter em atenção que a cotação também é muito volátil).
Passou hoje os 115 USD … e os 119 USD (o valor de fecho mais alto de 2022).
Em 2022, esse pico no crude foi acompanhada do pico no preço da gasolina nos EUA, em junho de 2022, de 5 USD por galão (galão americano, cerca de 3,8 L).
Antes da guerra estava nos 2,9 USD, subiu no final de abril para 4,25 USD, a subida tem sido mais lenta relativamente à do crude, mas pode aproximar-se dos 5 USD.
Como os norte-americanos são muito sensíveis à subida do preço dos combustíveis, pode ser que Trump feche a guerra antes do verão.
Acima: Trading
Lá se vão os cacahuetes e o chá, café ou laranjada.
Hoje em dia, nos voos regionais dentro da Europa, mesmo as companhias que não são low‑cost já vão pelo mínimo dos mínimos. Normalmente é uma garrafinha de água e um quadradinho de chocolate, e já vais com sorte. Laranjada, café ou chá tornaram‑se quase artigos de luxo a bordo.
todas as empresas e pessoas são sistematicamente confrontadas e muitas vezes prejudicadas por “fatores externos” pelo que o argumento é absolutamente ridículo.
para mais porque quando são beneficiadas por fatores externos não vejo que façam recair no cliente qualquer benefício. pelo contrário esses benefícios sempre enchem os bolsos das administrações e dos acionistas
São os mesmo que batem com a mão no peito e em bicos de pé quando dizem que tiveram lucros recorde de X% e depois dão aumentos de miséria, foi o que semeamos agora resta colher e esperar que não fique pior.
O transporte aéreo como o conhecemos tem os dias contados. Depende absolutamente do petróleo abundante e barato e isso acabou. Vamos voltar aos anos 60/70, quando só quem tinha pasta andava de avião.
O que pode acontecer e os estados darem subsídios às mesmas, consegues imaginar Portugal sem os camones a beber jolas e a mamar sardinhas nas esplanadas?
Até consigo…
Comigo não, que eu não sou desses. 🙂 🙂 🙂
🙂
Cânones a beber jolas com sardinhas? Nããã, normalmente é galão com sardinhas e ketchup.
@Yamahia, tu andas por sítios muito estranhos 🙂 🙂 🙂
Se anda… irra 🙂
É a altura dos reguladores os lixarem fortemente.
Porquê? As companhias aéreas, sobretudo as low-cost, trabalham com margens muito estreitas. Na Ryanair e Easy Jet o combustível pode representar 35-40% dos custos operacionais. Desde fevereiro o preço duplicou (de cerca de 100 USD/barril para 200 USD/barril).
Falam em ter que reduzir os voos (e, consequentemente, as slots ocupadas nos aeroportos).
Diz o post que: “No Reino Unido, foi anunciada a possibilidade de flexibilizar a regra que obriga as companhias a utilizar os horários [slots] atribuídos nos aeroportos, sob pena de os perderem.”
Eu só ando de avião elétrico. Ele chega ali á Portela e fica ligado ao carregador rapido para carregar 4000 milhas em meia hora.
Tempos de racionamento e ainda estamos só no começo. Não fico regozijado com a questão da filosofia do transporte aéreo voltar aos anos 60 e 70 do século passado, pois é suposto ela ser cada vez mais democratizada, assim como outros serviços também o devem ser. Mas não deixa de ser assustador que a questão de cancelamentos de voos, com os preços dos combustíveis impraticáveis para a sobrevivência das economias, poderá ser o menor dos problemas que a humanidade a curto prazo vai enfrentar. Já agora guerras também contribuem pouco para a redução das alterações climáticas, pois aumentam a poluição, em todas as formas. Concuindo: Já la dizia o poeta: “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Pessoal, não vai haver falta de combustível… o Trumpa só quer ganhar algumas comixões… ele tem tantas…