Cientistas despedidos por Trump criam novo portal para preservar dados climáticos
Após uma vaga de despedimentos que atingiu dezenas de milhares de funcionários federais nos Estados Unidos, um grupo de cientistas especializados em clima decidiu agir para evitar que informação científica importante desapareça. Trump não vai gostar...
O resultado é o lançamento do Climate.us, uma nova plataforma sem fins lucrativos que pretende garantir o acesso público a dados climáticos fiáveis e independentes.
Despedimentos Trump afetaram fortemente a investigação climática
Desde setembro de 2024, as agências científicas federais norte-americanas terão perdido cerca de 120 mil trabalhadores. Entre os setores mais afetados encontram-se organismos ligados à monitorização ambiental e climática, como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) e a Agência de Proteção Ambiental (EPA).
Estas reduções de pessoal ocorreram durante a administração do Presidente dos EUA, Donald Trump, e tiveram impacto direto em serviços considerados essenciais para investigadores, jornalistas, seguradoras e entidades públicas que dependem de dados climáticos atualizados.
Climate.us recupera 15 anos de informação científica
Perante este cenário, antigos colaboradores da NOAA decidiram criar o Climate.us, um portal independente que replica grande parte do conteúdo anteriormente disponibilizado através do Climate.gov.
A nova plataforma entrou recentemente em funcionamento completo e disponibiliza cerca de 15 anos de dados meteorológicos e climáticos, artigos científicos, relatórios ilustrados e avaliações climáticas produzidas ao abrigo de exigências governamentais.
Segundo Rebecca Lindsey, diretora executiva do projeto e antiga responsável do Climate.gov, o objetivo é assegurar que a informação científica continua acessível independentemente das mudanças políticas.
A informação climática de confiança não deve desaparecer quando a política muda.
Financiamento já ultrapassa os 250 mil dólares
O projeto tem recebido um apoio significativo da comunidade científica e do público. Até ao momento, mais de 2.500 doadores contribuíram com cerca de 250 mil dólares para financiar a infraestrutura e manutenção da plataforma.
Além disso, aproximadamente 80 cientistas e especialistas em diferentes áreas do clima aderiram à iniciativa para validar e rever os conteúdos disponibilizados.
O objetivo passa por garantir que a informação publicada mantém elevados padrões científicos e continua a ser uma referência para investigadores, professores, jornalistas e decisores.
O desaparecimento do Climate.gov gerou críticas
A criação do Climate.us surge quase um ano depois de o acesso ao Climate.gov ter sido drasticamente alterado. Segundo os responsáveis pelo novo portal, o endereço original passou a redirecionar os utilizadores para outro site da NOAA, dificultando significativamente o acesso ao vasto arquivo de informação climática acumulado ao longo dos anos.
Rebecca Lindsey descreveu a situação como uma forma de “esconder a porta de entrada” para os conteúdos científicos, tornando-os praticamente invisíveis para o público em geral.
Para muitos especialistas, a recuperação deste património informativo representa um passo importante na preservação do acesso aberto ao conhecimento científico.

Após o enfraquecimento do Climate.gov na sequência dos cortes realizados na NOAA, antigos cientistas da agência lançaram o Climate.us, uma plataforma independente que pretende preservar e disponibilizar ao público dados e informação científica sobre o clima.
Ciência acima das mudanças políticas
Richard Spinrad, antigo administrador da NOAA, considera que o valor do antigo Climate.gov foi fundamental para a divulgação de informação climática rigorosa e acessível.
Na sua opinião, o Climate.us permitirá manter esse legado vivo, assegurando a continuidade de serviços e dados considerados essenciais para compreender as alterações climáticas e apoiar decisões informadas.
A iniciativa surge numa altura em que o debate sobre a independência da ciência e o acesso público à informação científica continua a ganhar relevância, especialmente em áreas tão críticas como o clima e o ambiente.






















O critérios usados pelo DOGE, de Musk, para despedir 20% do pessoal do NOOA e da EPA:
– os que estavam em período probatório (menos de 2 anos)
– com o fim do teletrabalho, os que não se podiam realojar rapidamente para ir ao serviço 5 dias por semana
– os que aceitaram sair voluntariamente, recebendo alguns meses de vencimento (a alternativa era ficar, podendo vir a ser despedidos sem compensação)
– os que trabalhavam em departamentos inteiros que foram eliminados, por não estarem ideologicamente alinhados: na EPA foram visados prioritariamente os funcionários ligados Á área da “justiça ambiental, regulação de emissões de carbono e poluição do ar; na NOAA os fortes focaram-se fortemente nas divisões de investigação climática e modelação preditiva do aquecimento global.
Serão os cientistas nestas áreas da NOAA, que foram despedidos, de que fala o post.
(Um braço da NOOA, o Serviço Nacional de Pescas Marinhas-NMFS, responsável pela observação do estado das espécies marinhas e pela correspondente emissão de licenças de pesca, foi também fortemente atingido pelos cortes de pessoal. Sem o pessoal para fazer as observações não eram emitidas licenças, o que paralisou as comunidades piscatórias costeiras).
a mesma informacao que trouxe os 50 graus!!
Isso nunca foi anunciado por fontes oficiais
Isso nunca foi anunciado, mas para lá caminhas.
Anos 90 quando vinha temperaturas superiores a 35ºC, no campo já se dizia que era uma catástrofe.
Agora são as temperaturas normais, falamos em onda de calor quando passamos dos 40.
Mais 30 anos e estaremos nos 50ºC, se não for antes.
Ver estas atitudes do estarola alaranjado faz lembrar o filme, O Ditador, com o Sacha Baron Cohen.