CIA alerta para possível ataque russo com drones contra Espanha, França e Itália
Os serviços de informação norte-americanos terão alertado vários governos europeus para a possibilidade de a Rússia estar a preparar novas incursões com drones no sul da Europa. Espanha, França e Itália estarão entre os potenciais alvos identificados.

A informação foi avançada pelo jornal espanhol El Mundo e, entretanto, noticiada por vários órgãos de comunicação social europeus. Segundo a RTP, os serviços de informação dos Estados Unidos terão partilhado com governos europeus informações sobre possíveis planos de escalada russa contra países mediterrânicos. Portugal não é mencionado entre os potenciais alvos.
Drones poderão ser lançados a partir do Mediterrâneo
De acordo com a informação divulgada, uma das possibilidades em análise passa pelo lançamento de drones a partir de navios mercantes que circulam no Mediterrâneo, incluindo embarcações associadas à chamada “frota fantasma” russa.
Fontes ligadas à Defesa da Lituânia apontam para a possibilidade de utilização de drones Gerbera, um modelo russo de baixo custo utilizado na guerra na Ucrânia. Segundo informações divulgadas pela ANSA, este drone terá cerca de dois metros de comprimento, uma envergadura de aproximadamente 2,5 metros, peso até 18 quilogramas, velocidade na ordem dos 160 km/h e autonomia anunciada de até 600 quilómetros.
A utilização deste tipo de equipamento não teria necessariamente como objetivo provocar destruição em larga escala. O impacto poderia passar por atingir infraestruturas, provocar interrupções temporárias ou demonstrar a capacidade de atingir território europeu a partir de uma plataforma marítima.

Informação terá origem numa visita do diretor da CIA a Moscovo
O alerta estará relacionado com a visita de John Ratcliffe, diretor da CIA, a Moscovo em agosto.
Segundo a informação divulgada pelo El Mundo, os serviços norte-americanos terão obtido informações sobre possíveis planos russos durante esse período e posteriormente partilhado os dados com vários governos europeus.
A situação surge num contexto de crescente preocupação europeia com ações que ficam abaixo do tradicional “limiar bélico”, incluindo incidentes com drones, sabotagem e outras operações atribuídas à Rússia.
A RTP refere que Moscovo tem defendido repetidamente que o fornecimento de armas, informações e apoio à Ucrânia transforma os países ocidentais em participantes no conflito. Ao mesmo tempo, vários países europeus têm registado incidentes relacionados com drones e outras atividades consideradas ameaças à segurança.
Dois F-18 espanhóis já foram mobilizados na Roménia
O alerta surge também no mesmo dia em que dois caças F-18 espanhóis descolaram da Roménia para monitorizar alvos aéreos, na sequência de um alerta relacionado com drones russos junto à fronteira com a Ucrânia.
A operação demonstra como a utilização de drones está a assumir uma importância crescente na vigilância e defesa do espaço aéreo europeu.
Para já, não existe confirmação pública de que esteja iminente um ataque contra Espanha, França ou Itália. O que existe é um alerta dos serviços de informação norte-americanos sobre uma possível operação russa e a avaliação de diferentes cenários pelas autoridades europeias.
Uma nova preocupação para a segurança europeia
A eventual utilização de drones lançados a partir do Mediterrâneo introduziria uma nova dimensão na ameaça, uma vez que permitiria tentar atingir países que tradicionalmente se encontram afastados das principais zonas de operações militares relacionadas com a guerra na Ucrânia.
A possibilidade está a ser analisada num contexto mais amplo de preocupação com ataques híbridos, drones e ciberataques contra infraestruturas europeias. Nas últimas semanas, vários incidentes no espaço europeu aumentaram a atenção dos governos para este tipo de ameaça.
Apesar do alerta, não há indicação pública de que um ataque esteja confirmado ou que tenha sido tomada uma decisão russa para avançar com uma operação contra os três países.
O caso demonstra, contudo, como os drones passaram a constituir uma componente central da segurança europeia e como a defesa contra este tipo de sistemas se tornou uma prioridade para os países da NATO.

















