Bélgica vai cobrar para usar as autoestradas. O que muda e como se compara com Portugal?
A Bélgica prepara-se para uma mudança histórica na forma como financia a sua rede rodoviária. A partir de 1 de maio de 2027, os condutores passarão a ter de pagar uma vinheta eletrónica para poder circular nas autoestradas e principais vias rápidas do país, acabando com décadas de utilização praticamente gratuita.
O que vai mudar na Bélgica?
O novo sistema prevê a introdução de uma vinheta eletrónica válida por diferentes períodos, adaptando-se tanto aos residentes como aos turistas e condutores em trânsito.
Segundo as informações já divulgadas, existirão passes de curta duração (como um dia ou dez dias), bem como uma modalidade anual. O preço anual deverá variar entre 90 euros para veículos elétricos e 125 euros para automóveis mais poluentes.
Ao contrário das portagens tradicionais, o valor não dependerá da distância percorrida. Quem comprar a vinheta poderá utilizar a rede abrangida durante o período de validade sem custos adicionais.
O controlo será totalmente eletrónico, através da leitura automática das matrículas.
Porque decidiu a Bélgica avançar?
A Bélgica é uma exceção na Europa, já que praticamente todas as suas autoestradas são gratuitas para veículos ligeiros. Contudo, o país recebe anualmente milhões de veículos estrangeiros em trânsito, que utilizam a infraestrutura sem contribuírem diretamente para a sua manutenção.
Além disso, a crescente eletrificação do parque automóvel está a reduzir as receitas provenientes dos impostos sobre os combustíveis, obrigando as autoridades a procurar novas fontes de financiamento.
As receitas da vinheta serão destinadas à manutenção e operação da rede rodoviária.
Como funciona atualmente Portugal?
Portugal segue um modelo completamente diferente. Em vez de uma taxa fixa anual, a maioria das autoestradas é paga conforme a distância percorrida.
Existem atualmente dois modelos:
- Portagens tradicionais, onde o pagamento é feito em praças de portagem.
- Portagens eletrónicas, através de pórticos com leitura automática da matrícula ou do identificador Via Verde.
Na prática, quem utiliza pouco as autoestradas paga pouco, enquanto quem percorre centenas ou milhares de quilómetros por ano suporta custos significativamente superiores.
Bélgica vs. Portugal: as principais diferenças
| Característica | Bélgica (a partir de 2027) | Portugal |
|---|---|---|
| Sistema de pagamento | Pagamento por período (vinheta) | Pagamento por utilização |
| Custo | Entre 90 € e 125 € por ano (consoante o veículo) | Sem limite anual (depende da utilização) |
| Relação com a distância percorrida | Não depende dos quilómetros percorridos | Depende diretamente da distância percorrida |
| Forma de controlo | Leitura automática da matrícula | Portagens físicas e eletrónicas |
Qual dos sistemas é mais vantajoso?
Tudo depende do perfil de utilização. Quem percorre muitos quilómetros poderá beneficiar de um sistema de vinheta, já que o custo anual fica limitado ao valor pago inicialmente.
Já quem utiliza as autoestradas apenas ocasionalmente tende a beneficiar do modelo português, pagando apenas pelas viagens que efetivamente realiza.
Por outro lado, Portugal consegue aplicar o princípio do “utilizador-pagador” de forma mais rigorosa, uma vez que quem usa mais a infraestrutura também contribui mais para a sua manutenção.
Poderá Portugal adotar um sistema semelhante?
É pouco provável. Portugal possui uma extensa rede concessionada, com contratos de longa duração celebrados entre o Estado e operadores privados. Grande parte das receitas das portagens está associada a esses contratos, o que tornaria extremamente complexa a substituição por uma vinheta nacional.
Além disso, Portugal já investiu fortemente em sistemas de cobrança eletrónica e em infraestruturas baseadas na utilização efetiva das vias.
Ainda assim, o debate sobre formas alternativas de financiamento das estradas poderá ganhar força nos próximos anos, sobretudo à medida que a eletrificação do parque automóvel reduz a receita proveniente dos impostos sobre os combustíveis, um dos principais financiadores da infraestrutura rodoviária.
Para os portugueses, esta decisão levanta uma questão inevitável: será este sistema mais justo do que o modelo de portagens atualmente em vigor em Portugal?























O tal risco zero para os liberais que as gerem.
Tb fazem algo parecido na Suiça
Sim fazem e basta pagar por volta de 25 paus por ano, por uma vinheta que se coloca no vidro, bastante parecido com Portugal 🙂
43€
Não há problema em pagar mas paguem os que têm dinheiro, haja justiça.
Quem não tem dinheiro que não as use, tal como faz com tudo o resto.
porreiro enivam milhares de milhoes para derreter na Ukrania e encher os bolso dos corruptos sociopatas, depois da nisto precisam de extorquir os cidadaos.
Ja que se paga que seja o modelo Belga 125€ anuais
Se utilizar uma viagem ida e volta que vive no Norte para o Algarve paga 98€ ir a outro ponto fica logo acima de 125€
Mas como não é vantajoso para que as gera o modelo nacional é o que convém
Se os elektros estão a reduzir as receitas provenientes dos impostos necessários para a conservação das AE’s, debitem as vinhetas a eles, oras…Ainda por cima, devido ao peso excessivo, os elektros estragam mais as AE’s e consequentemente mais custos.
Ainda assim preferia o modelo belga:
-Uma ida e volta do Porto ao Algarve e está pago. O resto do ano é de borla.
E quem usa autoestradas 3 ou 4 vezes ao ano em trajectos curtos? Passava a pager como gente grande?
Onde é falam em elétricos ? mais um que não sabe o que é eletrificação.
Qual peso excessivo ?
O seu diesel também tem um peso excessivo em relação aos a gasolina.
Convem ler seu arogante : ” Além disso, a crescente eletrificação do parque automóvel está a reduzir as receitas provenientes dos impostos sobre os combustíveis, obrigando as autoridades a procurar novas fontes de financiamento. “
E onde falei disso ?
Nope. Eu prefiro o modelo de cada um pagar o percurso que faz.
Não vamos todos para o Algarve, por isso não se vai fazer um modelo para beneficiar apenas uns milhares.
A maior parte das utilizações das autoestradas é feita à volta da área de residência e muitas vezes nem são utilizadas diariamente, com a quantidade de gente em modo de trabalho misto.
Para muita gente não compensa pagar centenas de euros anuais para andar nas AE’s.
Considero mais justo o princípio de utilizador pagador do que ninguém pagar e depois todos, de uma maneira ou de outra, terem de pagar. Porque as autoestradas não subsistem de graça.
Partilho da mesma opinião, acho o modelo mais justo.
Mas nas AE em que somos chamados (entenda-se os nossos impostos) para as construir, acho que os lucros da sua utilização deviam ser também reverter para o estado.
O que acontece hoje em dia em alguns casos é que para o estado apenas fica o prejuízo, mesmo quando estas já estão a ser geridas por privados…
Se o dinheiro das portagens fosse para o Estado, o que é que as concessionárias estavam lá a fazer?
A ser dessa forma, então, a conservação e manutenção das autoestradas ficariam na alçada do Estado, o que seria a medida perfeita para elas ficarem todas degradadas e sem reparações durante meses e anos, como acontecia antes de existirem concessões.
O Estado nunca tem prejuízo com as concessões porque nunca investe dinheiro na infraestrutura. Na verdade, com as concessões a privados, o Estado poupa muitas centenas de milhões de euros todos os anos.
E só é chamado a pagar determinadas quantias quando o contrato de concessão não é cumprido por parte do Estado ou quando acontece alguma situação extraordinária que está salvaguardada nesse mesmo contrato.
Não existe contrato nenhum que não tenha salvaguardas para quem investe o seu dinheiro em infraestruturas do Estado. Se assim não fosse, ninguém aceitaria qualquer negócio com o Estado, seja em Portugal ou noutro país qualquer.
Compreendo, mas o Zé da província, paga comboios e metros ao pessoal de Lisboa e nunca vai utilizá-los, essa do pagador também não é assim tão simples, que todo o dinheiro mal gasto neste país fosse só para as AE.
Isso é comentário mesmo de quem não sabe. O Zé da província ainda hoje vivia em 1900 se não fossem os impostos de Lisboa. Dados de 2023, cincos distritos pagam 2/3 do irs pago em Portugal. Lisboa, Porto, Setúbal, Braga e Aveiro. Coitado do Zé da província se fosse viver só dos impostos que ele paga.
Os impostos não são só irs… (era bom que fosse)
Das empresas que operam no país, mas pagam impostos em Lisboa porque aí têm a sua sede.
O contrário também é verdade, por isso qual é afinal a tua lógica da batata?
Todos pagamos uns aos outros, é assim que a economia funciona há gerações.
“Bélgica vai cobrar para usar as autoestradas”
Portugal é visionário… aos anos que já pagamos e bem.
Porque é que a Via do Infante é gratis em toda a extensão e a A28, entre o Porto e Esposende tem duas portagens? É, claramente, uma situação de discriminação numa ex-scut, saturada e com acidentes quase todos os dias, principalmente entre o Porto e o nó de Vila do Conde.
Mas o que é certo as que deixaram de se pagar nunca retiraram os pórticos nessa SCUT o que faz pensar que o governo que vier a seguir e se tiverem a maioria parlamentar vão voltarem a ativar as vezes que faço até Viana penso nisso
Voltariam quer tivesse pórticos ou não
Em Portugal é diferente porque as AE foram todas privatizadas.
“Portugal consegue aplicar o princípio do “utilizador-pagador” de forma mais rigorosa, uma vez que quem usa mais a infraestrutura também contribui mais para a sua manutenção.”
Consegue mesmo?
So mesmo aos residentes é que pagam porque os turistas que vem cá e passam pela Via Verde esses não pagam e não são chamados a pagar…
Esses têm muito dinheiro.
Como estamos em Portugal, os políticos podem criar a vinheta para as pessoas puderem aceder às auto-estradas, e depois nas auto-estradas com portagem (seja física ou virtual) pagam também isso à parte na lógica do utilizador pagador.
Para quem acha impossível é só olhar para a factura da electricidade e reparar que todas as taxas, impostos e até a contribuição audiovisual, tem o IVA em cima… taxas e taxinhas umas em cima das outras.
“As receitas da vinheta serão destinadas à manutenção e operação da rede rodoviária”.
Ainda bem que isso acontece pela Europa fora. Já em Portugal a manutenção, tanto de auto estradas como estradas nacionais é um utopia. Mas o dinheirito lá vai entrando nos cofres do Estado! Ou dos amigos….
As autoestradas concessionadas têm todas conservação e manutenção mais que regulares.