Apagão ibérico: portugueses levam Red Eléctrica a tribunal
Uma associação de defesa do consumidor avançou com uma ação popular contra a Red Eléctrica de España (REE), responsabilizando a operadora espanhola pelos prejuízos causados pelo apagão de 28 de abril de 2025. Em cima da mesa está uma indemnização que pode ascender a centenas de milhões de euros.
Um apagão com milhões de potenciais lesados
O corte de eletricidade que deixou Portugal e Espanha às escuras em abril de 2025 está de volta às notícias, desta vez nos tribunais. A associação Citizens' Voice - Consumer Advocacy Association apresentou uma ação popular no Juízo Central Cível de Lisboa contra a REE, a empresa que gere a rede elétrica espanhola.
O objetivo é responsabilizar a operadora pelos danos sofridos pelos consumidores portugueses durante as horas em que o país esteve sem luz.
A ação pretende representar todos os residentes em Portugal continental afetados pelo apagão, o que a própria associação admite tratar-se de "milhões de cidadãos".
Que danos estão em causa?
Segundo Otávio Viana, representante da Citizens' Voice, o dano comum a praticamente todos os portugueses foi a privação de eletricidade em si, que resultou na perda de conforto, de segurança, de comunicações e da normalidade do dia a dia.
Contudo, além disso, há prejuízos mais concretos que a associação também quer ver compensados:
- Alimentos e medicamentos estragados por falta de refrigeração;
- Equipamentos elétricos danificados;
- Despesas extra para mitigar os efeitos do corte;
- Perdas de rendimento de quem não conseguiu trabalhar;
- Situações de maior vulnerabilidade, como pessoas dependentes de equipamento médico elétrico.
Como os prejuízos variam muito de pessoa para pessoa, o valor final da indemnização não foi fixado, com a associação a pedir que seja calculado mais tarde, em liquidação de sentença. De qualquer forma, as contas, feitas à escala de milhões de consumidores, podem disparar rapidamente.

Um valor de apenas 10 euros por pessoa, multiplicado pelos milhões de residentes potencialmente representados, já aponta para centenas de milhões de euros só em danos não patrimoniais.
Falha de planeamento na origem do apagão
O argumento central da ação é que o apagão não resultou de uma fatalidade inevitável. A petição sustenta que a causa foi antes "falhas de planeamento, programação e operação" da rede de transporte espanhola, sob responsabilidade da REE, nomeadamente uma insuficiência de meios para controlar a tensão e absorver perturbações num sistema com elevada produção renovável.
Como não existe qualquer relação contratual entre os consumidores portugueses e a operadora espanhola, a ação assenta em responsabilidade extracontratual. Ou seja, na ideia de que quem viola deveres legais de segurança e continuidade de um serviço essencial deve responder pelos danos que causa a terceiros.
Além da indemnização, a associação exige mudanças concretas na forma como a REE gere a rede, bem como mais reservas de estabilidade, revisão dos sistemas de proteção, planos para incidentes transfronteiriços e auditorias técnicas independentes.
Para garantir que estas medidas são cumpridas, a associação propõe sanções não inferiores a 500 mil euros por cada violação, além de 100 mil euros por cada dia de atraso.
Ministério Público trava avanço do processo
Entretanto, o Ministério Público já se pronunciou nos autos a defender a rejeição liminar da ação, alegando que esta não se coaduna com o tipo de interesses invocados, apontando a dimensão da classe representada, a diversidade dos prejuízos e a ausência de relação contratual direta com a REE.
A Citizens' Voice rejeita os argumentos, acusando o Ministério Público de confundir uma classe ampla com uma classe juridicamente inadmissível.
A associação defende que as diferenças entre os prejuízos individuais podem ser resolvidas através de subclasses e da já mencionada liquidação posterior. Caberá agora ao tribunal decidir se o processo avança.

A política energética portuguesa, a energia mais barata e a boa conectividade de banda larga foram apontadas como fatores decisivos para a escolha.
Se o tribunal der luz verde, os consumidores portugueses serão chamados ao processo através de anúncios, previsivelmente publicados em dois jornais de grande circulação, ficando automaticamente representados, a menos que optem por sair do processo.
Ninguém precisa de contratar advogado nem corre o risco de pagar custas se a ação não for bem-sucedida.
Um longo processo pela frente
Mesmo que a ação avance, ninguém espera uma resolução rápida. Otávio Viana admite que o maior obstáculo será o tempo. A demora será agravada pela dimensão da própria ação, pelo facto de a REE estar sediada em Espanha e pelas questões processuais que poderão surgir antes de o tribunal sequer analisar as causas do apagão.
A isso soma-se a necessidade de reconstruir tecnicamente o colapso da rede com recurso a peritos, por forma a explicar a um tribunal sem formação técnica como uma subida de tensão provocou desligamentos em cadeia até isolar toda a Península Ibérica.
A associação está a trabalhar com uma sociedade de advogados espanhola e com técnicos que acompanham as investigações em curso em Espanha.





















A dita associação, em dezembro de 2025, intentou uma ação contra a REN por causa do apagão ibérico.
No site não falam da ação contra a REE, mas pelo que diz o post é o mesmo assunto. Falta saber se o tribunal a aceita.
Correção – a ação de dezembro de 2025 é contra REE (e não a REN)
– Ação popular – apagão ibérico – Processo: 30437/25.6T8LSB
Autora: Citizens’ Voice – Consumer Advocacy Association
Ré: Red Eléctrica de España, S.A.U. (REE)
Resumo na página das ações coletivas da Direção-Geral do Consumidor:
“Causa de pedir/pedido (em síntese):
a) Ser condenada a ré “a indemnizar integralmente os autores populares pelos danos patrimoniais e não patrimoniais sofridos em consequência do apagão de 28 de abril de 2025”;
b) Serem aplicadas “todas as medidas inibitórias e de tutela coletiva previstas na lei, designadamente obrigando a ré a garantir, de futuro, a operação segura, estável e diligente da rede de transporte de energia elétrica e da interconexão com Portugal, de forma a prevenir a repetição de incidentes semelhantes”
Vale lhes de muito…
Parou um reactor nuclear em Espanha este mês, e os preços da energia subiram em catadupa… Vale a pena continuar a meter espelhos
Vale lhes de muito…
Parou um reactor nuclear em Espanha este mês, e os preços da energia subiram em catadupa… Vale a pena continuar a meter espelhos
Não encontrei notícias diso:
P: Em Espanha, este mês um reator esteve desligado e por isso o preço da eletricidade subiu?
R (Gemini):
“Não, a recente subida dos preços da eletricidade em Espanha não foi provocada pela paragem de um reator nuclear.
Embora o preço grossista da eletricidade tenha atingido máximos dos últimos meses (chegando a ultrapassar os 200 €/MWh} em picos diários), os fatores reais para este agravamento prendem-se com questões meteorológicas e estruturais do mercado ibérico:
Falta de vento (Calmaria de Verão): A principal causa imediata foi a quebra acentuada na produção de energia eólica. Perante a ausência de vento e a menor contribuição das renováveis baratas, o sistema elétrico foi obrigado a recorrer massivamente às centrais térmicas a gás de ciclo combinado.
Mecanismo de Preço Marginal: Como as regras do mercado ibérico (OMIE) determinam que a última tecnologia necessária para cobrir a procura dita o preço da hora, o custo mais elevado do gás acaba por inflacionar todo o pool elétrico.
Custos Técnicos Pós-Apagão: O sistema ainda reflete a aplicação de custos adicionais relacionados com a segurança da rede. Desde o grande apagão ibérico ocorrido em abril de 2025, o operador da rede espanhola (Red Eléctrica) reforçou os serviços de ajuste e os mecanismos de segurança do sistema, custos esses que as comercializadoras passaram a repercutir gradualmente.
O parque nuclear espanhol continua a operar dentro do seu calendário previsto, existindo sim um debate político em curso sobre o prolongamento das licenças de centrais como a de Almaraz (cujo fecho da primeira unidade está previsto a partir de 2027), mas sem qualquer paragem anómala a ditar a escalada de preços deste mês.”
Estão muitos arrasca porque acabaram com as centrais de combustiveis fosseis e enterraram o país nas farsas climaticas logo vai ficar a vista os esquemas que expoem o pais a apagoes o medo é que lhes saia dinheiro do bolso .
Creio que ainda mantêm 3 a carvão e, através da ligação com Marrocos, importam o equivalente a mais 10 a carvão que entretanto fecharam, ficando está electricidade isenta da taxa de CO2.
Só há duas centrais a carvão, nas Ilhas Baleares. Não produzem eletricidade. Estão ativas apenas como reserva estratégica.
Espanha é altamente exportador de eletricidade para Marrocos, que também está a apostar nas renováveis. Só pontualmente Espanha importa eletricidade de Marrocos.
Há pelo menos 2 na península:
https ://www.google.com/maps/place//data=!4m2!3m1!1s0xd36f2ea7ef8687f:0x6d669fb70870552e
https ://www.google.com/maps/place//data=!4m2!3m1!1s0xd36f2ea7ef8687f:0x6d669fb70870552e
Adiante:
“…A Inversão Histórica de 2019:
Pela primeira vez na história recente, o saldo elétrico entre a Península Ibérica e Marrocos tornou-se deficitário para Espanha. Espanha, que tradicionalmente exportava milhares de GWh para Marrocos, passou a ser importadora líquida com um défice de cerca de 770 GWh a 1 200 GWh nesse ano. …”
“…2019, el primer año que España compra más electricidad a Marruecos de la que le vende por culpa del impuesto al CO2…”
https ://elperiodicodelaenergia.com/2019-el-primer-ano-que-espana-compra-mas-electricidad-a-marruecos-de-la-que-le-vende-por-culpa-del-impuesto-al-co2
Ou seja, fecham em Espanha 10 centrais cuja produção estaria já sujeita a taxa de CO2 e passam a importar da novíssima central de SAFI electricidade a carvão isenta de CO2.
Aliás, quem deu ao arranque após o apagão foi sobretudo SAFI.
Aliás:
https ://maps.app.goo.gl/Bo2ga2LfmZi7vnpVA
Aliás:
https ://maps.app.goo.gl/1JiqDebG8akmiPZM7?g_st=ac
(Estava difícil 😛 )
Já agora SAFI
https ://maps.app.goo.gl/uyjFPp1E57bmUSbY9
E …Jorf Lasfar:
https ://maps.app.goo.gl/fn4vdGfEP32bq4E1A
Que, através dos cabos do Estreito de Gibraltar, também interliga a energia do Norte de África com a Península Ibérica.
É estratégico.
Qual é o motivo para ires buscar dados de 2019?
https ://www.ree.es/es/datos/intercambios/frontera-fisicos?start_date=2023-01-01T00:00&end_date=2026-06-30T23:59&time_trunc=month_48&geo_trunc=electric_system&borderSelect=todas
O saldo positivo mantém-se a favor da Espanha em relação a Marrocos nos últimos 40 meses
REE que é administrada por uma girl do PSOE, uma incompetente de primeira. Quando metem malta do partido a gerir as coisas, costuma dar mau resultado. É só ver o professor do ensino básico que administra os SMS de Almada…
Não sejas assim. Afinal de contas o professor do ensino básico tem a ajuda de Inês de Medeiros, que frequentou o curso de teatro (mas não acabou), e de Nélson Pólvora, que é licenciado em Ciências Sociais. Com estes curriculums, o SMAS de almada não podia estar em mehores mãos.