Afinal, a IA não está a substituir os programadores! O que está a acontecer?
Durante os últimos dois anos, multiplicaram-se as previsões de que a Inteligência Artificial iria eliminar milhares de postos de trabalho na engenharia de software/programadores. Mas será mesmo tempo?
Os dados mais recentes mostram um cenário bastante diferente: os engenheiros continuam a ser dos profissionais mais procurados pela indústria tecnológica.
Um relatório da SignalFire, empresa especializada em análise do mercado de trabalho tecnológico, revela que, apesar da desaceleração das contratações no setor, a engenharia continua a destacar-se como a área mais resistente ao impacto da IA.
Segundo o estudo, as grandes empresas tecnológicas contrataram menos 25% de trabalhadores em comparação com 2019. Contudo, quando se analisam apenas os cargos de engenharia, a quebra foi de apenas 11%. Mais impressionante ainda é o facto de os engenheiros representarem agora 55% de todas as novas contratações nas principais empresas tecnológicas, quando em 2019 esse valor era de 46%.
A tendência também é visível nas startups. As empresas em fase inicial contrataram mais 7% de engenheiros em 2025 do que em 2019, contrariando a ideia de que a IA estaria a substituir programadores e outros profissionais técnicos.
A IA está a mudar o trabalho, não a eliminá-lo
Os especialistas apontam que a Inteligência Artificial está, sobretudo, a aumentar a produtividade dos engenheiros. Ferramentas como assistentes de programação permitem automatizar tarefas repetitivas, libertando tempo para atividades de maior valor acrescentado, como arquitetura de software, desenho de sistemas complexos e resolução de problemas.
Esta visão é também defendida por líderes da indústria. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou recentemente que, desde que todos os engenheiros da empresa passaram a utilizar ferramentas de IA generativa, estão "mais ocupados do que nunca", precisamente porque conseguem desenvolver mais projetos e responder a novos desafios.
O mercado continua em transformação
Embora as notícias sobre despedimentos no setor tecnológico continuem frequentes, vários indicadores mostram que a procura por talento técnico permanece elevada. Dados recentes da TrueUp revelam que as ofertas de emprego em empresas tecnológicas cresceram cerca de 14% desde o início do ano, com destaque para áreas ligadas à infraestrutura de IA e hardware.
Isto não significa que a profissão esteja imune às mudanças. A IA está a alterar profundamente a forma como os engenheiros trabalham, exigindo novas competências e maior capacidade para colaborar com ferramentas inteligentes. O perfil do engenheiro do futuro será provavelmente menos focado na escrita manual de código e mais orientado para o desenho de soluções, validação, supervisão e integração de sistemas baseados em IA.
Para quem receava que a Inteligência Artificial viesse substituir rapidamente os engenheiros, os dados atuais sugerem precisamente o contrário: a tecnologia está a transformar a profissão, mas continua a aumentar a necessidade de profissionais qualificados para desenvolver, supervisionar e tirar partido destas novas ferramentas.






















Vão dizer isso aos funcionários da Critical Software que estão a ser mandados embora em barda à conta de uma restruturação motivada por AI.
quando uma empresa esta mal, e’ facil culpar variaveis externas para parecer menos mal.
Se fosse só essa empresa…
Não tem nada a ver com AI, a critical está sobre dimensionais há anos, chegou a altura de reestruturar, igual com as restantes do grupo, é o que dá contratar tudo o que mexe
É imperativo o sacrificio humano ao novo deus IA, é preciso derramar sangue de muitos para apaziguar a fúria deste novo deus, os indesejados serão muitos é será preciso sacrificá-los, depois virá a bonança para os que cá ficam. Amém.
Há meses que ando a dizer precisamente isto.
Andas a tentar enganar os outros ou a ti mesmo?
O relatório da SignalFire esconde a verdade porque esta substituição silenciosa já começou por baixo, e vai-se espalhar lentamente! As pessoas têm de deixar de aceitar os resumos feitos por terceiros, e ler, analisar os dados e tirar conclusões por si.
Fui ler o relatório original da SignalFire e a contratação de engenheiros juniores caiu 65% nas grandes tecnológicas e 76% em startups desde 2019. Isto acontece porque as ferramentas de IA generativa já absorvem as tarefas mais simples de testes e escrita de código básico que antes eram distribuídas a equipas juniores. Isto vai causar outro paradoxo, que é como cada vez se contrata menos juniores, vão deixar de existir oportunidades para um programador crescer e ganhar experiência!
Além disso, li um estudo da Goldman Sachs sobre o impacto da IA que aponta que cerca de 25% das tarefas de trabalho em economias avançadas podem ser totalmente automatizadas, sendo o desenvolvimento de software uma das áreas mais expostas. Na prática, isto não significa o fim do engenheiro de software, mas sim que equipas que antes precisavam de 10 programadores agora operam com 2 ou 3 seniores que atuam como “orquestradores”. Na minha empresa já noto isso mesmo!
E não nos podemos esquecer da evolução dos agentes. O argumento de que a IA apenas sugere código vai ficar obsoleto muito em breve. Com a evolução de frameworks de agentes capazes de navegar autonomamente por repositórios e sistemas complexos, identificar bugs e fazer commits sem intervenção humana constante, o cenário vai mudar por completo.
A IA pode não estar a extinguir a profissão de engenharia de sistemas ou arquitetura de software, mas está sim a substituir o programador executor. Ignorar a contração brutal no recrutamento e a capacidade atual e futura dos agentes de autonomia técnica é tentar tapar o sol com uma peneira.
Pode ser que surjam novos empregos e oportunidades (tenho as minhas dúvidas), mas que muito do trabalho administrativo e técnico será substituído por IA, disso não tenho dúvidas!
Isto
concordo!
Vocês andam muito atrasados em Portugal, até mete dó.
O motivo pelo qual não fazes o mesmo trabalho com 2 que antes fazias com 10 é porque passas a construir muito mais e muito mais rápido, já temos agentes com loops antes de os frontier models terem loops built in, já na minha empresa fazias loops com iterações de Ralph loop desde fevereiro, isso significa que já andamos com workflows de agentes a identificarem bugs, criarem PRs, corrigirem os bugs e fazerem ship para dev já com TDD e QA, e o que assistimos em todo o lado é que os devs estão cada vez mais assoberbados de trabalho, porque o negócio percebeu que agora pode pedir literalmente tudo porque é tudo barato e rápido, já nem existem apps a levar 6 meses a serem desenvolvidas por uma equipa de 5 pessoas, por isso agora é como se não houvesse limites, tivemos de criar agentes de gestão de slack porque estava impossível de gerir tanto pedido.
Quanto aos juniores, sim, existiu uma estagnação mas desde o início do ano isso já mudou, o que aconteceu foi que começaram a perceber que quem sai agora das faculdades é quase AI native, e numa altura que se precisam de ideias para saber o que construir com AI é aí que estão a apostar as fichas, a minha empresa não é um desses casos, isso tem acontecido mais em consultoras.
A IA nunca vai conseguir substituir o fator humano (imaginação e pensamento abstrato) como tal os engenheiros continuam e vão continuar. O grande problema é que estes engenheiros passam mais tempo a corrigir e monitorizar o trabalho da IA quando seria mais rápido serem eles fazerem o mesmo trabalho.
isso do “nunca vai” nao sei, ja vi muita coisa
É o que acontece quando jornalistas e especialistas da treta que não estão dentro do mercado criam notícias alarmistas para clicks.
Alguns dos despedimentos em massa não tem haver com a IA mas sim incompetência dos programadores. Muitos tiraram o curso porque estava na moda mas não têm mente lógica para passar do nível de junior. Agora o tempo apanhou-os.
Outro motivo é incompetência da gerência que acham que precisam de 100 programadores quando só é necessário 10. Depois ups, têm de despedir.
Quem criou esse paradigma foi o próprio Sam Altman, que concordo que seja um especialista da treta, entretanto veio a público desmentir este mes a dizer que estava errado e que menosprezou a necessidade do factor human in the loop.. nao se pode pedir muito de uma cabeça daquelas