A ideia mais polémica da aviação está de volta: passageiros empilhados. Agora já “faz sentido”?
Viajar de avião em classe económica raramente é sinónimo de conforto. E, parece estar cada vez pior! Espaço reduzido, pouco reclinar e margens cada vez mais apertadas são parte da experiência. Mas há quem esteja a tentar mudar isso… com uma ideia que parece saída de ficção. Querem empilhar passageiros em dois níveis dentro da mesma cabine.
O conceito chama-se Chaise Longue e voltou a ganhar destaque, desta vez com melhorias que tentam responder às críticas iniciais.
Uma solução radical para um problema antigo
A proposta surgiu em 2021 pelas mãos do designer espanhol Alejandro Núñez Vicente. A lógica é simples, aproveitar o espaço vertical da cabine, criando dois níveis de assentos sobrepostos.
Na prática, os passageiros deixam de estar alinhados em filas tradicionais e passam a ocupar estruturas em “camadas”.
São divididos num nível inferior, mais próximo do chão, com maior espaço para esticar as pernas e num outro nível superior, com maior inclinação e conforto para descansar.
A ideia nasceu de uma frustração comum, a falta de espaço para as pernas nos voos económicos. Ao elevar os assentos da frente, o designer criou uma solução que, teoricamente, devolve espaço ao passageiro.
O que mudou nesta nova versão?
Depois de críticas intensas nas primeiras versões, o conceito foi refinado:
- Melhor acesso ao nível superior, com escadas mais seguras
- Mais espaço em ambos os níveis
- Redução de peso estrutural
- Adaptações para maior acessibilidade no nível inferior
- Integração pensada para aviões como o Airbus A350 ou Boeing 777X
Outra mudança importante foi a remoção dos compartimentos superiores de bagagem, criando espaço físico para os dois níveis de assentos.
O conceito chama-se Chaise Longue e voltou a ganhar destaque, desta vez com melhorias que tentam responder às críticas iniciais. pic.twitter.com/mTDX7VZyTV
— Pplware (@pplware) May 3, 2026
Mais conforto… ou apenas outra forma de “apertar” passageiros?
Bom, aqui entra a grande divisão de opiniões. Por um lado, quem já experimentou protótipos refere que o conforto pode ser significativamente superior, com mais espaço e melhor reclinação do que a classe económica atual.
Por outro, persistem dúvidas sérias:
- Evacuação em emergência pode ser mais difícil
- Sensação de claustrofobia no nível inferior
- Acesso complicado para pessoas com mobilidade reduzida
- Questões práticas como limpeza, serviço de bordo ou bagagem
E, claro, críticas mais… humanas. A proximidade entre passageiros levanta preocupações curiosas, mas reais, sobre conforto e privacidade.... e os maus cheiros!
Não é para meter mais pessoas… ou será?
Curiosamente, o objetivo declarado não é aumentar o número de passageiros, mas sim melhorar o conforto mantendo a mesma densidade.
Ainda assim, muitos especialistas e utilizadores suspeitam do contrário, apontam que esta abordagem possa acabar por ser usada pelas companhias aéreas para maximizar receitas.
Pode mesmo chegar aos aviões?
Apesar de ainda ser um conceito, há sinais de evolução:
- Interesse de companhias aéreas
- Parcerias com fabricantes como a Airbus
- Trabalho em certificação de segurança
Mas há um obstáculo crítico, isto é, qualquer novo sistema terá de cumprir regras rigorosas, como evacuar todos os passageiros em menos de 90 segundos, algo que ainda levanta dúvidas neste design.
Uma ideia estranha… mas inevitável?
A história da aviação mostra que muitas ideias inicialmente ridicularizadas acabam por se tornar norma. No entanto, este conceito toca num ponto sensível, o equilíbrio entre conforto, segurança e lucro.
Empilhar passageiros pode parecer absurdo à primeira vista. Mas num setor onde cada centímetro conta, talvez seja precisamente esse tipo de ideias que define o futuro das viagens aéreas.
A questão que fica é simples: preferia mais espaço… mesmo que isso signifique ter alguém “por cima de si”?























Gostei. Vejo mais vantagens do que desvantagens.
Acessibilidade?
sim, nos de baixo.
só o conforto proporcionado pela inclinação, sobretudo em viagens longas já faz mta diferença. Eu que o diga que fiz centenas de milhares de milhas.
Acho que o ideal seria meter uns varões no tecto com umas pegas tipo autocarro e vamos todos ali de pé.
Devem conseguir meter mais uns passageiros e não precisam de dar chá ou café porque o pessoal fica com as mãos ocupadas.
Win win…
Sim, como na Fertagus. Vai tudo ao molho, encostados uns aos outros que nem animais a caminho do matadouro.
Quando houver um acidente, ficam logo enterrados
Se houver um acidente, na realidade não importa muito como vais sentado, o destino é só um.
Não troquem a qualidade e liberdade na vossa vida por ilusões do mundo coorporativo que só pensa no lucro e não no bem das pessoas, se trocarem depois vão chorar.
Para quem viaja em economy vejo vantagens, para quem viaja em business ou 1a não vejo qualquer vantagem
Um avião que transporta como gado o dobro do pessoal não significa que os bilhetes saiam a metade do preço.
Ótimo pra o turismo de massas
Quem já esteve no Vietnam e andou no sleeping bus por lá, sabe o jeito que dão fazer longas viagens, podiam tentar fazer o mesmo nos aviões.
Este conceito parece bastante aceitável, resta saber se o pessoal consegue sair dos lugares nos 90 segundos, que é a proteção máxima antifogo de um avião.
nos aviões já existe há muito tempo, só tens de sair de economy
O ideal é não ser necessário vender um rim para andar confortavelmente de avião, mas não espero que um narcisista compreenda isso. 🙂 🙂 🙂
para andar a business não é preciso vender um rim, tipicamente é 2x mais e tem muitas outras vantagens para além da cama, não podes é esperar pagar o mesmo que uma viagem budget friendly e ter acomodações desproporcionais, como viajas muito sabes bem que o bem mais escasso num avião é espaço e peso, se fosses converter os bancos em camas nenhuma companhia aeria teria lucro se não duplicasse os preços
Provavelmente nunca andaste num sleeping bus, como no Vietnam, e eu posso explicar como funciona, as tuas pernas vão para de baixo do banco da frente, ficas com as pernas quase esticadas, no meu caso que nem sou assim tão alto tenho 1.78, não consigo ficar esticado a 100%, mas é o suficiente, e as costas também não deitam na totalidade, mas era mais que suficiente para uma viagem de avião.
Aqueles que fazem cama, sim ocupa mais espaço e para mim não são tão confortáveis como aqueles que vais sentado / deitado, neste caso os primeiros do exemplo que deixei.
Deixo ai um exemplo para veres o que digo
https://warmcheaptrips.com/en/vietnam-sleeping-bus/
Nunca andei mas calculei que fosse isso, é semelhante ao apresentado no artigo.
Mas entendes o espaço adicional que isso ocupa para um avião onde todos os cm/s têm de ser maximizado
Eu estava a olhar para este sistema aqui e só vejo uma forma de ser possível , acabar com as ” bagageiras de cima,.
Quanto ao meu exemplo o espaço é o mesmo, o peso é que pode ser maior
2 vezes mais onde, na sua companhia aérea?
3 a 5 vezes mais comparativamente à económica premium, a tarifa mais elevada da classe económica, que está fora do bolso de muita gente.
Vai tudo arrumadinho lol
Nunca andei num avião com tanto espaço em cima para caber outra pessoa sentada. Devem ser aviões futuros…
até tens aviões com 2 andares, não vejo o espanto
melhor meter umas barras de um lado ao outro e o pessoal vai lá agarrado.
Se alguém tiver cansado senta-se no chão
Pior é nas travagens